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Grito

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O meu coração está pesado. Reviro a sua pele como se fosse um saco e sacudo-o à espera de que dele caia algo. Voam pedaços de folhas rasgadas com a minha letra impressa. Não me atrevo a juntá-los. Não quero recolher palavras do passado nem histórias que cairam no vácuo. Foram meros disfarces para tudo o que sentia e fingia não sentir. - “Vens para agradar?” – perguntam-me. Encolerizo-me, mas silencio a voz enquanto cruzo os braços sobre o peito. … tic-toc…. … tic-toc…. … tic-toc…. [Rasgo as paredes, parto os vidros, queimo os livros, abro as janelas e grito como um animal selvagem preso numa armadilha…. Arranco pedaços de pele do próprio corpo até chegar às paredes do pequeno coração que insiste em bater. - Pára! – grito-lhe! - Não! – responde-me com uma voz cavernosa.] O grito tenebroso da minha mente acorda-me. Ali continuo sentada de braços cruzados. Minha querida besta infeliz que anseias tanto por sair e eu não deixo.

Vulnerabilidade

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Aprendi este ano, pelos mais diversos motivos, que a cura emocional implica que se enfrente o que provocou a enfermidade. Para alguém que, como eu, criou ao longo de anos e anos imensos mecanismos mentais de auto-defesa que a impedissem de sentir, conseguir agora reconhecer, aceitar e abandonar esta guarda constante, é um desafio.  Mas faz-se, por vezes a conta gotas, em escassos momentos antes de voltar à defensiva. Sentir torna-nos humanos, seres vulneráveis e é nessa vulnerabilidade, que nos escapa por vezes entre os dedos, que mostramos quem realmente somos. Digo, com alguma satisfação, que me apraz o momentos da lágrima, porque se ele existe é porque já consigo fazer algo que, ainda há bem pouco tempo me parecia tão impossível. O meu coração manifesta-se, como o bater de um tambor, com som de esperança - esperança em mim mesma - e eu sei, naquele momento, que para o bem e para o mal ainda estou viva e enquanto me for possível palmilhar as estradas deste mundo, terei a hipótese...

Conselhos do Tarot

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CONSELHOS EM 3 CARTAS: 🙏 (O Eremita) -Vê o tempo como um aliado, aproveitando-o para trabalhares no autoconhecimento e consciência de ti mesmo. As respostas encontram-se em nós, sempre. A felicidade e paz genuínas só podem ser encontradas dentro de nós, sempre. Este é o trabalho mais importante das nossas vidas, um trabalho para a vida que exige vontade e algum sacrifício.  * Recolhe-te; * Silencia o ruído exterior; * Ouve-te; * Sente a tua alegria e a tua tristeza; * Ri ou chora conforme te apeteça; * Abraça-te; * Reconforta-te; * Aceita o TEU TEMPO. 🙏 (A Papisa) - Neste processo mergulha dentro de ti as vezes que forem necessárias. E quando encontrares a tua luz, não te esqueças que nela também habita a tua sombra. E quando descobrires a tua sombra lembra-te que nela também podes encontrar a tua luz.  * Conecta-te com a tua ancestralidade e com os ciclos da terra e da lua. Esta ciclicidade também existe dentro de ti; * Lembra-te que fazes parte do divino; * Perdoa-te por t...

Iniciação Feminina

 🔅 "A iniciação é o processo mediante o qual renunciamos à nossa inclinação natural de continuarmos inconscientes e tomamos a decisão de, por muito que nos custe - em sofrimento, esforço e resistência - buscar a união consciente com a mente profunda, o Eu selvagem." 🔅"As mulheres que se encontram neste estágio costumam sentir-se desesperadas e, simultaneamente, inflexíveis relativamente à decisão de empreender esta viagem interior, aconteça o que acontecer." 🔅"Ela [protagonista feminina da história narrada] pode viver os dias no mundo superior, mas a tarefa de transformação ocorre no mundo subterrâneo e ela é capaz de viver em ambos, como a "La Que Sabe." Tudo isto, para aprender o seu caminho, para limpar esse caminho, até alcançar a verdade e o Eu selvagem." 🔅"Uma mulher que esteja a passar por um processo destes deve pertencer a ambos os mundos. É precisamente o facto de andar sem destino que nos ajuda a vencer a mais ínfima resistênc...

Viagem

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Fecho os olhos. Acedo ao meu íntimo, vasculho nas profundezas do meu ser. Pego num pequenino barco a remos com uma lanterna pendurada na extremidade e sigo pelo rio das veias. Ao longe chegam-me vozes como ecos de palavras ditas por mim há anos e que agora regressam aos meus ouvidos. Há lodo encrostado nas paredes, mas também tímidos fachos de luz a quererem irromper como rebentos. O coração bate como um tambor a marcar o ritmo da viagem. Oiço-o a bater dentro de mim. Oiço-o a bater fora de mim. Forte, confiante. Grita-me do centro do peito: "- É para sentir tudo, sem medos!" Obedeço-me e sinto… tudo.

My sweet demon

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Sujeita a atritos raivosos. Nervoso colérico que borbulha dentro de mim. Sempre à espreita. Tão familiar. Já conheço, já o enfrentei. Já bati com a porta e já bati com a cara na porta. O lado violento e negro que assoma à fronteira da minha alma. Reconheço-o, o demónio disfarçado que me incita ao combate, desprovida de argumentos e cega de raiva. Paro então, por momentos. Respiro fundo. “Hoje não! Hoje não me vences. Vou apanhar ar, vou respirar natureza. Vou ser amor logo no dia mais propício ao amor, amor genuíno por mim mesma. Vou sentar-me numa cadeira de café embalada por um cappuccino e um bom livro.” Sigo. Deixo. Abandono. Dou a cara. Recebo o estalo. Está tudo bem. (Imagem da Internet)

Breathe

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I am a very impulsive person. When motivated by hard feelings I can end up saying things I will regret later. Last January someone told me life would start demanding more from me from now on. She was absolutely right. I thought I would lose my ground but I got tougher. Then I thought I was tough enough to not lose my ground but I completely lost it. I’ve cried when I thought I had no reasons to and smiled while feeling completely broken inside. I have no idea where to turn right now but I know exactly where is the place I want to be. I have all certainties and every doubt at the same time. Lately I have been the nicest person to some people and a true bitch to others in a question of seconds. I’m a mess and I’ve never felt so total in my life. How can I deal with all this? This energy that brings the best and the worst in me? That makes people love me and hate me at the same time? Help. I need to breath.

Quem és tu?

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Recebeu novamente a visita dele, dessa força destrutiva e redentora. Sentia tudo como uma dose de adrenalina misturada com veneno injetada nas veias. Não havia cancelas para impedir, nem limites que o fizessem fraquejar. Avançou como um furacão que leva tudo à frente sem medir as consequências. Não pensava. Não cessava. Tudo fluía de forma violenta e agressiva. Ela sentou-se a assistir de camarote, sem nada dizer, sem sequer pestanejar. Ele suscitava-lhe curiosidade, mais do que medo. Viu-o irromper por debaixo da pele rasgando pedaços de sonhos. Viu-o dilacerar lembranças e recordações. Viu-o a abrir e a fechar as mãos como se estimulasse articulações que nunca antes foram usadas. Ouviu-o vomitar palavras sem nexo em catapulta como se, na rapidez com o que o fazia, fosse impossível ordená-las corretamente. Oscilava entre momentos de loucura e lucidez, ria desenfreadamente até lhe virem aos olhos lágrimas de dor. Quando por fim ela se levantou olhou-o nos olhos: o castanho dos olho...

...

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Temos de nos aceitar por inteiro, certo? Mas como aceitar aquelas características que menos gostamos, aquelas que nos fragilizam, aquelas que identificamos em nós mesmos através do contacto com os outros? Como aceitar aquelas características que nos tornam em sentimentais bobos ou manipuladores emocionais? Aconselharam-me em tempos a procurar o lado sublime desta lua que ascende sobre a minha cabeça, mas ainda não o consegui encontrar. Cada vez que passa, verifico mais a sua inconstância e menos a sua solidez. Temos de nos aceitar por inteiro, certo? Mas como?

Senda

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Há pouco tempo cruzei-me com um post no Facebook alusivo à Guerra das Estrelas. Luke Skywalker perguntava ao mestre Yoda: “Mestre, o lado negro é mais forte?”, ao que Yoda respondeu: “Não, o lado negro é mais fácil.” Nunca me tinha dado conta disto, muito honestamente. Nunca tinha analisado os sentimentos mais mesquinhos e mais humanos, como ódio, inveja, ciúme, à luz do seu facilitismo. Mas é verdade. Sim, é mais fácil! É mais fácil sentir o veneno do que lutar contra ele. É mais fácil sentir o veneno do que começar sequer a pensar em lutar contra ele. E com o tempo, o veneno torna-se tanto numa parte de nós, que todos os motivos servem para justificar a sua existência. E bebemos desse veneno sofregamente. Não sendo este o caminho certo, este caminho também faz parte do Caminho (aquele com letra grande). O ser humano entende através da polaridade, da dualidade. É no escuro que os raios de luz se tornam percetíveis.