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Dos sonhos

Tive um sonho esta noite. Tentei escrever sobre este sonho, mas não consigo. Não consigo registar toda a intensidade do que senti e, muito honestamente, não o quero fazer.  Ficará na minha mente e no meu coração. Que a cura ainda seja possível e que o (auto)perdão se torne numa realidade! Levo o sonho comigo, no meu cofre interior onde guardo o que de mais precioso tenho.

"A Pianista" de Elfriede Jelinek - Reflexões

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Terminei hoje a leitura do livro "A Pianista" de  Elfriede Jelinek. Não sei muito bem o que pensar do livro e se recomendaria a sua leitura a alguém. Foi-mo oferecido há alguns anos, andava eu ainda na Faculdade. Pelos sublinhados e vaga lembrança, quando peguei nele novamente percebi que o tinha deixado a meio. Entendo o porquê. A linguagem é difícil. Os diálogos são sempre em discurso indireto, estranhos e confundem-se com a narrativa. Os cenários mudam bruscamente e muitas vezes é difícil perceber onde as personagens se encontram e o que estão a fazer.  A par disto tudo, o tema é polémico.  Uma pianista de 36 anos mantem uma relação de co-dependência com a mãe, partilhando ambas inclusivamente a mesma cama. Caso para dizer, que o cordão umbilical nunca foi cortado. Há um controlo exacerbado sobre esta mulher e uma negação total do prazer, influência da educação e controlo maternos. Usa roupas sem graça, pesadas para a idade que tem. Secretamente ela automutila-se,...

Dos corações frios

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O ser humano é adaptável. Aprendemos com o tempo a resistir, a subsistir. Já passei por momentos bem difíceis na minha vida e hoje, perante situações parecidas, reajo com maior calma e serenidade. Quando me vejo, quando sinto o meu coração no peito a bater, digo-lhe em voz baixa: "Não chores que não vale a pena." Ele tem sido obediente. Se partilhasse isto com alguém, penso que me iriam dizer que esta não é a forma certa de lidar com a dor, mas eu não conheço outra. Quando digo que há coisas que não me doem, falo com sinceridade porque parece-me que o "cordão umbilical" que unia a minha mente ao meu coração foi desconectado e atualmente um tem muito mais preponderância do que outro. Se acredito que ainda irei ter o que desejava? Honestamente, não. Uma vez que abandonei as tais ideias de poder da mente e da vibração, não me dou sequer ao trabalho de escolher criteriosamente as palavras que vou usar. Não, não acredito. Não é perda de fé mas inexistência de experiência...

Remoinho

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Não sei quem sou. Sou completamente ignorante no que diz respeito ao ser que me habita. Quando o vejo à espreita, não o encaro. Quando este ser estranho quer chorar, critico-o severamente. Quando quer sentir, bloqueio-o automaticamente. E ele acobarda-se temeroso com o peso do meu chicote mental.                                                                              Reconheço as artimanhas nas quais me coloco a mim                                                                        ...

(Des)controlo

Sou uma pessoa que gosta de ter o controlo em todas as situações. As minhas emoções são diariamente armazenadas nas devidas gavetas. Não digo isto com nenhuma ponta de orgulho. Mensalmente, há um momento em que entro numa espiral descendente. Tudo o que retenho, bloqueio, nego, escondo, acaba por vir à superfície. Por mais difícil que isto seja para mim, e é bastante, permito-me a viver esse descalabro, permito-me a chorar, permito-me a sentir raiva, mágoa e tristeza. Trabalhar na cura implica que consigamos primeiro reconhecer o que é necessário que seja curado. Não é fácil fazer esse processo de identificação, não é fácil reconhecermos que sentimos dor, que há situações que nos causam uma dor profunda. Já repararam como isso nos exige um olhar atento ao lado escuro da nossa alma, onde guardamos mazelas emocionais e outras tantas coisas que, não sendo necessariamente más, habituamo-nos a denominá-las de erros, pecados ou proibições?  Estou nesse momento de tensão. Choro enquanto m...