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Aguarda pela tua alma // [Excertos]

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"Se alguém nos pudesse olhar do alto, veria que o mundo está repleto de pessoas que andam apressadas, transpiradas e exaustas e também veria as suas almas atrasadas e perdidas no caminho por não conseguirem acompanhar os seus donos. (...) Escuta, precisas de encontrar um lugar só para ti, sentares-te e aguardares com paciência pela tua alma. Ela deve estar, neste momento, no lugar por onde passaste há dois, três anos." Olga Tokarczuk, " A Alma Perdida"

O Caminhante

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O caminhante segue o caminho. De dia. De noite. Entre subidas e descidas. Faça sol ou faça chuva. Segue tenha o peito cheio de alegria ou o coração apertado. Segue em silêncio ou murmurando entre dentes. Segue pelos caminhos difíceis e apenas raras vezes escolhe as rectas. Cruza-se, sem medo, com transeuntes desconhecidos em ruas com pouca luz e segue caminho. Entra em cafés de esquina, cafés de mesas gastas e cadeiras de metal sem cor. Fotografa os murais de rua, as palavras cravadas por alguém nas paredes esbatidas e os estendais improvisados. Vem-lhe o cheiro das especiarias e dos bolos para sobremesa. Chegam-lhe conversas em línguas que não conhece. O caminhante segue o caminho por que é o que se espera de quem escolhe caminhar. Não interessa o destino nem o topo. Interessam-lhe as passagens e os degraus.

Estados de alma

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No Sábado fui conhecer a loja de Móveis Orientais (by Revivigi) , perto da Fábrica de Braço de Prata. O espaço é magnífico, os donos são de uma enorme simpatia e disponibilidade, e as peças que têm para venda são muito diferentes das que estou habituada a ver em lojas. Estava decidida a comprar algo e acabei por optar por uma caixa de madeira pintada à mão. Pelo que me explicaram, estas caixas são feitas na Mongólia e não há duas caixas iguais. Este foi talvez o momento alto do meu fim de semana que, como mais tarde percebi em conversa com uma das minhas melhores amigas, é um dos momentos em que eu, de certo modo, saio de mim e torno-me numa alma/turista em viagem. É complicado explicar a sensação e, com a excepção desta minha amiga, não sei se é fácil para os demais entenderem-me. Eu sou eu e estou em mim, no corpo que me foi dado. Mas há momentos, e sobretudo em locais específicos que estimulam estas minhas incursões internas, em que eu não sou a alma na matéria, mas a alma que usa a...

Filosofia

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As minhas viagens entre casa e trabalho têm sido acompanhadas por áudios de filosofia. A semana passada dediquei-me à Luz sobre o Caminho e posteriormente iniciei O Profeta . Devo dizer que esses momentos me trazem uma paz enorme e sinto que são talvez os mais produtivos. Tento colocá-los em prática dentro do possível e mesmo quando não me ocorre fazê-lo a minha consciência logo grita a reclamar. Vou tendo muito presente as minhas "faltas", apesar de tentar relativizá-las, não por achar que são aceitáveis, mas sim por não querer dar-lhes um peso superior ao que realmente merecem. O mais fantástico tem sido perceber que, após alguns dias mais desafiantes a semana passada, começo a regressar ao meu centro não por fuga mas por consciência. E o aparente desconforto torna-se muito menos desconfortável. Para quem eventualmente leia ou venha a ler o meu blog, e caso isto pode vir a interessar aos demais, deixo algumas considerações que considero interessantes: - O verdadeiro amor é...

Conversas sobre a raiva

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Esta semana, em conversa com uma amiga minha, falámos da raiva e da dor.  O diálogo fez-me lembrar da minha própria raiva, aquela raiva do passado que, eu bem sei, ainda lateja no meu peito.  Não me iludo. A raiva não sai. Apenas míngua a sua intensidade à medida que vou curando as causas primárias que me levaram a senti-la em primeiro lugar.  Este processo é moroso, feito de avanços e recuos. A cura vai-se fazendo, pouco a pouco. Surpreendo-me ao descobrir que não desejo cortar etapas. Desejo que o meu recobro seja consistente e que a minha consciência tenha bons alicerces.  Se é preciso ainda chorar, pois que chore. Se é preciso ainda doer o peito, pois que doa. Se é preciso ir lentamente, que assim seja. Não estou em competição com o mundo. Pretendo sim uma transformação em mim tão profunda que permita o perdão de mim mesma e, por extensão, o perdão ao outro.

Banda Sonora da minha alma, para hoje!

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Do regresso a mim...

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Do caminho... Do regresso a mim... Da conexão... Da verdade... Estou e não estou! Sou e não sou! E ainda que, de alma encarnada, possa ceder aos caprichos do ego, a minha alma liberta vê e reconhece a alma do outro e, num plano que não este, segreda-lhe: "Tive tantas saudades tuas. É tão bom rever-te!" Perante a raiva, respondo com o amor. Perante a mágoa, respondo com o perdão. Tenho vindo a aprender o significado do amor e do perdão, muito para além dos conceitos. Aprendo não com o que penso, mas com o que sinto. Do caminho... Do regresso a mim... A melhor viagem de sempre... Anima hampuy Anima hampuy Anima hampuy 🙏 Pelo fogo, pela terra, pelo ar e pela água.

Resistir

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Sim, às vezes é difícil. A angústia, a tristeza, a ansiedade. Avançamos para regressar tantas vezes aos mesmos locais que nos recordam dores do passado. E surge, ocasionalmente, a vontade de desistir. Não da vida, mas dos processos e deixar ir os sorrisos para onde quer que o mar os leve. Apesar disso, firmo a minha intenção de evolução e o meu desejo de felicidade. E sou feliz porque quero ser feliz e sou feliz porque escolho ser feliz e sou feliz porque não me autorizo a não o ser. Sou inteiramente responsável pela minha vida, pela forma como ajo e como reajo. E sou grata por mais um pôr do sol. P.S. Foto tirada hoje às 6h50 na Expo.

O nosso diamante interno [Excerto]

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 “«Como é que pode dizer que somos todos iguais quando existem contradições óbvias que saltam aos olhos: diferenças em virtudes, temperança, finanças, direitos, capacidades e talentos, inteligência, aptidão para a matemática, ad infinitum?» A resposta surgiu sob a forma de metáfora. «É como se existisse um grande diamante dentro de cada pessoa. Imaginemos um diamante com uns 30 centímetros de comprimento. O diamante tem uma infinidade de facetas, mas estas estão cobertas de sujidade e alcatrão. A missão da alma é limpar cada uma das facetas até que a superfície esteja absolutamente brilhante e seja capaz de reflectir um arco-íris de cores. «Presentemente, houve alguns que limparam muitas facetas e apresentam um brilho intenso. Outros só conseguiram limpar um pequeno número de facetas; não cintilam tanto. No entanto, por baixo da sujidade, cada pessoa possui dentro do seu peito um diamante de enorme brilho com mil facetas cintilantes. O diamante é perfeito, sem uma única falha. A ...

Caminho da alma

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E fez-se silêncio. E no silêncio ouvi o que não antes tinha ouvido, e senti o que não antes tinha sentido e fui o que sei que já fui um dia. Quando entramos no caminho da alma, não nos são dadas certezas pela razão mas pelo coração. E o meu pequeno grande coração vai batendo apesar do medo em penetrar em zonas mais cinzentas. Há memórias que vão trepando pela árvore da vida em busca de uma pontinha de luz do sol e elas lá chegam, ou estão a chegar, ou chegarão no momento certo. Ainda há "aindas". Ainda há o que não encaixa ou teima em não desgrudar. Ainda há os meus próprios preconceitos e resistências. "Tudo a seu tempo!" - oiço-me a dizer. Tudo a seu tempo!