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será?

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Já comecei e apaguei este texto imensas vezes. Quero escrevê-lo porque preciso de o fazer, de verbalizar o que me vai na alma. Mas não é fácil fazê-lo. Hoje, enquanto me encostava ao vidro do comboio e fechava os olhos, admitia para mim mesma o quanto preciso de colo. Há pouco, enquanto me stressava com uma situação no trabalho, desabafava comigo mesma o quanto preciso de colo. Um dia destes pensei que estaria disposta a desabar, se alguém me amparasse. Queria chorar tudo, ralhar tudo, libertar tudo e, depois, adormecer aconchegada nuns braços feitos de amor. Já fui uma menina sonhadora, como aquela versão de dois anos que está retratada no fundo do telemóvel ou a versão adolescente exposta no screensaver. Já fui a menina desejosa de construir uma família e ter sete filhos. (Influência da família Von Trapp.) Não digo que a minha versão adolescente tivesse vergonha da mulher em que me tornei. Mas creio que ela não entenderia. Nem eu entendo. Não entendo como o meu caminho me levou para ...

Onde todas as respostas se podem encontrar...

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A verdade desconfortável

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O caminho é solitário e por vezes gostaria que não fosse. Aprendi a ouvir a voz do silêncio mas ainda não consigo ouvir a voz dos homens. Há dias em que lamento isso. Recolhi-me tanto na minha concha, que o exterior tem contornos que me chegam a aterrorizar. Tenho medo de ter tocado num extremo e não conseguir voltar a centrar-me. Ontem foi difícil. Por ninharias que seriam ignoradas por todos. Apelo à razão e bom senso mas, por vezes, falham ambas. A Bessa questionava-me ontem se desde esta minha busca por Deus, não me sentia mais desafiada. Sim, sinto. É uma verdade desconfortável. Percebo porque há quem desista. Percebo porque há quem prefira aquela espiritualidade moderna. Mas não há como voltar atrás. Não dá para florear o que é feito de espinhos. Não dá para escolher o caminho mais fácil só porque ele é mais fácil. O facilitismo não pode ser um critério. Mas custa...

Um dia partiremos. Até lá quero caminhar até que me seja impossível fazê-lo.

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Um dia partiremos. Até lá quero caminhar até que me seja impossível fazê-lo. Quero maravilhar-me com tudo o que vejo. Quero regozijar com o pôr-do-sol. Quero saborear um bolo com creme e saciar a sede com uma mini. Quero atravessar as ruas da velha cidade, as casas moribundas e as novas construções. Quero deter-me junto das escolas, ver os rostos das crianças e recordar que também eu fui uma em tempos. Quero sentir a minha paz e perceber que preciso de muito pouco para ser feliz.

Não vou fugir hoje. Irei para a casa.

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Tenho-me sentido ansiosa nos últimos dias. Habitualmente, a caminhada é o meu maior e melhor remédio. Mas, de alguma forma, também é uma fuga. O tardar a chegar a casa, o evitar os momentos noturnos em que, frente à TV, penso na minha vida. Não vou fugir hoje. Irei para a casa. Desmontar, finalmente, a árvore de natal que ainda se encontra no escritório quando estamos quase em final de fevereiro. Aspirar a carpete da minha sala. Escovar os panos que protegem o meu sofá. Fazer a cama. Acender um incenso. E depois sentar-me a ler. Tenho medo de sentir mas não posso fugir mais. Por outro lado, o medo faz-me regressar a algo. Que será? Próxima proposta de leitura:

Não te percas de ti mesmo/a

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 "Não gosto desta pessoa na qual te estás a tornar."  Há alguns anos ouvi esta frase. Já me tinha esquecido mas hoje, em conversa com a Mónica, lembrei-me destas palavras que me dirigiram. Trouxe-me à memória momentos do passado e senti-me bem por eles parecerem tão distantes da minha realidade atual. Entendo que não seja fácil para quem nos rodeia descobrir as características menos boas do outro e que lhes eram desconhecidas. Mas também sei que vimos a este mundo para sermos quem somos e não quem os outros desejam que sejamos.  Viver em autenticidade tem um custo mas será sempre menor do que o preço que pagamos quando não vivemos em verdade connosco próprios. "Eu gosto da pessoa na qual me estou a tornar." Tenho orgulho nela, no seu percurso de vida, no seu trajeto, nas suas conquistas, na sua aprendizagem, na forma como encara e vive a vida, no encanto que tem pelas pequenas coisas, no seu gosto peculiar pela simplicidade.

Final de Ano

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Chegámos ao último dia do ano de 2022. Como principal resolução mantenho o meu desejo de, gradualmente, abandonar o mundo virtual (com excepção deste meu espaço de desabafo) e concentrar-me no mundo real, nas vivências do dia a dia sem filtros. Esta semana foi boa, impactante e deu-me foco para o início do novo ano. Consegui fazer uma subida em esquadro no trapézio pela primeira vez, sozinha. Consegui fazer uma sucessão de lunges na aula de bodyattack. No final da semana deliciei-me com um buffet de comida chinesa, num restaurante. Sentada lá, a olhar para a azáfama em redor, senti-me bem, feliz e sobretudo bem acompanhada por mim mesma. Confirmo o velho saber de que a felicidade vem de dentro. É um facto. Claro que as circunstâncias exteriores também nos condicionam e percebo que seja muitas vezes difícil encontrar essa paz. Mas pelo menos que tentemos ser felizes quando não há motivo para não o sermos. Por fim, regresso ao meu Cartaxo. Ao passar junto à minha antiga escola preparat...

Quem somos [citação]

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Retorno a uma citação de Veet Premad que transpôs as portas deste diário virtual há um ano. Talvez aqui resida o meu maior desafio. Que não me falte a coragem! "A fonte da dor não provém de não ser o que pensamos que temos de ser, mas de não querer ser o que realmente somos. Em vez de pôr a vontade no que não somos, a questão é render a vontade ao que somos. A única responsabilidade é ser honesto consigo mesmo neste ponto."

"Preocupa-te em amares-te. O destino trata do resto."

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 "Levo esta frase comigo", disse à Mónica hoje de manhã. A frase que na véspera ela ouvira do seu professor de Filosofia e que, para mim, é um excelente conselho: Preocupa-te em amares-te. O destino trata do resto. Acredito que percorreremos o caminho que tem de ser percorrido. Temos o que temos de ter. Encontramos quem temos de encontrar. Talvez seja no "amor-próprio" que reside o maior ato de liberdade, o maior exercício de livre arbítrio.

Estou bem. Estou bem.

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As minhas férias passaram-se entre idas e vindas citadinas, ora com sol ora com chuva. Houve dias que - ainda que limitados pelas 24 horas - pareceram estender-se e prolongar-se no tempo. Quanto mais caminhava, mais o dia se arrastava, não em murmúrios de dor, mas de verdadeira paz. Talvez por isto tenha sentido cada vez menos necessidade de escrever. Estou bem. Estou bem.

... enquanto pessoa estranha que sou, gosto de dias estranhos....

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10 de outubro, pelas 20h30... Chove a potes! Retomei as aulas de aéreos hoje e, de que cada vez que me ausentei do escritório, molhei-me. Desconfiada dos serviços meteorológicos que das últimas vezes não acertaram uma, vim de ténis, casaquinho de ganga para o Verão e o chapéu de chuva ficou em casa. Corridas para um lado e para o outro e em diálogo constante comigo mesma repetia: “devia ter ido para casa”. Talvez devesse, mas não fui. Retomei a marcha para a escola. Desafiei-me uma vez mais. Fiz figura de ursa uma vez mais. Senti-me uma croma uma vez mais. Mas vou continuar, sobretudo porque detesto achar que há qualquer coisa de errado comigo e que essa qualquer coisa me retira o direito de lá estar. Vou mesmo sendo ursa, sendo croma, e todas as mais emoções/sensações que me possam, invariavelmente, continuar a acompanhar. Verdade seja dita, também não sei bem qual é o meu lugar. Se me perguntassem de que gosto eu, responderia apenas que gosto de caminhar. Que diz isto d...

Que deixe ir tudo o que não é para mim!

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Sou uma viciada em certos pensamentos, em certas dores, ...  Há momentos em que me vergo, em que me vergam, e peço àquela entidade que não sei se existe, mas que, se existir, deverei escrevê-la em maiúsculas... "Se Tu me ouves, por favor ajuda-me." Já repararam numa coisa ...? Se fomos criados à imagem Dele, se Ele existe em nós, então não serão as nossas mensagens de suplício dirigidas a nós mesmos? Lídia, por favor, ajuda-te! Haverá maior curador das nossas feridas, do que nós mesmos?  Rendo-me! Que deixe ir tudo o que não é para mim!

Não sei para onde vou, mas para onde quer que vá, hoje será o sítio certo.

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Em dia feriado, os meus passos conduziram-me até Chelas. Mais de uma hora de caminhada, de mochila às costas, seguindo o percurso do 794. Enquanto caminhava, pensava na minha vida. Sou repetente em muitas questões, e sinto-me saturada. Apetece-me levantar a bandeira branca e pedir que me deixem na verdade, sem mais ilusões. A ilusão não me enche, já não preenche nenhum lugar vazio do meu peito. Prefiro viver com a ausência do que com a ilusão da presença. Prefiro estar no que realmente existe na minha vida, do que fingir que estou onde não estou e onde não me querem. Não sinto mágoa, apenas um cansaço que me faz querer gritar um "basta!". Percebo a minha responsabilidade, o que permito, o que autorizo, a forma como vou deixando que me tratem. Mea culpa! Mais uma vez escrevo sobre este meu desejo de liberdade que, no fundo, talvez seja o que há em comum entre todos os meus passeios solitários. Sigo, sigo, sigo! Se não me fizerem questionar a minha capacidade física, so...

Run Baby Run

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Simplifiquei a minha vida. Vou-me retirando dos excessos. Descubro novos interesses, almejo novos objetivos, adquiro novas conquistas. Esta semana consegui correr cerca de 15 minutos seguidos sem parar. Pode parecer uma banalidade, mas para mim é algo que me enche de orgulho. Cuido do meu coração físico e ele vai mostrando maior resistência. Readquiro o hábito, o foco e a disciplina que tive há anos com o ashtanga e que havia perdido com o término dessa prática. Devo dizer que não me rodeio de novidades mas, ainda assim, nunca vivi a minha vida de forma tão plena como agora, e com muitos menos estímulos exteriores.

Os meus refúgios

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Das fotos que tirei recentemente esta é claramente uma das minhas favoritas. Em tempos de cólera, de destilação de veneno nos meios de comunicação social, nas redes sociais e na interação entre as pessoas, prefiro muito mais buscar esta visão do sol a pôr-se num final de tarde. A minha casa 12 tornou-se num local deveras interessante.

Cura

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Reinícios... Sol e lua juntos em Carneiro, a primeira Lua Nova de Abril. Tomei decisões que conto poder cumprir dentro das minhas possibilidades. Busco a minha cura, o meu auto-perdão. Volto a descer, mas desta vez não o faço para mergulhar na sombra, mas sim desço dum pedestal de arrogância e de orgulho, onde achei que deveria de estar. Desço para a planície, para sentir os meus pés na terra, para caminhar, para dar passos, para seguir em frente abandonando mágoas, tristezas, desilusões e sobretudo muita auto-sabotagem. Desço para voltar a subir quando chegar a altura de o fazer.

Navego este meu barco...

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Há um vai e vem de emoções e pensamentos. Navego este meu barco, às vezes em segurança, outras vezes com receio de que o mar se torne revolto. Mas entre um tempo e outro, sinto que há uma maior consciência que não me deixa receosa perante a intempérie, nem me torna demasiado comodista quando a tranquilidade ganha forma nas águas. Já passaram alguns meses e sinto-me mais forte. Mais forte na minha essência, na minha pele, na minha verdade. Comunico menos com o exterior, mas comunico muito mais com o meu interior. Não sei se era exatamente isto que a vida me queria ensinar, mas seja este o pináculo da minha existência, ou não, já me dou por orgulhosa do caminho que percorri.

Diário de Bordo

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O ntem em conversa com a minha melhor amiga, e enquanto debatíamos a veracidade das nossas próprias crenças, comentava com ela que no fundo acredito no que preciso de acreditar para que a vida seja mais fácil. Talvez todos nós façamos o mesmo e damos vida àquelas ideias que, mesmo não podendo ser comprovadas pela razão, nos dão um sentido, a nós mesmos, à vida que temos e para onde a vida nos parece empurrar. Sei realmente muito pouco. E inclusivamente, ainda que possa reconhecer e dar um nome aos meus desafios, isso não significa necessariamente que consiga aprender, superar ou integrar aquilo que me é pedido. Então, o que é real? O que podemos afirmar com certeza absoluta que é real? Não sei. Talvez nada. Às vezes nem eu sei se sou real ou se o sou, nem sempre acredito piamente que os outros o sejam também. Enfim, trata-se de um mero desabafo que não me traz peso. Não procuro respostas definitivas para a existência humana e sei que há muito que não sei. Não enalteço o meu des...

A curar-me!

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17 e 18 de Março trazem-me recordações de um tempo fértil em aprendizagens difíceis com o início desta década. Devo dizer, com bastante orgulho, que tenho enfrentado alguns dos meus demónios. Houve, da minha parte, um reconhecimento interno de características minhas das quais eu não tinha conhecimento. Eu sou o que era, acrescida daquilo que eu não sabia que era. E por isso o trabalho é mais intenso, mas não necessariamente mais sofrido. Saber quem somos, no lado bom e no lado menos bom, é de extrema importância.  Atualmente, quando estou prestes a explodir, paro, respiro fundo e reflito. Por fim, acabo por não reagir tempestuosamente. Não vale a pena. Não se justifica entrar em demandas que estejam a ser sustentadas pela raiva ou frustração. Essa acalmia interior que se vai manifestando cada vez mais, acaba por se refletir, com maior ou menor preponderância, em todas as áreas da minha vida. Fisicamente não regresso a lugares do passado, mas revisito quartos escuros da minha alma e...

Olhar para cima

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Hoje é lua cheia no signo de Leão. Observei-a ontem nos céus no entardecer do dia. Uma camada de nevoeiro parecia rondá-la. Ainda assim está linda. Cada dia mais linda. Sei que é um astro que nos acompanha desde sempre mas vejo a lua com mais brilho do que alguma vez teve. Olhar para ela acalma-me porque ainda que esteja tão distante de mim, de nós, vejo nela uma espécie de lar aonde todos regressaremos.  Crio parcas raízes porque há um desejo maior em olhar para cima do que em olhar para baixo. Não é tanto pela consciência de uma verticalidade mas sim porque estar aqui na matéria não é mesmo fácil.  Falo com ela. Observo-a. Peço-lhe alento e coragem para navegar no mar bravio das emoções. Close your eyes and sleep Ignore all the burdens that you keep