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Estados de espírito

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Não pretendo que o meu blog se torne no muro das lamentações, por isso reconheço em mim uma certa dificuldade em falar em demasia sobre os momentos que me são mais difíceis. Reconheço, contudo, que é aqui neste espaço perdido da blogosfera em que me sinto mais à vontade para falar sobre o que sinto e o que penso. A última semana tem sido desafiante. Não aconteceu nada de especial mas emocionalmente sinto-me triste e fisicamente sinto-me exausta. Na quarta-feira, a trepar pelo "tecido vertical", sentia dores horríveis nos músculos, uma ausência de força e em dois momentos tive de pedir ao professor que me ajudasse a descer. Resisto a parar porque nos últimos anos desenvolvi a teoria de que só tenho valor pessoal se estiver a fazer coisas. É uma teoria falaciosa mas ganhou raízes fundas. Parar é como se me retirasse valor, mérito e direito de cá andar. Mas tive de ceder. A minha cama é o local mais confortável. O sono profundo é o meu momento de descanso. Penso em demasia. Sint...

Ainda...

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Não tenho respostas e coloco poucas perguntas. Talvez me assemelhe a uma avestruz a esconder a cabeça na areia mas, de momento, é a minha melhor forma de aguentar. O mundo está um caos. A guerra na Ucrânia continua, a crise energética ameaça o próximo inverno, a inflação sobe, os preços de tudo estão a aumentar. Tento fazer uma gestão mais racional do meu dinheiro e afasto-me de todas as notícias para não antecipar cenários que não sei exatamente como se irão desenrolar. A par disso, vejo-me perdida na minha fé, ou na falta dela. Não sei mais no que acreditar. Hoje de manhã, enquanto tomava o pequeno-almoço, imaginei por momentos que somos apenas fios de energia ligados a um sistema central, fios esses que um dia serão desligados. Talvez não tenhamos consciência do que somos e muito menos de quando deixamos de ser uma qualquer coisa. À vinda para Lisboa olhei para a fila de prédios novos, robustos, modernos que preenchem as ruas do Parque das Nações e pareceu-me tudo tão irreal. O cami...

Peço desculpas!

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Desculpas são devidas. Desculpas tardias que requereram da minha parte um trabalho enorme. Sinto-me atualmente extremamente calma. Mas há uns anos o cenário era diferente. A raiva que sentia dentro de mim era enorme. Reagia por impulso, proferia palavras cruéis e magoei pessoas no caminho. Hoje tive consciência do que deveria ter feito de diferente: - Ser honesta comigo, em relação ao que sentia e pensava para que também essa honestidade se manifestasse no meu relacionamento com os outros; - Não descarregar nos outros a minha incapacidade em lidar com as minhas emoções e a minha frustração; - Se tudo isso falhasse, ter a capacidade de pedir perdão mesmo que o perdão não me fosse concedido. Percebo que sempre tive dificuldade em lidar com o que sinto e pedir desculpas, para que do outro lado só viesse o silêncio, era algo que para mim era incomportável.  Ao falar disto com a minha melhor amiga, ela disse-me que, no fundo, eu escolhi o caminho mais longo. Acredito que sim. Mas essa e...

Miradouro da Graça

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O Miradouro da Graça é um dos meus locais favoritos de Lisboa. Se não souber onde ir, um passeio pela Graça será sempre uma boa opção. O 712 deixa-me à entrada da Rua Natália Correia. Passo pelas esplanadas, cruzo-me com os turistas que parecem tão fascinados quanto eu, contemplo o imponente Convento e redescubro, uma vez mais, a bela cidade de Lisboa. A sensação de mística está sempre presente mesmo que possa não estar nos meus melhores dias. A caminhada é um ritual que tenho. Faz-me sentido quando me sinto bem e ainda me faz mais sentido quando me sinto menos bem. Felizmente, as minhas emoções densas não me impedem de me maravilhar, mais que não seja com o que os meus olhos veem.

708

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A pressão intensifica-se e eu sinto-a em mim.  Descobri que sou muito mais pró-activa perante o desconforto. É no desalento e na dor que eu ajo. Assim, temo mas incentivo-me com esta pressão. Receio-a e desejo-a. Tenho medo da mudança mas preciso dela. Não sei ser de outro modo e, talvez por me assustar tanto a apatia, acabo por me deixar conduzir por uma qualquer estrada mesmo que não faça a menor ideia para onde ela me irá levar. Este pensamento acompanhou-me ontem enquanto percorria a Almirante Reis e os Olivais no 708. Era capaz de ficar a circular ad eternum . Apenas me custa regressar a casa. Não estou propriamente numa fase da minha vida em que me queira enfrentar. Prefiro que o exterior me distraia do interior. Mesmo que seja apenas por uns momentos. Fixei a atenção nas lojas de bairro dos indianos, na criança aos gritos que se sentava no banco da frente enquanto o pai falava ao telemóvel, na intensificação do tráfego junto à Rotunda do Relógio. A vida segue, mesmo no tempo...

Grito

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O meu coração está pesado. Reviro a sua pele como se fosse um saco e sacudo-o à espera de que dele caia algo. Voam pedaços de folhas rasgadas com a minha letra impressa. Não me atrevo a juntá-los. Não quero recolher palavras do passado nem histórias que cairam no vácuo. Foram meros disfarces para tudo o que sentia e fingia não sentir. - “Vens para agradar?” – perguntam-me. Encolerizo-me, mas silencio a voz enquanto cruzo os braços sobre o peito. … tic-toc…. … tic-toc…. … tic-toc…. [Rasgo as paredes, parto os vidros, queimo os livros, abro as janelas e grito como um animal selvagem preso numa armadilha…. Arranco pedaços de pele do próprio corpo até chegar às paredes do pequeno coração que insiste em bater. - Pára! – grito-lhe! - Não! – responde-me com uma voz cavernosa.] O grito tenebroso da minha mente acorda-me. Ali continuo sentada de braços cruzados. Minha querida besta infeliz que anseias tanto por sair e eu não deixo.

Viagem

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Começa ali, naquela floresta iluminada pela lua cheia. No ramo de uma árvore pousa uma pomba branca. Os pés nus caminham na estrada improvisada de terra batida. Os dentes-de-leão desfazem-se com o soprar do vento. Malmequeres sorriem e os animais da floresta juntam-se à procissão: ursos, lebres, coelhos e as vacas sagradas sob a égide da Deusa. A batida do tambor acompanha a passada. Se a vida fosse apenas isto, por ali ficava… Mas o vento do Leste empurra para as entranhas da terra e vai-se, a contragosto, forçosamente como quem vai para o matadouro. A escuridão instala-se para que a alma possa ver o que só se capta com o coração. Vês-te? Entendes quem és? Tens a coragem de te assumires com a tua luz e a tua sombra? Consegues ser e viver em amor sem cobranças e exigências? [Not yet! Not yet!] (Imagem: Internet)

Enigma da existência [Citações]

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"É em ti mesmo que se coloca o enigma da existência: ninguém o pode resolver senão tu." (Friedrich Nietzsche)

Sol / Lua

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Há dias de sol que nos pedem atitudes de lua. Há momentos de tamanha clareza que nos sugerem que entremos na escuridão. Na penumbra descobre-se um facho de luz. O dia é belo, tal como é. A noite é bela, tal como é.  Já não luto contra. Não rejeito. Integro.

Noturna

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Uma vez por semana tenho aulas até mais tarde. São três horas de inspiração, de partilha, de imagens e símbolos num espaço virtual que, por mero acaso ou não, é constituído apenas por mulheres.  Nesse dia, e talvez pela hora tardia e cansaço avançado, quando adormeço recebo os sonhos mais pesados, vividos e marcantes da semana. Mergulho num mundo que, ainda que aparentemente distante, habita nas profundezas do meu ser. Esta noite foi atípica. Acordei de madrugada perturbada, mas logo as imagens se dissiparam pelo que não sei a que se devia a minha inquietação. A minha mente parecia ter despertado mas o meu corpo permanecia adormecido. A dada altura dei ordens a mim mesma para sentir as minhas mãos. Mexi os dedos para descobrir alegremente que eles ainda respondiam aos meus pedidos. Apenas os dedos mexiam. O resto do corpo permanecia imóvel. Ainda que engolida pela escuro da noite, não senti medo. A minha casa é o meu porto seguro. É na protecção destas paredes que recupero a minha ...

Lua

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Todo o ser humano nasce com um propósito de vida. Há três desafios: - Entender qual é o propósito? - Aceitar o seu propósito? - Viver esse propósito da melhor forma possível. Aos 37 anos, sinto que começo a perceber qual a missão que trouxe e de que forma a minha alma é desafiada a evoluir. Mantenho porém a resistência. Creio que não se deve aceitar nada por obrigação mas sim por ímpeto interno, daquele que brota das entranhas. E às vezes a nossa própria casmurrice obriga a que esse ímpeto teime em não vir ao de cima. Faz parte, acredito eu! Julgo que a minha cura pessoal passa por abrir o coração, confiar e aprender a dar e a receber. E acredito que essa cura está intimamente interligada ao caminho que sou diariamente convidada a seguir. Estes dois verbos são estranhos para mim. Quaisquer "dar" e "receber" que ultrapassem a lógica e a razão e se misturem com o lado mais sensível da alma, é aterrador. A criança mimada que habita em mim insiste por vezes em fug...

Viagem

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Fecho os olhos. Acedo ao meu íntimo, vasculho nas profundezas do meu ser. Pego num pequenino barco a remos com uma lanterna pendurada na extremidade e sigo pelo rio das veias. Ao longe chegam-me vozes como ecos de palavras ditas por mim há anos e que agora regressam aos meus ouvidos. Há lodo encrostado nas paredes, mas também tímidos fachos de luz a quererem irromper como rebentos. O coração bate como um tambor a marcar o ritmo da viagem. Oiço-o a bater dentro de mim. Oiço-o a bater fora de mim. Forte, confiante. Grita-me do centro do peito: "- É para sentir tudo, sem medos!" Obedeço-me e sinto… tudo.