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Dos corações frios

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O ser humano é adaptável. Aprendemos com o tempo a resistir, a subsistir. Já passei por momentos bem difíceis na minha vida e hoje, perante situações parecidas, reajo com maior calma e serenidade. Quando me vejo, quando sinto o meu coração no peito a bater, digo-lhe em voz baixa: "Não chores que não vale a pena." Ele tem sido obediente. Se partilhasse isto com alguém, penso que me iriam dizer que esta não é a forma certa de lidar com a dor, mas eu não conheço outra. Quando digo que há coisas que não me doem, falo com sinceridade porque parece-me que o "cordão umbilical" que unia a minha mente ao meu coração foi desconectado e atualmente um tem muito mais preponderância do que outro. Se acredito que ainda irei ter o que desejava? Honestamente, não. Uma vez que abandonei as tais ideias de poder da mente e da vibração, não me dou sequer ao trabalho de escolher criteriosamente as palavras que vou usar. Não, não acredito. Não é perda de fé mas inexistência de experiência...

Ainda não

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Repito e repito-me! Padrões, padrões, formas de pensar, de sentir, de agir. Às vezes critico-me e grito um “Outra vez?”, mas com o tempo tenho aprendido a aceitar, com relativa compaixão, a minha fraqueza e a incapacidade que tenho em fazer cessar tanta repetição. “Ainda não consigo!”, penso. “Ainda não sou capaz!” A minha professora de ashtanga costumava dizer-me isto quando eu reagia mal às minhas limitações. “Ainda, ainda…” O AINDA abre portas, janelas e possibilidades de um dia o que hoje me impede seja o que amanhã me fará crescer.

Neste virar para dentro

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Na necessidade em agradar, abanas a cabeça mecanicamente em sinal afirmativo enquanto o corpo se contrai até à dor. E se ontem, naquela luta interior que se desenrolou no teu tapete de yoga, te atreveste a abrir o peito, o coração bem vibrante a apontar para o universo, logo hoje o empurras para dentro e o abrigas a manifestar-se apenas no silêncio. Vivemos em modo ioiô, num ritmo ditado pela batuta da nossa mente.

Tapas

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Em Abril fiz um workshop com o Tomás Zorzo. Creio que na altura falei sobre isto. Para além da prática de asanas e pranayama, o Tomás também nos explicou os koshas e a importância de Tapas. Ele disse-nos várias vezes: "É importante perceberem exactamente o que Tapas significa." "Tapas" é um dos niyamas e, normalmente, é traduzido por disciplina. Sempre assumi disciplina como o "foco numa ação". Era esse foco que me fazia ir diariamente às aulas de yoga, era esse foco que me fazia querer progressivamente adoptar uma dieta vegetariana, era esse foco que me fazia tentar entender os yoga sutras, era esse foco que me fazia acreditar que este era o caminho para ser a melhor yogi possível. Enfim, talvez "tapas" também possa ser tudo isso. No entanto, Tomás deu-nos uma definição surpreendente: "tapas" enquanto a capacidade de nos desapegarmos do que nos causa apego. Isto fez-me pensar... Será que conhecemos os nossos verdadeiros apegos? Fa...