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Viagens

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Tenho vontade de escrever, deixar que os meus dedos produzam as palavras necessárias. Mas, a bem da verdade, não sei quais são as palavras necessárias e não me apetece muito falar/descrever o meu dia-a-dia. [[Esta foi a semana em que o Hamas atacou Israel, um assunto que merece e tem merecido profunda reflexão mas que não me apetece partilhar.]] A nível bastante pessoal tomei duas decisões. Saí da rede social Facebook, o que para mim é uma enorme conquista. Por outro lado, entendi por fim que o Parque da Bela Vista pode bem ser o espaço ideal para mergulhar mais profundamente em mim. Não quero explicar melhor do que isto. É um caminho de passagem essencial... A par disto, fico feliz por ter descoberto uma escritora polaca fantástica que traz uma escrita que muito me encanta. Ela leva-me a passear, a caminhar pelas suas Viagens e é com um excerto das suas viagens que quero terminar este post: “Regressou por caminhos sinuosos, por mares periféricos, pelos mais apertados estreitos e pelas...

Um dia partiremos. Até lá quero caminhar até que me seja impossível fazê-lo.

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Um dia partiremos. Até lá quero caminhar até que me seja impossível fazê-lo. Quero maravilhar-me com tudo o que vejo. Quero regozijar com o pôr-do-sol. Quero saborear um bolo com creme e saciar a sede com uma mini. Quero atravessar as ruas da velha cidade, as casas moribundas e as novas construções. Quero deter-me junto das escolas, ver os rostos das crianças e recordar que também eu fui uma em tempos. Quero sentir a minha paz e perceber que preciso de muito pouco para ser feliz.

Ziguezagues mentais

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Há um silêncio que se instala numa sala despojada de gente. Os dedos vão correndo as teclas que lançam letras que formam palavras que formam frases. Obedecem, ou parecem obedecer, ao que a mente dita, mas a mente não está certa de que esteja a ditar alguma coisa. A luz natural ilumina o espaço exterior. Mas o que iluminará o espaço interior, as cavidades da alma onde se guardam os segredos mais profundos? O barulho do ar condicionado e do avião que sobrevoa os céus vão, entretanto, cortando o silêncio. Já não há ausência plena de barulhos. Os ouvidos já captam algo que, contudo, pouca ou nenhuma importância terão para a história em causa. Há algo mais importante para ser ouvido. O coração a bater, a vida a correr nas veias. Mas e se tão somente ela conseguisse prestar-lhes a devida atenção sem medos! A sala, outrora a sala que era apenas despojada de gente, vira uma prisão sem grades. Ela enterra-se na cadeira, inerte, sem planos. "Sou, não sou... Sou, não sou... Sou, não sou......

Reflexões matinais

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Procuro palavras, novas figuras de estilo, nova ligação entre orações. Elas não me vêm facilmente, não para além da forma como eu por norma escrevo. Se isso é relevante? Pouco ou nada. Mas ocupar-me destas pequenas coisas, distrai-me de outras. Não que viva demasiado absorvida pelo mundo... Ou pelo menos, tenho-me esforçado por isso. Nestas últimas semanas aprendi imensas coisas, sobretudo sobre mim mesma. Entre livros que leio, encontros com pessoas que me trazem mensagens, meditações e muita introspeção, tenho descoberto um pouco mais à medida que os pequenos insights clicam na minha mente ou a minha intuição (a quem eu vou dando liberdade) se permite a fazer o seu trabalho: intuir. Isto é verdadeiramente fantástico!!! Recordo-me de, há alguns anos, ter escrito neste blog um post sobre o acto de subir à montanha. Subir à montanha, pode ser literal ou simbólico. A nível simbólico significa distanciarmo-nos dos nossos dramas e dores, e olharmo-nos como se  nos estivéssemos a ver de...

Rascunhos

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Sempre gostei de escrever, desde menina. Achava que tinha talento, talvez incompreendido por muitos. Recebia elogios da minha família, os meus poucos leitores, que se riam imenso com as minhas descrições pré-adolescência.  Quando vim para Lisboa aos 18 anos, para a Faculdade, perdi o gosto, a vontade e o qualquer talento que eu achava residir em mim. Com o tempo voltou.... Algum gosto, alguma vontade mas pouca capacidade.  Quando escrevemos para nós mesmos há uma genuinidade que acabamos por perder quando partilhamos com o mundo. Há momentos em que o mundo se torna tão assustador que temos medo de lhe mostrar o que nos vai na alma. E depois há dias em que sentimos que simplesmente não vale a pena. Estou à procura desse tempo em que eu era "genuína" para aí encontrar algo que achava ter e que considero ter perdido. Percebo a ironia! Passei anos a desdenhar do meu passado mas agora peço-lhe a ele - a esse passado onde encontrei tantas falhas - para me ajudar a recuperar algo qu...

Confidências

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Tenho vindo a deixar que o pior de mim venha à superfície e, honestamente, sinto-me bem de cada vez que o faço. Há uma voz tímida, quase inaudível, que me aconselha a não o fazer, mas não a oiço e não a aceito. Se acumulei karma bom, queimei-o todo. E não lamento. Sei que é um estado de espírito e, como todos os estados de espírito, passará. Até lá alimento-me da mágoa até ao sufoco. Há momentos na vida em que fazemos escolhas deste género quando o tumulto interior é demasiadamente forte para que as nossas estruturas mental e emocional consigam passar incólumes.  Há tanto que não digo mas sinto. Há tanto que não digo mas penso. Há tanto que não digo mas dói até aos recônditos da alma. E há tanto que, ao não ser dito, fica por dizer. É irónico como, apesar de adorar as palavras, tenho uma enorme dificuldade em dizê-las e o tempo certo para as dizer parece que nunca chega e quando as digo o tempo já não é o certo. Há uma dissonância e a vontade não acompanha o ac...

Palavras

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Procuro a minha voz, a minha expressão no meio das frases a que vou dando vida. Quanto era miúda gostava de escrever sem pensar muito no que escrevia. Acreditava que a beleza estaria no fluir e, logo, não podia estar dependente de remoinhos mentais. Ao longo dos anos tenho procurado redefinir-me nesse encontro com as palavras, mas ainda sem certezas de onde me sentirei eu mesma. Há arte da escrita, mas sei que não o domino. Isso não me atormenta, porém. As catarses são necessárias para irem limpando a alma e grande é o conforto que encontro sempre que entro neste mundo de letras e, por instantes, deixo o caos da realidade. Faço-o hoje. Faço-o uma vez mais na esperança de que a minha mente não quebre nem ceda à incerteza e moldo assim os alicerces que sustentam o meu discernimento.