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Sonhei contigo

Sonhei contigo. Fiquei feliz por te rever. Tinha — e tenho — saudades tuas. Não lamento muito o que disse ou fiz, mas lamento o que não disse. Lamento nunca te ter dito o quão importante eras para mim. Se o tivesse feito, talvez — e apenas talvez — pudesse acrescentar que também é difícil para mim lidar com o facto de seres tão importante. Hoje sei que a ausência se tornou mais confortável do que a presença, porque é à ausência que estou habituada. Sei o que é não quererem estar comigo; a opção inversa ainda me é estranha. Sim, tenho saudades tuas. Muitas. Mas, pelo menos por agora, ainda prefiro que estejas longe. Preciso de me curar, de me resolver por dentro. Preciso de me dar colo. Talvez um dia nos cruzemos novamente. Deixo isso nas mãos de Deus.

Em processo

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Tive hoje consulta de psicologia. A terceira. A primeira deu-me esperança. Na segunda não senti o mesmo ímpeto. Hoje creio que talvez tenha conseguido um certo equilíbrio. Há ideias e emoções minhas com as quais estou familiarizada. Há certos padrões que são reconhecidos. Mas hoje consegui alguns insights que ainda não eram tão óbvios para mim. Foi produtivo. Enquanto estava na sala de espera, a aguardar a minha vez, chamou-me à atenção uma senhora de certa idade a brincar com o neto. A criança ria e a senhora ria a cada gracinha feita por aquele menino pequenino. Por momentos, desejei poder voltar a ser criança. Fazer-me tábua rasa e poder construir uma nova história, uma nova pessoa. Conforme comentei depois com a minha psicóloga, sei que todos nós temos dificuldades de alguma espécie e para cada um de nós os seus desafios são sempre perspectivados com uma certa dose de dificuldade. Não sofro mais do que os outros. Mas estou cansada de fazer esta caminhada. Não estou cansada de exist...

Porque somos feitos de momentos. Talvez as fotos consigam falar aquilo que não me sai pelas pontas dos dedos.

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Ano Novo / Pausa

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O ano começou.  Tenho pouca vontade em escrever. Tenho pouca vontade em tirar e partilhar fotografias. Se os próximos meses forem de ausência minha na blogosfera, não se alarmem. O que não é dito nem visto também transmite mensagens. Se assim for, encararei este meu absentismo com naturalidade e saberei que este tempo que vivo é tão aceitável como outro qualquer.

Finais de Outubro

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A última semana foi de intempéries, incluindo as emocionais. Felizmente, tudo teve resolução e, em véspera de mini-férias, espero poder descansar sem sobressaltos. Cada vez me vou encontrando mais, e quanto mais familiar é o meu mundo interior, mais estranho me parece o mundo exterior.

Aguarda pela tua alma // [Excertos]

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"Se alguém nos pudesse olhar do alto, veria que o mundo está repleto de pessoas que andam apressadas, transpiradas e exaustas e também veria as suas almas atrasadas e perdidas no caminho por não conseguirem acompanhar os seus donos. (...) Escuta, precisas de encontrar um lugar só para ti, sentares-te e aguardares com paciência pela tua alma. Ela deve estar, neste momento, no lugar por onde passaste há dois, três anos." Olga Tokarczuk, " A Alma Perdida"

Formiga

No que reparamos quando: 💙 Paramos... 💙 Descemos do nosso pedestal e, 💙 Observamos com atenção.

Sei lá!

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Abril chegou. Tenho vindo a este espacinho virtual diariamente mas as palavras não saem. É-me difícil escrever no desconforto. Tenho receio de me tornar repetitiva ou melodramática. Não sei bem o que será pior. Felizmente está sol e apesar de tudo o que eu possa sentir, porque não consigo evitar sentir, ou pensar, porque não consigo evitar pensar, agarro-me à luminosidade dos dias primaveris e ao desejo de mergulhos em água salgada. Ando no para-arranca. Não sei bem se estou a avançar ou a recuar porque talvez o reviver seja necessário para superar, mas o reviver também é ficar a marinar mais algum tempo, e eu não queria isso. Assim, volto a um comportamento um pouco obsessivo que não lamento apenas porque já me cansei de o lamentar. Eu tento fazer melhor e ser melhor mas há momentos em que realmente não consigo. Chegam a inveja, os ciúmes, a comparação, a negligência. Volto a um registo que eu já gostaria de ter superado por esta altura. É uma merda, mas não consigo ainda encontrar re...

Tempo circular?

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Não gosto de remexer no passado. Estou em paz e penso que é melhor deixar as coisas como estão. Mas, lembro-me mais do que ocasionalmente e parece-me que hoje sonhei com isto. Ou talvez não. Se me perguntassem diria que, na altura, oscilei entre o sentimento de culpa e a mágoa. A culpa pela minha reação. A mágoa pela reação do(s) outro(s). Nos meses que se seguiram fiz o meu processo. Existem coisas que fortaleci em mim mesma: a minha força interior - positivamente - e a minha incapacidade de sentir - negativamente. Torço o nariz à ideia de sentir. Sinto o bloqueio em mim. Reconheço a sua forma como se me tivesse sido transplantada no peito. Não há karma para amaldiçoar porque assumo a responsabilidade pelo que existe em mim. Pensei nisto ontem, a caminho de casa, e enquanto observava Lisboa pela janela do comboio. Fecho a caixa de pandora e coloco-a de novo na prateleira mais alta, inacessível mesmo que me coloque em bicos dos pés. Não gosto de remexer no passado. Estou em paz e pens...

Estados de espírito

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Não pretendo que o meu blog se torne no muro das lamentações, por isso reconheço em mim uma certa dificuldade em falar em demasia sobre os momentos que me são mais difíceis. Reconheço, contudo, que é aqui neste espaço perdido da blogosfera em que me sinto mais à vontade para falar sobre o que sinto e o que penso. A última semana tem sido desafiante. Não aconteceu nada de especial mas emocionalmente sinto-me triste e fisicamente sinto-me exausta. Na quarta-feira, a trepar pelo "tecido vertical", sentia dores horríveis nos músculos, uma ausência de força e em dois momentos tive de pedir ao professor que me ajudasse a descer. Resisto a parar porque nos últimos anos desenvolvi a teoria de que só tenho valor pessoal se estiver a fazer coisas. É uma teoria falaciosa mas ganhou raízes fundas. Parar é como se me retirasse valor, mérito e direito de cá andar. Mas tive de ceder. A minha cama é o local mais confortável. O sono profundo é o meu momento de descanso. Penso em demasia. Sint...

Em jeito de conclusão

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Este fim de semana foi desafiante para mim. Tive dificuldade em dormir de Sábado para Domingo. Tenho sentido um cansaço emocional e alguma falta de energia. Acordo exausta com os sonhos que me acompanham, ainda que não me consiga recordar deles. Aceitar as minhas descrenças não é fácil. Se retiro as certezas, a que me poderei agarrar dentro das minhas dúvidas? Entre a procura de informação e a partilha de ideias com a minha melhor amiga, acabei por chegar à conclusão de que não há verdadeiramente uma crença nem uma descrença da minha parte. Apenas me sinto saturada desta necessidade constante de validação exterior. Fui recebida na teia familiar a dizer-me o que deveria ou não de ser ou de fazer. Na adolescência vieram as amizades. Surge aquela primeira noção de tribo que se tornou muito mais marcante na minha idade adulta. A tribo do esoterismo ganhou raízes fundas em mim. Substituí, de certa forma, a família pela NA e a NA por aquele grupo que parecia desafiar as normas, as regras, o ...

Cabo Espichel

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Revisitei ontem o Cabo Espichel, um dos meus locais favoritos. Acordei nesta manhã de Sábado com uma alegria enorme só de pensar no passeio que ia fazer. Parecia uma criança a quem estavam a oferecer um presente. Assim o vejo, nesta possibilidade privilegiada de poder percorrer estes locais mágicos de Portugal. Relembrei, mais uma vez, momentos da minha infância. Este regresso ao passado tem sido uma constante nos últimos tempos e afirmo, com uma leveza no coração, que me sinto bem por fazê-lo. Na companhia dos meus pais, visitamos as ruínas e a igreja do Santuário de Nossa Senhora do Cabo Espichel. Pensei na quantidade de gente que terá ocupado aquelas velhas casas atualmente desabitadas. O tempo passa mas há algo que se conserva naquelas paredes e naquele chão. Passamos, depois, junto ao Farol. Imaginei aquela luz forte a iluminar as águas do Oceano Atlântico que batiam ruidosamente no monte escarpado. Tantos marinheiros que terão passado por ali! Tantos que se perderam naquelas á...

Tempo

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O tempo passa, célere, num galopar impiedoso e às vezes cortante como o gume de uma faca. E a vida, sentada no dorso deste tempo, vai mudando. Muda ela e mudamos nós. Por momentos, parece-me que somos apenas as personagens de um jogo de xadrez cuja dimensão real do tabuleiro desconhecemos. Não estou certa, nem me atrevo a supor quem manuseia as peças. Sou ignorante nestes assuntos. Ou talvez cobarde. Vamos saltando de peça em peça,... ora somos peões, ora cavalos, ora torres, ora bispos, ora reis e rainhas. Às vezes, desejosos de um papel que não nos cabe a nós, mas a outrem. Outras, ansiosos por um esquecimento que nos permita descansar e que sejam braços alheios a carregarem os fardos por nós. Percebo tanto das regras da vida como das de um jogo de xadrez. Muito de coisa nenhuma.

Sobre os caminhos…

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Há um caminho mais fácil e um caminho mais difícil. Raramente conseguimos identificar um ou outro com facilidade e clareza a não ser quando estamos efetivamente a caminhá-lo. O caminho mais fácil parece-nos a nós, na nossa limitação, que é o que causa menos dor e se reveste de maior rapidez na chegada ao destino. O mais difícil, aquele que exige maior esforço e requer mais tempo. Em conversa com a minha melhor amiga admitimos a possibilidade de ser exatamente o oposto. Quantas vezes escolhemos o caminho que aparentemente dói menos e damos por nós a lidar com circunstâncias e emoções de forma prolongada porque não fizemos a escolha, não tomamos a decisão de enfrentar logo as intempéries de frente, de “dar o peito ao manifesto”? Quanto vezes a inação, a indecisão e a ausência das palavras certas não nos prenderam em enredos tortuosos e, mesmo após um tempo considerável, percebemos que ainda temos o mesmo lodo preso às solas dos sapatos? Dito isto, não me parece que caminhos fác...

Tempo

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Aprender leva tempo. Crescer leva tempo. Amadurecer leva tempo. Não dá para apressar os processos, nem tornar célere um tempo que requer o seu próprio tempo. Tantas vezes dei por mim a queixar-me da lentidão da minha marcha para posteriormente entender que eu não estava preparada para nada a mais nem a menos do que aquilo que me era dado ou negado pela vida. E vou aprendendo com o que tenho, com o que não tenho, com o que encontro no caminho, com o que perco, com o que me faz rir, com o que me faz chorar. Vou aprendendo com vontade e outras tantas vezes aprendo a contragosto. E até através do que não gostaria de aprender, percebo que aprendo o que preciso.

Tempo

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A sabedoria popular diz-nos que o tempo cura tudo. Se há uma situação que te causa dor o tempo curará. Se há uma lembrança que te causa dor o tempo curará. Na verdade, o tempo não cura. O ser humano é que cresce, muda, evolui, prossegue e adapta-se às circunstâncias que vão surgindo na sua vida. Torna-se mais forte, mais consciente. O seu pensamento muda, as suas emoções mudam, as suas prioridades mudam. O tempo não cura. O tempo dá-nos sim o tempo necessário para nos curarmos a nós mesmos. E a propósito de cura, que curaste tu no último ano? Que estás dispost@ a deixar para trás, a deixar ir, a abrir mão? Que ideias e certezas estás disponível para questionar? Que capacidade desenvolveste em ti para te abrires ao novo?

Respiro fundo e fecho os olhos

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Respiro fundo e fecho os olhos. Deixo que o fluxo emocional abrande. Deixo que a mente se acalme. Nada do que sinta, nada do que pense é de facto relevante no mundo da ilusão. O que é importante não está sujeito a regras, a clichés, a inverdades. Busco-me, eu mesma sem acréscimos exteriores que nada acrescentam ao meu interior. Respiro fundo e fecho os olhos. E confio no fluxo da vida, na água dos riachos, no sol cujos raios espreitam por entre os ramos vazios das árvores, no vento nórdico que faz gelar a ponta do nariz. E imagino cada projeção, cada insegurança, cada carência a descer até aos meus pés e a ficarem no chão por onde passei mas de onde não passarão. Sei-o porque a Terra é minha mãe, o Céu é o meu pai e a Lua minha irmã. Estou de passagem e um dia voltarei a casa, despida de tudo o que não é e plena de tudo o que sempre foi.

Retorno

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Vim passar uns dias de férias. O voltar à família faz-me crer que há coisas que não mudam. Por um lado, agradeço pelo que tenho. Por outro, acabo por encontrar sempre a minha menina interior, e isso não é fácil. Está nela o meu passado, o meu Eu que queria crescer rápido de mais, mas que encontrou um processo moroso. Cronos é implacável. Há que aceitar com a mesma maturidade que ele próprio exige. O seu frio estrutura o meu ser interior e, se bem que o calor da estação em que a minha alma escolheu nascer tente entrar, encontra frequentemente barrada o seu trajecto. A vida puxa-me de sul para norte e eu bem tento ir, mas quase sempre com pouca vontade. Nos últimos meses, e em diversas circunstâncias, vi espelhadas partes de mim que tive dificuldade em reconhecer. Sou isto mas quiçá preferisse ser aquilo, não sendo propriamente claro o que é "isto" e o que é "aquilo" e qual a diferença entre ambos. É o meu eterno retorno a uma velha questão de querer definir e assumir...

11:11

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Faltam menos de dois meses para o final do ano. Astrologicamente tenho lido que estes meses vão ser desafiantes. Hoje temos o portal 11:11, dia 19 teremos uma fortíssima lua cheia e em Dezembro ocorrerá a quadratura exata entre Úrano e Saturno. Como cada um de nós viverá os seus efeitos, só o futuro o dirá. Por ora sei apenas que sinto diariamente o frio a entranhar-se nos ossos e tenho tido maior dificuldade em adormecer. Se já era antissocial, ainda estou mais, sem qualquer peso na consciência. As minhas hormonas deixam-me dormente, num quase estado de letargia. As minhas companhias são os livros, os áudios e as minhas gatas. Sairei deste marasmo, acredito! Mas não agora. Numa altura em que tantas frechas estão abertas e os véus que separam os planos parecem tão ténues, apetece-me selar portas e janelas por onde possa entrar qualquer poeira mental. A ignorância impera. O medo impera. Não são bons sintomas sociais. A contragosto vou-me esforçar por caminhar, para que no silêncio do en...

Roma Areeiro

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Não está um Outubro de chuva nem descida de temperatura. Já me chegou o cheiro das castanhas, um cheiro apetecível mas estranho uma vez que ainda está tempo quente. Esta semana foi desafiante. Tenho-me sentido fisicamente cansada. Não consegui ir ao ginásio pelo que fiz algumas caminhadas em substituição: desde a Alameda passando pela Av. de Roma, que me trouxe recordações de quando lá morei há mais de 20 anos. É interessante passar pelos mesmos locais com um intervalo significado de tempo para perceber não só o que mudou naquelas ruas, mas também o que mudou dentro de mim. 20 anos não assim tantos anos, mas a diferença é abismal. Se não fosse por ter algumas daquelas lembranças bem presentes, ainda acharia que estava a falar da história de outra pessoa. O tempo leva-nos mesmo tudo, incluindo a forma física. Mas não leva os momentos marcantes, sejam bons ou maus. É curioso como me lembro de situações aparentemente tão insignificantes mas que, por algum motivo, nunca as esqueci. - O pão...