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Recortes

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Cura

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Reinícios... Sol e lua juntos em Carneiro, a primeira Lua Nova de Abril. Tomei decisões que conto poder cumprir dentro das minhas possibilidades. Busco a minha cura, o meu auto-perdão. Volto a descer, mas desta vez não o faço para mergulhar na sombra, mas sim desço dum pedestal de arrogância e de orgulho, onde achei que deveria de estar. Desço para a planície, para sentir os meus pés na terra, para caminhar, para dar passos, para seguir em frente abandonando mágoas, tristezas, desilusões e sobretudo muita auto-sabotagem. Desço para voltar a subir quando chegar a altura de o fazer.

Peço desculpas!

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Desculpas são devidas. Desculpas tardias que requereram da minha parte um trabalho enorme. Sinto-me atualmente extremamente calma. Mas há uns anos o cenário era diferente. A raiva que sentia dentro de mim era enorme. Reagia por impulso, proferia palavras cruéis e magoei pessoas no caminho. Hoje tive consciência do que deveria ter feito de diferente: - Ser honesta comigo, em relação ao que sentia e pensava para que também essa honestidade se manifestasse no meu relacionamento com os outros; - Não descarregar nos outros a minha incapacidade em lidar com as minhas emoções e a minha frustração; - Se tudo isso falhasse, ter a capacidade de pedir perdão mesmo que o perdão não me fosse concedido. Percebo que sempre tive dificuldade em lidar com o que sinto e pedir desculpas, para que do outro lado só viesse o silêncio, era algo que para mim era incomportável.  Ao falar disto com a minha melhor amiga, ela disse-me que, no fundo, eu escolhi o caminho mais longo. Acredito que sim. Mas essa e...

Ecos

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Ecos da noite! Um quarto de lua a encher! Ela vigia-me, minha Mestre do espaço, guia-me por entre os caminhos que a minha Alma dita. Vou para onde tenho que ir. Vou por onde sou chamada a seguir. Penetro na sombra antes do vislumbre da ténue chama artificial do candeeiro de rua. Os meus passos silenciam-se para que a escuridão comunique os seus segredos. Oiço-os, mas não com os ouvidos. Quando o meu coração aquece, sei que compreendi. Não há palavras! Não há símbolos! Há o sentir o invisível nas fendas do visível, tão mais real é o que sentimos do que o que vemos.

Vento

"O vento sempre muda a direção e um dia ele soprará a teu favor." | Auto desconhecido

Dia 3

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Ontem fui caminhar um pouco a seguir ao trabalho. Percorri a D. Maria Pia até Alcântara, um percurso de que gosto imenso mas que já há algum tempo não fazia. Senti-me incrivelmente bem, quase a ser envolvida pela noite agradável de Novembro. Tentar descrever em palavras o que senti naquela hora é retirar-lhe encanto porque há tanto que não pode ser verbalizado, apenas se exige presença no momento. Sei que sou estranha pelas coisas que valorizo, pelo que me faz estar bem. Mas pouco me importo com isso. Talvez ninguém tenha realmente conhecido a verdadeira Lídia e talvez por esse mesmo motivo também nunca tenha sido aceite por quem sou verdadeiramente. Isso também já não tem muita importância para mim. Como li há dias: "A pior solidão é aquela que nos ausenta de nós mesmos." Não se trata de como nos veem. Não se trata sequer de verificar se somos vistos. Mas sim, quem somos connosco próprios e em que ponto nos permitimos a viver na nossa verdade. Dito isto, sou capaz de jurar q...

O eterno retorno

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Voltei às caminhadas, mas não exatamente da mesma forma.  O caminho é o mesmo. Atravesso o Jardim da Estrela, desço pela Calçada da Estrela, passo junto à Assembleia da República, continuando pela Rua de S. Bento. Atravesso a Rua dos Mastros e viro à esquerda. Os meus pés seguem rumo pelo Largo Conde-Barão, Rua da Boavista, Rua de S. Paulo, Rua do Corpo Santo, Largo do Corpo Santo, Rua do Arsenal até chegar à Praça do Comércio. Para quem me leia talvez isto não tenha importância nenhuma, mas para mim tem e muita. As caminhadas que faço por Lisboa estão ligadas à minha alma e em cada passo na matéria, sinto que também a minha alma caminha. Há coisas que não consigo explicar por palavras e esta é uma delas. Regresso aos mesmos locais porque reencontro em cada canto memórias de Lídias do passado. Consigo ter presente a roupa que vestia, o que sentia, o que me vinha à mente, onde entrei, onde saí, se chovia ou se fazia sol. Lembro-me da Lídia que, naquele instante que hoje é passado ti...

Luta interna

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Há uma luta interna dentro do homem, esteja o homem consciente disso ou não. A consciência traz responsabilidade. Saber não nos permite ignorar porque ao fazê-lo correríamos o risco de sentir maior dor do que aquela que pretendemos evitar. Mas a consciência também não nos traz respostas de imediato. Quando penso nisto, quando vivo esta luta feroz, vêm-me sempre a imagem do ser interior que nos habita a querer rebentar a nossa pele e sair para fora. Ele quer-se mostrar, estar presente. E mesmo que pretendamos travar-lhe o voo, o nosso olhar e atitude serão reveladores do conflito em que estamos imersos.

Avaliação

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Plutão transitou sobre o meu descendente e avançou. Hoje consigo olhar para trás e analisar em consciência uma fase importante da minha vida. Plutão trouxe-me a raiva, a ira, uma espécie de adrenalina que mantinha o meu coração em modo acelerado quase constante. Sentia-me um vulcão que após anos e anos de estado inativo rebentava agora e cuspia lava e detritos em todas as direções. Não filtrei palavras, nem sentimentos. Fui abandonada por pessoas para que outras ocupassem os lugares entretanto deixados vazios. No meio desta revolução interior densa e até um pouco mórbida, descobri em mim características que desconhecia. Houve momentos em que me surpreendi com o meu próprio comportamento, mas, verdade seja dita, não tenho arrependimentos. Foi quando deixei de tentar ser qualquer coisa, que tomei consciência de quem sou verdadeiramente. Não vivemos para nos tornarmos. Vivemos para sermos numa busca diária de equilíbrio entre a luz e a sombra, entre a razão e a emoção. O turbilhão de que ...

Vulnerabilidade

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Aprendi este ano, pelos mais diversos motivos, que a cura emocional implica que se enfrente o que provocou a enfermidade. Para alguém que, como eu, criou ao longo de anos e anos imensos mecanismos mentais de auto-defesa que a impedissem de sentir, conseguir agora reconhecer, aceitar e abandonar esta guarda constante, é um desafio.  Mas faz-se, por vezes a conta gotas, em escassos momentos antes de voltar à defensiva. Sentir torna-nos humanos, seres vulneráveis e é nessa vulnerabilidade, que nos escapa por vezes entre os dedos, que mostramos quem realmente somos. Digo, com alguma satisfação, que me apraz o momentos da lágrima, porque se ele existe é porque já consigo fazer algo que, ainda há bem pouco tempo me parecia tão impossível. O meu coração manifesta-se, como o bater de um tambor, com som de esperança - esperança em mim mesma - e eu sei, naquele momento, que para o bem e para o mal ainda estou viva e enquanto me for possível palmilhar as estradas deste mundo, terei a hipótese...

A minha dualidade numa foto (sombra e luz)

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Novembro

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E Novembro chegou... Desejos: Não ceder ao medo  😱 Não ceder à raiva  🤬 Não ceder à ignorância  🤷‍♂️ Que consigamos sempre encontrar a luz no meio da escuridão!  ☀️ 🖤 Relembrando que em tempos difíceis, somos mais fortes quando trabalhamos em conjunto, do que uns contra os outros. Votos de bons (re) inícios.  🙏