Tempo
Saí por uns breves instantes. Sentei-me num banco do jardim frente ao rio. O tempo parou. Todas as minhas resoluções para este ano estão em stand by. O futuro é incerto, mas é certo que incerto ele sempre foi. Não era suposto escrever mais, talvez como gostaria de não sentir mais. Mas escrevo e sinto e desiludo-me e desiludo. O preço a pagar por querer ser genuinamente EU MESMA é por vezes demasiado elevado. Pergunto-me se vale a pena, mas já sei a resposta. Sim, vale a pena! Vale a pena vivermos de acordo com a nossa essência, com coragem e determinação e amarmos todas as partes do nosso ser que, em comunhão, constituem quem somos. Não é fácil, porém. A quarentena forçada parece isolar-me do mundo, sem permissão para estender os meus braços. Falta-me o ar. Falta-me vontade. Falta-me alegria. E há momentos em que essa falta me é tão desconfortável que me recolho voluntariamente só para não lidar com as ausências. São os refúgios dentre dos refúgios; esconder a cabeça debaixo ...