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Em processo

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Tive hoje consulta de psicologia. A terceira. A primeira deu-me esperança. Na segunda não senti o mesmo ímpeto. Hoje creio que talvez tenha conseguido um certo equilíbrio. Há ideias e emoções minhas com as quais estou familiarizada. Há certos padrões que são reconhecidos. Mas hoje consegui alguns insights que ainda não eram tão óbvios para mim. Foi produtivo. Enquanto estava na sala de espera, a aguardar a minha vez, chamou-me à atenção uma senhora de certa idade a brincar com o neto. A criança ria e a senhora ria a cada gracinha feita por aquele menino pequenino. Por momentos, desejei poder voltar a ser criança. Fazer-me tábua rasa e poder construir uma nova história, uma nova pessoa. Conforme comentei depois com a minha psicóloga, sei que todos nós temos dificuldades de alguma espécie e para cada um de nós os seus desafios são sempre perspectivados com uma certa dose de dificuldade. Não sofro mais do que os outros. Mas estou cansada de fazer esta caminhada. Não estou cansada de exist...

Vivendo com POC e ansiedade - 2

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Fui ao médico. Pela primeira vez posso afirmar que estou a ser devidamente acompanhada. Já marquei consulta de psicologia para o início de Novembro. Quero "curar" a minha mente. Não sei se curar é a palavra certa, até porque duvido muito que seja possível curar comportamentos e pensamentos que já estão tão enraizados. Confesso que a farmacologia ainda não me trouxe grandes melhorias. Em relação à minha toma habitual, foi aumentada a dosagem de 50mg para 100 mg. Li na bula que o máximo diário aconselhável é de 200mg. Não sei bem o que é que estava à espera que acontecesse. Alguma melhora, quicá! Mas sinto-me pior. Sinto que os meus sintomas pioraram. A minha mente não pára. Há momentos em que me sinto tão cansada que tomo um calmante não porque me sinta ansiosa mas para ver se o fluxo mental abranda. Estes sintomas são-me familiares. Há cerca de 12/13 anos passei por algo semelhante, um ano depois de ter sido consultada pela Ana Rita e de ter aprendido, em 6 meses, a controlar...

Abraço-te minha pequenina.

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Abraço-te minha pequenina. Conheço tão bem a tua dor, o teu medo, a tua ansiedade e a tua tristeza. O quanto tentaste resolver circunstâncias que não eram da tua responsabilidade. Sabes, também eu agora sinto dor, medo, ansiedade e tristeza. Mas coloco-te protegida no meu coração, para que seja a mulher adulta que sou a tentar resolver os problemas. Sabes pequenina, pedi ajuda para te curar, para me curar, para nos curar. Fi-lo por ti e por mim. Abraço-te minha pequenina. Coragem, para nós as duas!

Final de Ano

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Chegámos ao último dia do ano de 2022. Como principal resolução mantenho o meu desejo de, gradualmente, abandonar o mundo virtual (com excepção deste meu espaço de desabafo) e concentrar-me no mundo real, nas vivências do dia a dia sem filtros. Esta semana foi boa, impactante e deu-me foco para o início do novo ano. Consegui fazer uma subida em esquadro no trapézio pela primeira vez, sozinha. Consegui fazer uma sucessão de lunges na aula de bodyattack. No final da semana deliciei-me com um buffet de comida chinesa, num restaurante. Sentada lá, a olhar para a azáfama em redor, senti-me bem, feliz e sobretudo bem acompanhada por mim mesma. Confirmo o velho saber de que a felicidade vem de dentro. É um facto. Claro que as circunstâncias exteriores também nos condicionam e percebo que seja muitas vezes difícil encontrar essa paz. Mas pelo menos que tentemos ser felizes quando não há motivo para não o sermos. Por fim, regresso ao meu Cartaxo. Ao passar junto à minha antiga escola preparat...

Cabo Espichel

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Revisitei ontem o Cabo Espichel, um dos meus locais favoritos. Acordei nesta manhã de Sábado com uma alegria enorme só de pensar no passeio que ia fazer. Parecia uma criança a quem estavam a oferecer um presente. Assim o vejo, nesta possibilidade privilegiada de poder percorrer estes locais mágicos de Portugal. Relembrei, mais uma vez, momentos da minha infância. Este regresso ao passado tem sido uma constante nos últimos tempos e afirmo, com uma leveza no coração, que me sinto bem por fazê-lo. Na companhia dos meus pais, visitamos as ruínas e a igreja do Santuário de Nossa Senhora do Cabo Espichel. Pensei na quantidade de gente que terá ocupado aquelas velhas casas atualmente desabitadas. O tempo passa mas há algo que se conserva naquelas paredes e naquele chão. Passamos, depois, junto ao Farol. Imaginei aquela luz forte a iluminar as águas do Oceano Atlântico que batiam ruidosamente no monte escarpado. Tantos marinheiros que terão passado por ali! Tantos que se perderam naquelas á...

Memórias

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Lembro-me de três gerações a passarem a ponte. Lembro-me da minha pequena mão de criança segurada pelas matriarcas. Lembro-me do barulho feroz e do fascínio que sentia à passagem do comboio. Lembro-me das minhas heranças trazidas no sangue, no ventre e na memória. Lembro-me de um tempo que já lá vai mas que fica. Celebro-o! E agradeço-lhes, àqueles e àquelas que vieram antes de mim. 

Retorno

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Vim passar uns dias de férias. O voltar à família faz-me crer que há coisas que não mudam. Por um lado, agradeço pelo que tenho. Por outro, acabo por encontrar sempre a minha menina interior, e isso não é fácil. Está nela o meu passado, o meu Eu que queria crescer rápido de mais, mas que encontrou um processo moroso. Cronos é implacável. Há que aceitar com a mesma maturidade que ele próprio exige. O seu frio estrutura o meu ser interior e, se bem que o calor da estação em que a minha alma escolheu nascer tente entrar, encontra frequentemente barrada o seu trajecto. A vida puxa-me de sul para norte e eu bem tento ir, mas quase sempre com pouca vontade. Nos últimos meses, e em diversas circunstâncias, vi espelhadas partes de mim que tive dificuldade em reconhecer. Sou isto mas quiçá preferisse ser aquilo, não sendo propriamente claro o que é "isto" e o que é "aquilo" e qual a diferença entre ambos. É o meu eterno retorno a uma velha questão de querer definir e assumir...