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Porque a Vida é isto...

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Os últimos tempos têm sido desafiantes. Emocionalmente tenho sentido um vazio enorme. Se antes procurava e conseguia preencher os dias ignorando grande parte das minhas emoções, hoje é muito mais difícil fazê-lo. Reconheço que talvez isto seja uma coisa boa porque leva-me a não fingir, nem contrariar o que brota do meu peito. Apesar de considerar que sou uma pessoa optimista não quero forçar um optimismo que desvie a minha atenção das partes que em mim ainda precisam de luz. A minha fé em Deus mantem-se ainda que, nem sempre, eu queira falar com Ele. Há dias em que só quero enrolar-me nos cobertores, baixar as persianas e deixar que as lágrimas venham. Não é propriamente tristeza que eu sinto, mas um profundo desajustamento. Quero encontrar o meu lugar no mundo, mas é-me tão difícil encaixar. Sinto-me sozinha, mas não quero companhia. Acho que sinto falta de um abraço sincero, de alguém me perguntar como eu estou, sem que daí advenha todo um discurso sobre os problemas alheios. Amigos ...

Dos sonhos

Tive um sonho esta noite. Tentei escrever sobre este sonho, mas não consigo. Não consigo registar toda a intensidade do que senti e, muito honestamente, não o quero fazer.  Ficará na minha mente e no meu coração. Que a cura ainda seja possível e que o (auto)perdão se torne numa realidade! Levo o sonho comigo, no meu cofre interior onde guardo o que de mais precioso tenho.

Não vou fugir hoje. Irei para a casa.

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Tenho-me sentido ansiosa nos últimos dias. Habitualmente, a caminhada é o meu maior e melhor remédio. Mas, de alguma forma, também é uma fuga. O tardar a chegar a casa, o evitar os momentos noturnos em que, frente à TV, penso na minha vida. Não vou fugir hoje. Irei para a casa. Desmontar, finalmente, a árvore de natal que ainda se encontra no escritório quando estamos quase em final de fevereiro. Aspirar a carpete da minha sala. Escovar os panos que protegem o meu sofá. Fazer a cama. Acender um incenso. E depois sentar-me a ler. Tenho medo de sentir mas não posso fugir mais. Por outro lado, o medo faz-me regressar a algo. Que será? Próxima proposta de leitura:

Pelos Trilhos de VFXIRA

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Ontem foi dia de Carnaval. Após o teletrabalho de manhã, e estando dispensada de trabalhar à tarde, resolvi aventurar-me pela encosta que vai de Vila Franca de Xira até ao Miradouro de Monte Gordo. Durante o confinamento tinha feito o percurso de carro que significa contornar o monte e subir depois pelo Caminho do Miradouro de Monte Gordo, íngreme mas alcatroado, o que é uma benesse. Tinha lido, contudo, que era possível percorrer o trilho por dentro, a pé. Percebi que o início seria algures pela velha Pedreira, onde já tinha estado, e assim foi. Na minha lógica bastante simples tratava-se de apenas subir ou descer pelo que não poderia ser muito difícil certo? Errado. Encontrei o trilho mas a dada altura devo-me ter enganado. Quando dei por mim estava entre ramos, silvas e espinhos que me dificultavam a passagem. Perdi-me no meio de uma vegetação densa. Sossegou-me o facto de ainda ser de dia e de conseguir ouvir os carros a circularem perto. Acho que nunca me aventurei tanto no meio d...

Subir e descer na serra e na vida - #Castelo dos Mouros

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Ontem arrastei-me para fora de casa. Tenho notado uma quebra de energia aos fins-de-semana. Talvez seja o frio que não convida a passeios. Mas no Domingo lá me forcei a fazer um percurso que já estava na minha lista de desejos há muito tempo. Subi pela Serra de Sintra em direção ao Castelo dos Mouros. Não me imagino a ir lá novamente tão cedo 😄 Cheguei cansadíssima, a deitar os bofes pela boca. Mas valeu a pena. A vista é magnífica. Do alto avista-se o mar ao longe e o Palácio de Sintra em baixo.  Da Torre Real, na mesma linha de horizonte, o Palácio da Pena impõe-se na sua grandiosidade. Subi pelas escadas em pedra da muralha, a lutar contra as vertigens e a lutar contra outra espécie de sentimentos. "- Não consegues estar bem com os outros se não estiveres bem contigo mesma. Mas agora que estás bem contigo mesma, consegues estar bem com os outros?" Up's!! Fui apanhada na curva. Talvez este tipo de pensamento não seja o ideal para um passeio de Domingo mas não dá para c...

Estados de espírito

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Não pretendo que o meu blog se torne no muro das lamentações, por isso reconheço em mim uma certa dificuldade em falar em demasia sobre os momentos que me são mais difíceis. Reconheço, contudo, que é aqui neste espaço perdido da blogosfera em que me sinto mais à vontade para falar sobre o que sinto e o que penso. A última semana tem sido desafiante. Não aconteceu nada de especial mas emocionalmente sinto-me triste e fisicamente sinto-me exausta. Na quarta-feira, a trepar pelo "tecido vertical", sentia dores horríveis nos músculos, uma ausência de força e em dois momentos tive de pedir ao professor que me ajudasse a descer. Resisto a parar porque nos últimos anos desenvolvi a teoria de que só tenho valor pessoal se estiver a fazer coisas. É uma teoria falaciosa mas ganhou raízes fundas. Parar é como se me retirasse valor, mérito e direito de cá andar. Mas tive de ceder. A minha cama é o local mais confortável. O sono profundo é o meu momento de descanso. Penso em demasia. Sint...

"Isto também passará!"

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"Isto também passará!" Já ouviram esta frase? Conta a história que... e poderão encontrá-la aqui:   Isto também passará . Li este texto há uns anos. Não consigo precisar exatamente quando, se foi antes de 2020 ou depois de 2020. 2020 é um marco importante na minha vida, como foi 2014. Por ser mais velha, mais resistente 😅, aguentei os embates de outra forma. Aguentei-me! O meu barco não naufragou, mas sem dúvida que 2020 pertence à lista de marcos pessoais que separam um antes e um depois. Antes-de-Lídia e Depois-de-Lídia. E neste depois de Lídia que se vem prolongando desde 2020, recordo então esta frase:  "Isto também passará!"  Soube hoje, através do facebook, que um antigo colega de faculdade faleceu. A partida dele, e apesar de não lhe ser próxima, reforça em mim a consciência da perecidade da vida e de como estamos de passagem. Tudo o que for bom terá um término. Tudo o que for mau terá um término. Nem a nossa felicidade nem os nossos dramas serão eternos. Ne...

Dos corações frios

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O ser humano é adaptável. Aprendemos com o tempo a resistir, a subsistir. Já passei por momentos bem difíceis na minha vida e hoje, perante situações parecidas, reajo com maior calma e serenidade. Quando me vejo, quando sinto o meu coração no peito a bater, digo-lhe em voz baixa: "Não chores que não vale a pena." Ele tem sido obediente. Se partilhasse isto com alguém, penso que me iriam dizer que esta não é a forma certa de lidar com a dor, mas eu não conheço outra. Quando digo que há coisas que não me doem, falo com sinceridade porque parece-me que o "cordão umbilical" que unia a minha mente ao meu coração foi desconectado e atualmente um tem muito mais preponderância do que outro. Se acredito que ainda irei ter o que desejava? Honestamente, não. Uma vez que abandonei as tais ideias de poder da mente e da vibração, não me dou sequer ao trabalho de escolher criteriosamente as palavras que vou usar. Não, não acredito. Não é perda de fé mas inexistência de experiência...

Remoinho

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Não sei quem sou. Sou completamente ignorante no que diz respeito ao ser que me habita. Quando o vejo à espreita, não o encaro. Quando este ser estranho quer chorar, critico-o severamente. Quando quer sentir, bloqueio-o automaticamente. E ele acobarda-se temeroso com o peso do meu chicote mental.                                                                              Reconheço as artimanhas nas quais me coloco a mim                                                                        ...

(Des)controlo

Sou uma pessoa que gosta de ter o controlo em todas as situações. As minhas emoções são diariamente armazenadas nas devidas gavetas. Não digo isto com nenhuma ponta de orgulho. Mensalmente, há um momento em que entro numa espiral descendente. Tudo o que retenho, bloqueio, nego, escondo, acaba por vir à superfície. Por mais difícil que isto seja para mim, e é bastante, permito-me a viver esse descalabro, permito-me a chorar, permito-me a sentir raiva, mágoa e tristeza. Trabalhar na cura implica que consigamos primeiro reconhecer o que é necessário que seja curado. Não é fácil fazer esse processo de identificação, não é fácil reconhecermos que sentimos dor, que há situações que nos causam uma dor profunda. Já repararam como isso nos exige um olhar atento ao lado escuro da nossa alma, onde guardamos mazelas emocionais e outras tantas coisas que, não sendo necessariamente más, habituamo-nos a denominá-las de erros, pecados ou proibições?  Estou nesse momento de tensão. Choro enquanto m...

Ziguezagues mentais

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Há um silêncio que se instala numa sala despojada de gente. Os dedos vão correndo as teclas que lançam letras que formam palavras que formam frases. Obedecem, ou parecem obedecer, ao que a mente dita, mas a mente não está certa de que esteja a ditar alguma coisa. A luz natural ilumina o espaço exterior. Mas o que iluminará o espaço interior, as cavidades da alma onde se guardam os segredos mais profundos? O barulho do ar condicionado e do avião que sobrevoa os céus vão, entretanto, cortando o silêncio. Já não há ausência plena de barulhos. Os ouvidos já captam algo que, contudo, pouca ou nenhuma importância terão para a história em causa. Há algo mais importante para ser ouvido. O coração a bater, a vida a correr nas veias. Mas e se tão somente ela conseguisse prestar-lhes a devida atenção sem medos! A sala, outrora a sala que era apenas despojada de gente, vira uma prisão sem grades. Ela enterra-se na cadeira, inerte, sem planos. "Sou, não sou... Sou, não sou... Sou, não sou......

Ecos

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Ecos da noite! Um quarto de lua a encher! Ela vigia-me, minha Mestre do espaço, guia-me por entre os caminhos que a minha Alma dita. Vou para onde tenho que ir. Vou por onde sou chamada a seguir. Penetro na sombra antes do vislumbre da ténue chama artificial do candeeiro de rua. Os meus passos silenciam-se para que a escuridão comunique os seus segredos. Oiço-os, mas não com os ouvidos. Quando o meu coração aquece, sei que compreendi. Não há palavras! Não há símbolos! Há o sentir o invisível nas fendas do visível, tão mais real é o que sentimos do que o que vemos.

Solstício Inverno

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Celebra-se hoje o solstício de Inverno. Júpiter e Saturno estão juntos em Aquário. Não sei o que é suposto sentir. Se é suposto sequer sentir alguma coisa. Sou defraudada pelas minhas próprias espectativas. Nada que não esteja já habituada. Há um cansaço enorme que me faz recolher a casa e aos meus lençóis antes da hora. O escuro e o silêncio instalam-se e eu desejo ardentemente que o sonho me leve para outro lugar.  Sinto raiva camuflada de mágoa ou mágoa camuflada de raiva. Quanto mais tento eliminá-la(s) mais forte é (são) as suas raízes. Há sentimentos que eu não gosto de sentir, mas sinto-os para meu embaraço, ou não. Por isso repito. Não sei o que é suposto sentir. Talvez não seja isto o ideal. Talvez não seja o que me eleva. Talvez não seja o que faz de mim evoluída. Mas é o que é e é o que há. Talvez disfarce o suficiente para ninguém ver. Ou talvez toda a gente veja e eu, na minha grande ignorância, me julgue capaz de esconder aquilo que o meu rosto revela sem reservas. Ta...

Dói-me

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Dói-me a minha insuficiência. É irrelevante se ela existe ou não. É irrelevante se outros a veem ou não. Para mim é real, intrinsecamente real como um braço ou uma perna. Acho que nunca aprendemos a viver com as nossas limitações. Aprendemos sim a disfarçar, a fazer de conta, a minorar dores. A nossa mente diz que sim e o coração segue arrastado, protegido pela razão que torna tudo muito mais suportável. E abanamos tanto a cabeça em aceitação que passamos a viver numa mentira a que chamamos de verdade.  Há bem pouco tempo, uma das minhas irmãs de caminhada disse-me para deixar cair a armadura e para me autorizar a sentir. A minha mente não quer isso. Ela é paternalista, uma espécie de irmão mais velho em constante controlo daquele elo fraco que bate no meu peito. Mas ao ouvir aquelas palavras, e ao ver o olhar doce e maternal com que ela me as dizia, perguntei-me até que ponto não teria razão e não terei eu andado a fazer-me mais mal do que bem?! Tenho-me permitido, é certo, se bem...

Nada para dizer... Só ouvir... Só sentir...

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Para

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Para! Respira! Dá tempo ao tempo! Dá-te tempo! E nesse tempo vivido a seu tempo… … Vê com olhos de ver. Observa, capta e maravilha-te. … Saboreia novos sabores devagar, devagarinho, pedaço a pedaço, gota a gota. … Ouve novas melodias e deixa que elas te inundam, te preencham, te extasiem. … Sente, toca e delicia-te, pele com pele, coração com coração. Para! A sério, para e contempla o maravilhoso mundo à tua volta. (Foto de quando captei o meu olho)

From within

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I have been driven by fear, remorse, anger and sadness. I have blamed myself for every failure. I have cursed my "bad" luck. But at the end of the day I know that everything happens for a reason. Pain has a unique way of teaching us as we are forced to search inside for the one person we cannot run away from: our true self. Gray Zao painting