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A mostrar mensagens com a etiqueta confissão

Senhor, estou cansada!

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Gostava de ser melhor pessoa. Gostava mesmo. Não para parecer bonito, não para vender essa imagem de mim mesma. Não. Eu sei, ou antes, acredito que o sermos melhores pessoas também nos torna pessoas mais felizes, mais compassivas connosco próprias e empáticas com a dor dos outros. Isso não significa sermos ignorantes ou permissivos, mas sim esforçarmo-nos por deixar o mundo um lugar um pouco melhor pela mudança que deve começar dentro de nós. (De certa forma, um cliché!) Pois bem, eu gostava de ser melhor pessoa, mas não sou. Nas últimas semanas tenho voltado a sentir uma tristeza enorme, uma sensação de despropósito. Sei que a palavra de Deus é um chapéu gigante que me protege das intempéries. Mas às vezes prefiro andar à chuva, porque não tenho força, não tenho vontade, não tenho motivação. Devia ser mais grata por todas as bênçãos que Ele me dá, mas nem sempre consigo. E logo volta a comparação onde eu caio sucessivamente. Tantas vezes acho que já dei um passo à frente só para re...

Vivendo com POC e ansiedade - 1

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Creio que nunca escrevi sobre este tema. Não é confortável para mim. Poucas pessoas sabem e pouquíssimas das poucas que sabem, entenderão realmente o que eu vivo e como vivo. Os comportamentos ditos "estranhos" começaram quando eu ainda era uma adolescente. A memória mais antiga que tenho leva-me para o 6.º ano de escolaridade pelo que, na altura, teria cerca de 11/12 anos.   O diagnóstico de "Perturbação Obsessiva-Compulsiva" viria muito mais tarde. Nessa altura eu achava apenas que era uma pessoa estranha, única na estranheza, com comportamentos estranhos. Ninguém poderia entender. A minha perturbação sempre esteve associada muito ao medo de perder as pessoas de quem gosto. Nunca consegui encaixar o conceito de morte e quando o ouvi, anos antes, a tristeza foi acompanhada de uma profunda incompreensão. Este medo foi-se fortalecendo. Os meus rituais eram disfarçados, escondidos, salvo raros momentos em que era observada por colegas minhas que esboçavam um sorri...

Partilha sobre o caminho

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Nestes últimos dias tenho sobretudo partilhado vídeos com mensagens que me inspiram, mais do que usado as minhas próprias palavras. Viver por Deus parece-me mais natural, mas falar dele não é necessariamente mais fácil. Sinto, por vezes, que fui mais compreendida quando falava sobre a lua, os astros, as energias, a intuição, a verdade particular de cada um, do que agora que assumo perante todos a minha crença num ser superior omnipresente que nos criou, que nos ensina, que nos educa e que nos ama, tal como um bom pai o faria. Entendo que em nome da religião foram cometidas, e ainda são cometidas, atrocidades. Entendo que muita dor foi causada em nome da religião, mas hoje também percebo que uma coisa é a mensagem e outra, muito diferente, são as maçãs podres que constituem uma instituição, seja ela qual for. Se queremos procurar culpados devemos começar sempre por olhar e observar o ser humano. O homem é capaz de realizar as coisas mais fantásticas, mas, na mesma proporção, é capaz d...

Subir e descer na serra e na vida - #Castelo dos Mouros

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Ontem arrastei-me para fora de casa. Tenho notado uma quebra de energia aos fins-de-semana. Talvez seja o frio que não convida a passeios. Mas no Domingo lá me forcei a fazer um percurso que já estava na minha lista de desejos há muito tempo. Subi pela Serra de Sintra em direção ao Castelo dos Mouros. Não me imagino a ir lá novamente tão cedo 😄 Cheguei cansadíssima, a deitar os bofes pela boca. Mas valeu a pena. A vista é magnífica. Do alto avista-se o mar ao longe e o Palácio de Sintra em baixo.  Da Torre Real, na mesma linha de horizonte, o Palácio da Pena impõe-se na sua grandiosidade. Subi pelas escadas em pedra da muralha, a lutar contra as vertigens e a lutar contra outra espécie de sentimentos. "- Não consegues estar bem com os outros se não estiveres bem contigo mesma. Mas agora que estás bem contigo mesma, consegues estar bem com os outros?" Up's!! Fui apanhada na curva. Talvez este tipo de pensamento não seja o ideal para um passeio de Domingo mas não dá para c...

Xadrez

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Ando a aprender xadrez. Coloquei um jogo no telemóvel que me vai recordando da movimentação permitida para cada peça. Já consegui ganhar no nível fácil. Perco sempre no intermédio. Há uns anos um dos meus professores de Filosofia sugeriu aos seus alunos aprenderem a jogar xadrez. Dizia ele que nos fazia bem. O jogo era como a vida que exige estratégia e discernimento. Lembro-me sempre que jogo. Tenho tentado transpor isso para a minha vida. Não sei se tenho sido bem-sucedida e honestamente pouco me importa. Tento talento na arte de ignorar todas as red flags . É como se fossem dramas de novelas mexicanas que já não moem. E quando aprendo a aceitar, aceito. A aceitação traz consigo uma espécie de armadura embutida à prova de mágoas. E no final tudo fica sempre bem apenas porque sim e independentemente do que seja ou como seja, porque existo, sou feita de esperança e, como diria Álvaro de Campos, “tenho em mim todos os sonhos do mundo”.

2020

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Hoje sinto-me bonita. Habitualmente é quando escolho a minha melhor roupa, arranjo o cabelo, maquilho-me e encho-me de esperança… Esperança! Pela milésima vez esperançosa! Misturo-me na multidão e oiço palavras, palavras, troca de palavras, palavras que ainda que numa língua tão familiar, o meu cérebro deixa a dada altura de as processar. Apago[-me]. Se beber uns copos de vinho estou pronta para aguentar tudo, tudo o que dói, tudo o que mói. Por norma é nesses momentos em que já não me sinto bonita, mas já bebi o suficiente para não me importar com isso. Relembro-me então que já estive aqui antes, milésimas de vezes antes... Já vivi isto antes… Já senti isto antes... Já fui o faz de conta.  Já fui uma forma, uma representação. Já fui o riso misturado com o choro e entre gargalhadas já gritei em surdina.  Mas hoje não. Hoje sinto-me bonita e não escolhi a minha melhor roupa. Não me enchi de esperança. O meu copo não tem vinho. Não me defino. Não me dou um nome. ...

Dark Horse

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Repito-me demasiadas vezes. Tudo o que possa escrever hoje, já escrevi antes. Ainda assim... ** Ontem perguntei-me a mim mesma se estava orgulhosa de mim e do que conquistei até este momento. Acho que se perguntasse à Lídia dos 15 anos, talvez ela se sentisse desgostosa. Mas a Lídia dos 37 limita-se a encolher os ombros e a sorrir. Talvez não fosse o que escolheria para si, se pudesse escolher. Ou talvez fosse!... ** Iniciei esta semana umas aulas novas que terminam já tarde. Faço o caminho a pé da escola até Santa Apolónia, passando por Alfama, mesmo junto às Portas do Sol. Está frio e chove. Veem-se alguns estrangeiros e as tascas enchem-se com fãs do futebol. Estranho passar por ali àquela hora, sozinha. E quando penso nisto, percebo que toda a minha vida é estranha e que em nada parece seguir os moldes familiares. Ainda não estou completamente em paz com isso mas, por outro lado, não conseguiria imaginar a minha vida a ser diferente.  Se eu conseguisse silencia...

Palavras

Quero levar pessoas no coração não palavras, por isso digo as palavras mesmo que receba o silêncio.  Quando quase tudo é dito, quase nada fica por dizer.

Lídia

Durante muito tempo lamentei-me pela vida que tinha. Sentia-me presa à pessoa que mais odiava: eu mesma. Detestava tudo em mim. Os meus olhos que veem mal e me obrigavam a usar óculos, o meu cabelo incorrigível, o meu corpo imperfeito, a minha timidez que me calava quando devia falar, ou o péssimo sentido de oportunidade que me fazia falar quando devia estar calada, o meu leão pouco leão com uma faceta de caranguejo que insistia em viver o seu lado mais carente. Não havia ninguém que me tratasse pior do que eu mesma. Não entendia o meu propósito de vida. Não entendia o que andava cá a fazer. Tudo me parecia um castigo, uma punição. Perseguia algo que não sabia o que era e perdia-me numa dor que nem eu tinha a certeza se tinha estatuto de dor. Mendigava atenção e amor e apagava-me em cada entrega ao achar que qualquer coisa que eu tentasse aparentar ser era melhor do que mostrar quem eu era na realidade. Se eu não gostava de mim, como podiam os outros gostar? Mas se eu fosse o...