Mensagens

A mostrar mensagens com a etiqueta ciclos

"Deixa ir!"

Imagem
Revivo as minhas emoções de acordo com o meu ciclo interno, em constante oscilação entre expansão e retração. Vou-me conhecendo melhor e identifico estas minhas fases. Identificando-as preparo-me para o que vem.  Já percebi que em determinados momentos faço sempre isto ou sempre aquilo, reajo desta ou daquela forma. Ontem, enquanto me aninhava entre os lençóis, desafiei-me a fazer diferente. Há sempre uma frase que me acompanha: "Deixa ir!" Se bem que haja neste deixar ir a impossibilidade - provisória, desejo eu - de deixar ir a própria necessidade do "deixar ir", quero acreditar que um dia não terei sequer de me debater com as velhas questões do passado porque terei, entretanto, superado.  A verdade é esta. Eu quero mesmo deixar ir certas coisas. Não é fácil, porém. Os meus sonhos trazem-me o passado. Fazem-me relembrar. A mágoa ainda existe e sei que, no fim de contas, todo este meu repúdio pela "pseudo-espiritualidade" tem origem num passado muito mal ...

"(...) divórcio da humanidade" // Milan Kundera (1929-2023)

Imagem
"Ainda tenho nos olhos a imagem de Tereza sentada num tronco, a afagar a cabeça de Karenine e a meditar no fracasso da humanidade. Ao mesmo tempo, aparece-me outra imagem: a de Nietzsche a sair de um hotel de Turim. Vê um cocheiro a vergastar um cavalo. Chega-se ao pé do cavalo e, sob o olhar do cocheiro, abraça-se à sua cabeça e desata a chora. A cena passava-se em 1889 e Nietzsche, também ele, já se encontrava muito longe dos homens. Ou, por outras palavras, foi precisamente nesse momento que a sua doença mental de declarou. Mas, na minha opinião, é justamente isso que reveste o seu gesto de um profundo significado. Nietzsche foi pedir o perdão por Descartes ao cavalo. A sua loucura (e, portanto, o seu divórcio da humanidade) começa no instante em que se põe a chorar abraçado ao cavalo." A Insustentável Leveza do Ser

Outsider

Imagem
Enganei-me e engano-me em muita coisa. Sou orgulhosa e arrogante. Dei-me conta disso nos últimos dias. Anseio pelo reconhecimento mesmo quando acho que não preciso. Analisei as minhas mais recentes reacções e tornou-se claro para mim. Talvez por isso eu fuja tanto das pessoas. Na solidão os meus defeitos não são tão notórios porque movimento-me num palco feito de monólogos. Trabalho a solo . Não é o ideal e sei que no fundo eu quero dar de mim, quero entregar-me, quero estar presente. A minha sobrinha - e nisso as crianças são fantásticas - mostra-me isso mesmo em mim. Mas eu desconfio mais do que confio. E ainda que querendo estar em presença, é mais comum a minha ausência.  A mudança nas minhas crenças ainda me tornou mais solitária porque agora já nem me identifico com as palavras que vou encontrando no mundo esotérico. Retirei-me desse mundo e, vendo-o de fora, deixei de compreender a sua linguagem. Estranho não é? É como se, de repente, falassem numa língua estrangeira que eu ...