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Do amor à Filosofia

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Em vésperas de regressar ao trabalho reencontrei "O Mundo de Sofia". Já me tinha lembrado deste livro algumas vezes mas achava que talvez o tivesse perdido. Este fim-de-semana, ao olhar para a estante, os meus olhos fixaram-se na sua lombada. Ei-lo tão visível e tão escondido! Iniciei de imediato a sua leitura. Recordei o quanto gostava de Filosofia quando era mais jovem. Relembrei que quando fui para a NA o meu objectivo era estudar Filosofia. Infelizmente, perdi-me nas atividades paralelas que, muito possivelmente, foram um dos motivos que me levaram a sair de lá. Dei por mim a sorrir com a possibilidade de retomar este meu fascínio pela Filosofia, voltar à inquirição constante uma vez que as minhas certezas foram pelo cano. Que lufada de ar fresco! Depois de meses sem saber para onde ir, começo a encontrar um ponto de luz que me direciona o caminho. (Foto tirada da net, pode ter direitos de autor)

Porto Seguro

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Em "modo regresso" depois de um início de ano atípico que me obrigou a repouso e antibióticos. E sabe bem voltar ao que gosto, ao que me faz feliz ... Caminhar pelas ruas de Alfama após o treino, em direção a Santa Apolónia. Sentir-me viva e esperançosa. Ser o meu próprio Porto Seguro.

Cabo Espichel

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Revisitei ontem o Cabo Espichel, um dos meus locais favoritos. Acordei nesta manhã de Sábado com uma alegria enorme só de pensar no passeio que ia fazer. Parecia uma criança a quem estavam a oferecer um presente. Assim o vejo, nesta possibilidade privilegiada de poder percorrer estes locais mágicos de Portugal. Relembrei, mais uma vez, momentos da minha infância. Este regresso ao passado tem sido uma constante nos últimos tempos e afirmo, com uma leveza no coração, que me sinto bem por fazê-lo. Na companhia dos meus pais, visitamos as ruínas e a igreja do Santuário de Nossa Senhora do Cabo Espichel. Pensei na quantidade de gente que terá ocupado aquelas velhas casas atualmente desabitadas. O tempo passa mas há algo que se conserva naquelas paredes e naquele chão. Passamos, depois, junto ao Farol. Imaginei aquela luz forte a iluminar as águas do Oceano Atlântico que batiam ruidosamente no monte escarpado. Tantos marinheiros que terão passado por ali! Tantos que se perderam naquelas á...

Fundamentals

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Entre várias outras coisas, o ashtanga ensinou-me a importância de regressar ao início, onde tudo começou. A primeira descoberta, o primeiro asana, o primeiro ujjayi , o primeiro desenrolar, o primeiro esticar, o primeiro enraizar. Já não pratico, como é de conhecimento mais ou menos geral, mas levo comigo os ensinamentos da prática que me acompanhou durante 7 anos. Lembrei-me disto hoje porque tenho sentido a necessidade de voltar um pouco atrás para poder avançar. Sinto que a via que segui nos últimos anos desembocou num beco sem saída. Não há esquerda nem direita para virar. É-me pedida uma marcha atrás. Voltar ao que, no yoga, chamaria de fundamentals . Voltar ao que é fundamental e perceber, dentro de tudo, o que posso e devo aproveitar ou o que não serve mais ou não é tão fidedigno como achava. Confesso que não me imaginava numa situação destas, a colocar em causa tanto do que eu considerava que me iria agarrar até ao final dos meus dias. Mas ainda que este possível "abando...

O eterno retorno

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Voltei às caminhadas, mas não exatamente da mesma forma.  O caminho é o mesmo. Atravesso o Jardim da Estrela, desço pela Calçada da Estrela, passo junto à Assembleia da República, continuando pela Rua de S. Bento. Atravesso a Rua dos Mastros e viro à esquerda. Os meus pés seguem rumo pelo Largo Conde-Barão, Rua da Boavista, Rua de S. Paulo, Rua do Corpo Santo, Largo do Corpo Santo, Rua do Arsenal até chegar à Praça do Comércio. Para quem me leia talvez isto não tenha importância nenhuma, mas para mim tem e muita. As caminhadas que faço por Lisboa estão ligadas à minha alma e em cada passo na matéria, sinto que também a minha alma caminha. Há coisas que não consigo explicar por palavras e esta é uma delas. Regresso aos mesmos locais porque reencontro em cada canto memórias de Lídias do passado. Consigo ter presente a roupa que vestia, o que sentia, o que me vinha à mente, onde entrei, onde saí, se chovia ou se fazia sol. Lembro-me da Lídia que, naquele instante que hoje é passado ti...