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Em modo de recolhimento

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Regresso ao meu cantinho na blogosfera, o único local no mundo da web onde me sinto bem. Estou novamente em recolhimento, tal como a lua que mingua nos céus. Ontem, enquanto sentia a vibração do meu tambor nas mãos, um som paralelo tornou-se timidamente audível. Ainda que fossem os meus ouvidos a captá-lo, a minha mente imaginou-o com o formato de linhas de luz a estenderem-se e a contraírem-se no ar. Por instantes, o meu radar interno capturou outras frequências. E foi assim, ainda sob a influência desse estado vibratório, que adormeci no quentinho da minha cama. Às vezes imagino que esse recolhimento me retira do mundo físico e me leva para templos sagrados de conexão à verdade e à vontade. Não me causa desgosto estar encarnada. Muito pelo contrário. Gosto dos pequenos prazeres naturais, como cheirar as flores de outono, ou mergulhar nas águas salgadas do mar da Costa da Caparica. Gosto de uma imperial fresquinha em dias quentes e do sabor das castanhas assadas no Inverno gelado. Ou ...

Lua cheia em Carneiro

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Esta lua cheia puxou forte e feio por mim. Tenho dormido mal, sinto-me constantemente cansada e indisposta. As emoções estão à flor da pele. Não quero estar entre paredes a não ser se forem as do meu Templo. Tento-me centrar enquanto inspiro o cheiro da água florida das mãos. Mas os poisos em que estou não são aqueles por onde a minha alma quer voar. Desafio-me a não fazer algo mas faço. Exijo-me a fazer algo mas não consigo. Tenho consolo no belo silêncio de uma sala vazia antes que as conversas cheguem para perturbar a sua sacralidade. Quero viver. Não quero sobreviver. Não me quero arrastar. Quero estar firme na minha Vontade. Não sei bem que revolução se passa nos céus que me desafia no corpo.

Tambor

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Contrariamente à semana passada, domingo começou nebuloso e tem-se prolongado pela 2ª feira adentro. É o tempo dos mistérios, da natureza em suspiro. Ontem passei perto de Pedrógão para levantar uma encomenda muito especial, o meu tambor. O processo em si não foi assim tão especial ou pelo menos não correspondeu ao que tinha imaginado. Como tudo na vida, as coisas vêm na altura e moldes certos, apesar de todas as ilusões que possamos criar. Gostei de conhecer pessoalmente o João, o artesão que lhe deu vida. Quando falei com ele percebi que a sua energia era muito diferente do comum. É uma alma que vive em comunhão com a natureza, o que contrasta imenso com a confusão caótica da capital. Perguntou-me que fazia eu da vida. Falei-lhe da minha profissão salientado firmemente que sei que a minha alma deseja algo bem diferente. Sorriu então e enquanto apertava as cordas para puxar a pele do tambor disse-me: "sabes, é uma escolha tua!" Respondi afirmativamente como quem sabe bem que...

Viagens paralelas [Lua nova em Virgem]

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Caminhei... Comecei a marcha a partir da casinha de madeira com a lareira acesa e as cores das labaredas a vibrarem. Os pés descalços percorrem a estrada desenhada a preto e branco. No tornozelo esquerdo as flores de metal presas à pulseira dançam ao sabor do movimento dos pés. Chegada à piscina, sou desafiada a mergulhar. Ele espera-me no fundo revelando-me uma caixa entreaberta onde jaz um colar de pérolas.  Com o impulso da vontade (quiçá raiva!) rebento as estruturas de mármore e a água transborda tornando-se a piscina num lago. Sigo para a direita. Vejo-me, eu mesma fora de mim. Outro eu que sou eu.  Meia mulher meio tubarão. Meia mulher meio veado.  Somos tri, somos uma. Os meus outros "eus" circulam-me. Não os posso negar, somos indissociáveis. Tenho de aceitar a luz. Tenho de aceitar a sombra. Tenho de equilibrar a polaridade. Recolho ao meu leito. Preparo-me para dormir. A lua nova em virgem ocorre à 1h52. Vejo-o com outra. Abandona-me, rejeita-me, neg...

Para dentro

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E as máscaras vão caindo... A pandemia mostrou-nos quem já eramos mas escondíamos dos outros e, sobretudo, de nós mesmos. Para o bem e para o mal. Há um extremismo que me assusta e que me deixa por vezes sem saber para onde me virar. Aí lembro-me de que não me quero virar para nenhum lado exterior, mas apenas para dentro e logo a calma chega. Quando escolhemos viver em paz num mundo de guerra, acabamos por ser a nossa maior e melhor companhia. Quem diria que o inimigo interno poderia virar amigo?!

08/08

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Domingo, 08 de Agosto de 2021, dia de lua nova em Leão. Dia que ficará marcado pelo meu "batismo", o meu renascer e renovação do compromisso para comigo mesma. Encontro-me naquilo que sou, na polaridade, na vontade, na incerteza, na coragem, no receio e, sobretudo, na fé. Caminho em direção a mim levando o que ainda faz sentido manter, deixando o que faz sentido que fique para trás. Não conheço de antemão o caminho, mas sigo de 💓 aberto.

Do regresso a mim...

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Do caminho... Do regresso a mim... Da conexão... Da verdade... Estou e não estou! Sou e não sou! E ainda que, de alma encarnada, possa ceder aos caprichos do ego, a minha alma liberta vê e reconhece a alma do outro e, num plano que não este, segreda-lhe: "Tive tantas saudades tuas. É tão bom rever-te!" Perante a raiva, respondo com o amor. Perante a mágoa, respondo com o perdão. Tenho vindo a aprender o significado do amor e do perdão, muito para além dos conceitos. Aprendo não com o que penso, mas com o que sinto. Do caminho... Do regresso a mim... A melhor viagem de sempre... Anima hampuy Anima hampuy Anima hampuy 🙏 Pelo fogo, pela terra, pelo ar e pela água.

Eu

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"Perguntas-me qual foi o meu progresso? Comecei a ser amigo de mim mesmo." | Séneca

A garota não - Mediterrâneo [Daquelas músicas que não saem da cabeça]

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Tubarão

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Mergulhei fundo esta noite. Lembranças camufladas foram sussurradas ao meu ouvido enquanto me deixava cair no inconsciente. O Dragão de Água, pousado no meu altar, antecipava a intensidade do que viriam a ser os meus sonhos. Vi-me a caminhar numa praia, acompanhada por uma mulher, as duas vestidas com túnicas pretas. O mar estava revolto. O vento era forte, fazendo sacudir a areia. A dado momento disse-lhe: “Temos de nos ir embora, a maré vai subir depressa.” Tentámos apressar o passo, mas o vento e a subida rápida das águas tornavam difícil a nossa caminhada. Em pouco tempo, a água já nos dava pelo pescoço. Tínhamos sido apanhadas pelas águas. Nada mais restava a fazer que não fosse mergulhar. Tudo ficou escuro. No mundo subaquático viam-se destroços sem relevância. Apenas umas aparentes lamparinas - que apesar de se encontrarem em água ainda não tinham perdido a sua luz – me chamavam à atenção. Até que o vi.   Grande, majestoso, a vir do fundo do mar com uma boca enorme. ...

Resgate do nosso animal [Excerto]

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“Nesta criação de uma divisão entre o espírito e a matéria, a mente e o corpo, os nossos animais interiores ficaram engaiolados, assustados e esquecidos. Aparecem-nos apenas em sonhos – tornaram-se nas bestas que se ocultavam nos recantos do nosso mundo civilizado – lobisomens e predadores perigosos que simbolizavam as ânsias “animalescas” do homem demasiado “civilizado” para reconhecer a sacralidade do corpo e do animal. Mas, paradoxalmente, enquanto rejeitarmos o animal em nós, jamais poderemos ser realmente humanos. Para recuperar a nossa humanidade, temos de os acolher – amando e conhecendo cada um dos que habitam nos nossos corações e nas nossas almas.”   Philip e Stephanie Carr-Gomm, in “O Oráculo Animal dos Druidas” (Imagem da net)

Viagem

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Começa ali, naquela floresta iluminada pela lua cheia. No ramo de uma árvore pousa uma pomba branca. Os pés nus caminham na estrada improvisada de terra batida. Os dentes-de-leão desfazem-se com o soprar do vento. Malmequeres sorriem e os animais da floresta juntam-se à procissão: ursos, lebres, coelhos e as vacas sagradas sob a égide da Deusa. A batida do tambor acompanha a passada. Se a vida fosse apenas isto, por ali ficava… Mas o vento do Leste empurra para as entranhas da terra e vai-se, a contragosto, forçosamente como quem vai para o matadouro. A escuridão instala-se para que a alma possa ver o que só se capta com o coração. Vês-te? Entendes quem és? Tens a coragem de te assumires com a tua luz e a tua sombra? Consegues ser e viver em amor sem cobranças e exigências? [Not yet! Not yet!] (Imagem: Internet)

Nada para dizer... Só ouvir... Só sentir...

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Michael Harner: Shamanic Journey – 30 minutes solo drumming

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Sabe tão bem dançar ao som do tambor <3 "Beat! beat! drums!—blow! bugles! blow! Over the traffic of cities—over the rumble of wheels in the streets; Are beds prepared for sleepers at night in the houses? no sleepers must sleep in those beds, No bargainers’ bargains by day—no brokers or speculators—would they continue? Would the talkers be talking? would the singer attempt to sing? Would the lawyer rise in the court to state his case before the judge? Then rattle quicker, heavier drums—you bugles wilder blow." Walt Whitman