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Primeiro Post do Ano

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 Fiz uma pausa no trabalho, pausa que me é devida, mas que eu insisto em não usufruir. Poderei alegar imensos motivos, mas sei que prefiro embrenhar-me na única coisa que pareço dominar – o trabalho – enquanto vou colocando checked na minha lista de tarefas. Entre faturas, e-mails e atualizações de processos, questiono-me se não deveria ir ao ginásio, acabar de ouvir o podcast sobre o Livro de Jó ou voltar a listar, no caderno, os nomes de animais em russo para não me esquecer. A par disso, as compulsões assumem-se. Apetece-me gritar ou sentir as unhas compridas a escarafuncharem na pele, ou as duas coisas. Estou qualquer coisa que não sei definir. E todas estas ideias vêm ao mesmo tempo. Entretanto, volto a duas lembranças do passado que surgem desde que me dei conta de que a “vergonha” é algo que me acompanha há muito tempo. Tinha eu 3 ou 4 anos, quando me perdi na praia da Nazaré. Queria ir à água e, com aquela idade, ainda não sabia que era suposto pedir autorização ou esper...

Das Travessias

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Estou a tentar melhorar. Estou a tentar ter maior consciência dos meus processos internos, dos meus traumas, das minhas dores. Mas nada é imediato e eu ainda anseio que tudo se processe quase que por milagre e de forma imediata. A minha mente tenta resistir a certos padrões. Apercebo-me disto. Mas há um espaço ainda grande que medeia a consciência e a mudança do hábito. E a verdade é que isto me deixa esgotada. O problema e a cura. As obsessões e as compulsões cansam-me. Tentar lutar contra elas, cansa-me. O trabalho tem vindo a tornar-se num problema, quando durante muito tempo não o foi. E agora é um problema a juntar a outros. O que não funciona, não funciona. O que parecia funcionar, parece não funcionar mais, e sinto um peso enorme nas minhas costas. Os momentos de ansiedade são frequentes, intercalados por breves instantes de alguma calmaria. Talvez esteja a complicar o simples, a dramatizar em demasia, a aumentar problemas menores. Mas esta é a minha perspetiva do que me ro...

Vivendo com POC e ansiedade - 1

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Creio que nunca escrevi sobre este tema. Não é confortável para mim. Poucas pessoas sabem e pouquíssimas das poucas que sabem, entenderão realmente o que eu vivo e como vivo. Os comportamentos ditos "estranhos" começaram quando eu ainda era uma adolescente. A memória mais antiga que tenho leva-me para o 6.º ano de escolaridade pelo que, na altura, teria cerca de 11/12 anos.   O diagnóstico de "Perturbação Obsessiva-Compulsiva" viria muito mais tarde. Nessa altura eu achava apenas que era uma pessoa estranha, única na estranheza, com comportamentos estranhos. Ninguém poderia entender. A minha perturbação sempre esteve associada muito ao medo de perder as pessoas de quem gosto. Nunca consegui encaixar o conceito de morte e quando o ouvi, anos antes, a tristeza foi acompanhada de uma profunda incompreensão. Este medo foi-se fortalecendo. Os meus rituais eram disfarçados, escondidos, salvo raros momentos em que era observada por colegas minhas que esboçavam um sorri...

A verdade desconfortável

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O caminho é solitário e por vezes gostaria que não fosse. Aprendi a ouvir a voz do silêncio mas ainda não consigo ouvir a voz dos homens. Há dias em que lamento isso. Recolhi-me tanto na minha concha, que o exterior tem contornos que me chegam a aterrorizar. Tenho medo de ter tocado num extremo e não conseguir voltar a centrar-me. Ontem foi difícil. Por ninharias que seriam ignoradas por todos. Apelo à razão e bom senso mas, por vezes, falham ambas. A Bessa questionava-me ontem se desde esta minha busca por Deus, não me sentia mais desafiada. Sim, sinto. É uma verdade desconfortável. Percebo porque há quem desista. Percebo porque há quem prefira aquela espiritualidade moderna. Mas não há como voltar atrás. Não dá para florear o que é feito de espinhos. Não dá para escolher o caminho mais fácil só porque ele é mais fácil. O facilitismo não pode ser um critério. Mas custa...

Quando as sombras me piscam o olho

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Entre várias dificuldades que tenho, identifico estas duas. Dificuldade em parar e dificuldade em perceber qual a medida certa das coisas. Na minha prática desportiva, que constitui uma parte tão importante de quem eu sou, debato-me frequentemente com estas duas questões. Sinto que uso a atividade física como forma de me evidenciar. Ridículo quiçá, mas tem sido esta a única esfera onde reconheço e encontro a minha força. Fora dela, sinto-me demasiado vulnerável para gostar do que vejo em mim. Fui assim no ashtanga. Continuo assim agora noutros círculos. Sempre em exigência, sempre a puxar pelo corpo mesmo que me doa. Hoje enquanto me debatia, e por fim me autorizei a ir diretamente para casa, apercebi-me que há algo em mim que imagina outro alguém a ver-me. Imagino espectadores da minha destreza física a preencheram as minhas lacunas e vazios emocionais. Mas é uma completa ilusão. Não há ninguém a ver-me, a não ser eu mesma (e mal). Ninguém espera nada de mim. Para quem não gosta...

Não vou fugir hoje. Irei para a casa.

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Tenho-me sentido ansiosa nos últimos dias. Habitualmente, a caminhada é o meu maior e melhor remédio. Mas, de alguma forma, também é uma fuga. O tardar a chegar a casa, o evitar os momentos noturnos em que, frente à TV, penso na minha vida. Não vou fugir hoje. Irei para a casa. Desmontar, finalmente, a árvore de natal que ainda se encontra no escritório quando estamos quase em final de fevereiro. Aspirar a carpete da minha sala. Escovar os panos que protegem o meu sofá. Fazer a cama. Acender um incenso. E depois sentar-me a ler. Tenho medo de sentir mas não posso fugir mais. Por outro lado, o medo faz-me regressar a algo. Que será? Próxima proposta de leitura:

Subir e descer na serra e na vida - #Castelo dos Mouros

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Ontem arrastei-me para fora de casa. Tenho notado uma quebra de energia aos fins-de-semana. Talvez seja o frio que não convida a passeios. Mas no Domingo lá me forcei a fazer um percurso que já estava na minha lista de desejos há muito tempo. Subi pela Serra de Sintra em direção ao Castelo dos Mouros. Não me imagino a ir lá novamente tão cedo 😄 Cheguei cansadíssima, a deitar os bofes pela boca. Mas valeu a pena. A vista é magnífica. Do alto avista-se o mar ao longe e o Palácio de Sintra em baixo.  Da Torre Real, na mesma linha de horizonte, o Palácio da Pena impõe-se na sua grandiosidade. Subi pelas escadas em pedra da muralha, a lutar contra as vertigens e a lutar contra outra espécie de sentimentos. "- Não consegues estar bem com os outros se não estiveres bem contigo mesma. Mas agora que estás bem contigo mesma, consegues estar bem com os outros?" Up's!! Fui apanhada na curva. Talvez este tipo de pensamento não seja o ideal para um passeio de Domingo mas não dá para c...

Remoinho

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Não sei quem sou. Sou completamente ignorante no que diz respeito ao ser que me habita. Quando o vejo à espreita, não o encaro. Quando este ser estranho quer chorar, critico-o severamente. Quando quer sentir, bloqueio-o automaticamente. E ele acobarda-se temeroso com o peso do meu chicote mental.                                                                              Reconheço as artimanhas nas quais me coloco a mim                                                                        ...

Ziguezagues mentais

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Há um silêncio que se instala numa sala despojada de gente. Os dedos vão correndo as teclas que lançam letras que formam palavras que formam frases. Obedecem, ou parecem obedecer, ao que a mente dita, mas a mente não está certa de que esteja a ditar alguma coisa. A luz natural ilumina o espaço exterior. Mas o que iluminará o espaço interior, as cavidades da alma onde se guardam os segredos mais profundos? O barulho do ar condicionado e do avião que sobrevoa os céus vão, entretanto, cortando o silêncio. Já não há ausência plena de barulhos. Os ouvidos já captam algo que, contudo, pouca ou nenhuma importância terão para a história em causa. Há algo mais importante para ser ouvido. O coração a bater, a vida a correr nas veias. Mas e se tão somente ela conseguisse prestar-lhes a devida atenção sem medos! A sala, outrora a sala que era apenas despojada de gente, vira uma prisão sem grades. Ela enterra-se na cadeira, inerte, sem planos. "Sou, não sou... Sou, não sou... Sou, não sou......

Ano Novo

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Uma amiga minha testou positivo para a C*v*d. Não era assim que eu imaginava começar um post no primeiro dia do ano, mas resolvia fazê-lo porque sinto que é importante. Como já tinha referido antes, não estou com espírito natalício. Passei a passagem de ano deitada a ouvir os foguetes ao longe e a música pimba que a vizinha do andar de baixo tinha colocado em altos berros. Não foram dias fáceis. Por mais forte que eu queira ser e por maior que seja a gratidão que eu anseio por mostrar, não foram dias fáceis. Não tenho de estar sempre bem. Não tenho de fingir. Não tenho de me enganar. Não sei o que desejo realmente. Hoje no carro, após uma breve passagem pelo único café aberto que eu e os meus pais encontramos, dei por mim a questionar-me sobre o que realmente pretendo da vida. Veio-me à mente a imagem de um monge, em posição de lótus, a meditar. Quero aquela paz que os monges aparentam ter. Quero um silêncio consciente, mas não quero uma solidão que, em plena consciência, eu sei...

Vista de outra forma

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Ontem tirei um dia de férias. Nada correu como tinha planeado. Acabei por ficar por casa, entre limpezas, vídeos de filosofia e sestas acompanhadas pelas gatas.  Foi um dia perfeito apesar de, aparentemente, parecer pouco produtivo. A minha melhor amiga comentava comigo: "há quem goste de ir às compras, tu preferes alimentar a alma." Parece-me que sim! Tenho de assumir, se não a todos, pelo menos a mim mesma, de que estava ansiosa e talvez por isso tenha procurado palavras que obrigassem o meu cérebro a transmitir outro tipo de informação ao resto do corpo. Os meus medos mais antigos permanecem. Medo da perda, medo da ausência, medo do próprio medo. Apesar de me ter tornando numa pessoa bastante autónoma, de ter trabalhado o tal desapego emocional, ainda resistem pontas soltas, imensas pontas soltas a moerem-me os calcanhares. Hoje, a caminho de Lisboa, fui transportada para a minha primeira vinda prolongada à capital. Há 21 anos comecei os meus estudos universitários e mudei...

Lua Cheia em Capricórnio

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Hoje a lua cheia ocorre no signo de capricórnio. O seu regente Saturno - meu regente de alma - traz-me sempre receio, ainda que tenha aprendido a aceitá-lo bem como ao seu aprendizado. Passaram cerca de 13 meses desde que a Covid 19 chegou, oficialmente, a Portugal. Passado esse tempo, o #vaificartudobem já não faz qualquer sentido. Não vai ficar tudo bem.  Vejo com apreensão o que se está a passar no mundo e sinto que a realidade em que vivi, até 2019, já não mais voltará a existir. A história é cíclica, repete-se e receio que estejamos a entregar de mãos beijadas a pouca liberdade que tínhamos. Se sou louca ao afirmá-lo, confesso desde já que não me assusta ser louca, assusta-me estar certa. P.S. Imagem retirada da net

Diabo

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Se procuras o teu maior inimigo, aquele que mais te limita, te sabota, te aprisiona a medos, vícios e inverdades, olha-te no espelho. É curioso que astrologicamente a lâmina do Diabo – palavra que vem do grego “diablos”, adversário - esteja associada ao signo de Capricórnio, e o seu regente – Saturno – à carta do Mundo. O Mundo é a coroação, “final” da caminhada em que recebemos as recompensas pelos esforços e trabalhos empreendidos. O ser ganhou consciência porque trabalhou em si mesmo e responsabilizou-se por si mesmo (algo tão saturnino). Mas para chegar aqui muita da nossa organização e arrumação interna terá de ser revista. Algumas estruturas terão necessariamente de ruir até à base para darem origem a novos sistemas mais equilibrados (A Torre). De outras, nem a base se aproveitará porque já não terão espaço para coabitar dentro de nós. Para perceber o que já não tem ou não deve ter espaço em nós é preciso parar e olhar. Para onde? Para nós mesmos! E para dentro. Sempre pa...

Agosto

Chegámos a Agosto, o tempo quente, momento das férias e do trânsito mais calmo em Lisboa. Este ano há menos pessoas nas ruas e muito menos interação. É um tempo de paragem, apanágio de 2020. Tenho lido algumas notas astrológicas sobre este período, mas pouco ou nada me suscitam interesse. Diz-se muito do mesmo. Às vezes gostaria que parássemos todos de procurar explicações para o que nos acontece e que nos limitássemos a estar e a ser. Neste momento não me apetece rigorosamente nada, nem pretendo nada. Desliguei-me do que foi e em relação ao futuro, parece-me que não é a altura de me preocupar com isso. Ontem enquanto caminhava pela Av. Infante Santo – avenida relativamente sossegada, com algumas poucas pessoas nas esplanadas -, senti que algo nos abandonou. Não falo de uma pessoa, de um Deus, de uma energia… Falo de um tempo que findou e de uma história que terá de ser reescrita, lentamente, pelas mãos de todos nós à custa das nossas próprias desconstruções. E isso assusta-me um...

Medida certa

Já abordei este tema diversas vezes – a medida certa. Qual a medida certa da impulsividade, da honestidade, da frontalidade, da sinceridade? Já fui aquela pessoa que se calava para impedir o conflito, ou para evitar sentir que estava a cobrar algo a alguém. Mas também já fui o inverso. Já me achei no direito de expressar a minha verdade doesse a quem doesse. Não quero conflitos. Não quero cobranças. Não quero impor a minha verdade aos outros. Mas calar a voz, omitir que certas atitudes nos magoam, desculpabilizar constantemente algo com o qual não concordamos, também não é a solução. Ainda não sei bem como é que isso se faz. Lembro-me da imagem que alguém me transmitiu um dia, a de uma aparelhagem de som. O volume deve ser adequado ao momento. À tarde é aceitável ouvir algo a bom som. À noite, horas dedicadas ao sono e descanso, os vizinhos podem não achar muita piada. Cabe-nos a nós perceber ou trabalhar sobre esse entendimento quando o entendimento ainda não é claro. Subo o...

Viagem

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Fecho os olhos. Acedo ao meu íntimo, vasculho nas profundezas do meu ser. Pego num pequenino barco a remos com uma lanterna pendurada na extremidade e sigo pelo rio das veias. Ao longe chegam-me vozes como ecos de palavras ditas por mim há anos e que agora regressam aos meus ouvidos. Há lodo encrostado nas paredes, mas também tímidos fachos de luz a quererem irromper como rebentos. O coração bate como um tambor a marcar o ritmo da viagem. Oiço-o a bater dentro de mim. Oiço-o a bater fora de mim. Forte, confiante. Grita-me do centro do peito: "- É para sentir tudo, sem medos!" Obedeço-me e sinto… tudo.

Monstro

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O monstro tem cerca de um metro e meio de altura. Se ele mostrasse os dentes, veriam como estão tortos como pilhas de madeira mal equilibradas. Ser um monstro é uma m$%&$# porque uma panóplia de características lhe são atribuídas pelo simples facto de ter o nome que tem. É verdade que ruge como um animal ferido e enxota as criancinhas como se fossem moscas. Não é propriamente bonito e todo o seu comportamento e forma de falar afasta mais do que aproxima. Comportamentos habituais geram consequências habituais! Mas se a dor toca a todos, por que não entender que também o monstro tem a sua quota parte? E talvez só o amor de uma criança possa curar o coração partido de um monstro que teve de crescer rápido demais. Umm… acho que quero abraçar o meu monstro <3

Caminhada a três

Para entender o momento presente é preciso entender a origem, e para entender a origem é preciso recorrer à memória. Quando penso no que passou, quando as lembranças começam a vir à tona, abano a cabeça para as afastar. É intuitivo. É a primeira reação. Como uma criança que se esconde debaixo dos lençóis para não dar de caras com o monstro papão que habita no seu imaginário. Percebem a contradição? Se é imaginário, está dentro dela, não fora dela. Estando dentro dela, mesmo que ela se esconda, ele continua lá. Chamo então essa criança, essa menina, a minha menina interior. E chamo o monstro papão, que habita nela. Sendo ela eu, ele também habita em mim. Vamos caminhar os três, com uma distância considerável, servindo eu de mediadora. A caminhada não é por isso solitária. Há um acompanhamento interior. O mundo fica para trás, o caos e o medo.  Ela diz então, timidamente: - "Não gostam de mim. Não sirvo. Não sou suficiente. Não mereço o amor. Não mereço ser amada. Eu sou a menin...

Quarto escuro

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Fevereiro é um mês tenso para mim. Junho é um mês de encontro. Agosto é um mês de confronto. E o resto do ano de autêntico recolhimento. Cada mês do ano serve no entanto, e apesar das características próprias, para me conhecer e conhecer o meu quarto escuro, aquele quarto de gladiadores mentais. Resolvi escrever sobre isto num esforço de superação porque desejo que qualquer tensão me sirva para resolver questões e não para me bloquear num enredo complexo demais. Sei de onde vem o conflito. Sei quais os gatilhos. Sei o que me desperta para um escorrega de confronto. O convite ideal é mergulhar nesse lodo mas ter todo o cuidado para não me afogar. Também é certo que posso limitar-me a fugir. Já o fiz. Já tentei. Não resultou. O que não resolvemos, persegue-nos. Ok. Não fujo mais. Sou uma pessoa conflituosa. Nem sempre manifesto isto exteriormente. O meu vulcão rebenta por dentro. Aprendi com o tempo a colocar um sorriso amarelo enquanto a lava ia escorrendo pelas minhas ve...

Vento

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Deixa-te ir não como quem se rende, mas como alguém que aprendeu a confiar.