Mensagens

A mostrar mensagens com a etiqueta louca

Nenhures

A noite vai chegar mas os passos não cessam. É caminhar até à exaustão. Chegará o momento de regressar, mas não será hoje. Não será hoje. O pôr do sol é para ser visto. O frio da tarde a entranhar nos ossos é para ser sentido. As ruas desertas são para serem encontradas. É no espaço onde pouco se vê e quase ninguém se encontra que eu me sinto viva. Escolho a minha loucura porque há momentos em que a sanidade mata mais depressa.

Gritos

Imagem
Gritos surdos que bombeiam por dentro, queimam, ardem na pele escondida, provocam feridas para serem escarafunchadas pelos dedos num ato sórdido de masoquismo. A boca não solta palavras, as palavras são sim agressivamente extraídas pelos dedos que recebem a pulsão. Há excessos de fúria como se resultado de uma embriaguez que, no entanto, é desprovida de álcool. Quando mensalmente o monstro é acordado no peito de uma mulher, exige-se que ele seja vivido. E ela vive-o. Vive o monstro, torna-se no monstro, é o monstro. E dança incontrolavelmente, histericamente, excessivamente até que o corpo ceda e caia no chão. Caído no chão ela ri como uma louca, demente, sem tino, sem siso, sem discernimento. Rende-se ao que é quando ninguém [a] vê, quando ninguém [a] ouve, quando ninguém imagina os segredos que traz escondidos no coração. Crava as unhas na própria pele, arranca os cabelos e o grito ganha voz. Por fim, uiva como uma loba selvagem.