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Da vergonha

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Tenho POC. Não tenho vergonha de ter POC, mas sim daquilo em que o POC me torna. Na semana passada voltei às minhas caminhadas, e soube-me bem. Voltei a sentir uma alegria que às vezes me acompanha quando me aventuro por Lisboa, mas que nem sempre consigo encontrar — principalmente nos últimos tempos. Mas o pensamento lá esteve. É uma vozinha maliciosa que me segreda aos ouvidos mil e uma tragédias hipotéticas. Só há uma forma de acabar com os cenários imaginários — de forma provisória, claro, porque passada uma hora eles voltam. A compulsão surge aí, nesse momento. Pareço uma drogada, presa a um vício mental. E aí sinto vergonha. A minha psicóloga deu-me um exercício para fazer. Falhei, como já sabia que iria acontecer. Ridículo aos olhos de qualquer pessoa minimamente normal, mas também aos meus próprios olhos — ainda que eu pouco tenha de normal. O desafio dela obrigou-me a estar muito consciente de quando as obsessões chegam. Quero calar a voz, mas ela não cala. Quero acabar ...

Pausas

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Passou cerca de um mês da última publicação. Fiz anos entretanto. Fui de férias. Tive de mudar a bateria do meu carro novo. Iniciei as consultas com a nova psicóloga. Regressei aos treinos. Fui à missa no último Domingo. Não necessariamente por esta ordem. A par disto, tenho sido acompanhada por uma enorme ansiedade. Tenho dificuldade em dormir uma noite inteira e não consigo relaxar. Como a minha irmã concretizou tão bem, eu estou constantemente em modo de alerta.  Quero voltar aos momentos em que me sentia em paz e mentalmente teletransporto-me para as caminhadas junto ao Parque da Bela Vista. Lembro-me especificamente desta caminhada, de mochila às costas e a sentir-me nada cansada por estar a caminhar em dia de calor. Atualmente, até caminhar me cansa. Não tenho a mesma resistência que tinha há dois anos. Não sei se isto se deve a um cansaço físico ou é apenas consequência dos meus estados mental e emocional. Na maioria das vezes, busco refugir-me na minha casa e evitar grandes...

Tenho P.O.C.

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Sou Cristã e tenho P.O.C. Tenho P.O.C. há mais tempo do que me lembro de ser Cristã. Deus é libertação. Tudo aquilo que o P.O.C. não é. Por norma consigo ter 4 ou 5 anos de relativa estabilidade até que sucede um período de crise. A doença ganha forma e a minha mente enfraquece. Tento fingir qualquer coisa para o mundo inteiro como se o mundo inteiro reparasse ou estivesse minimamente preocupado. Desde há uns anos, percebi que foi a minha doença que me levou a afastar das pessoas e não querer/conseguir criar grandes relações. Sempre achei que, qualquer pessoa que privasse comigo por mais de 24 horas, iria perceber que há qualquer coisa de muito errada comigo.  Aprendi a inventar desculpas. "Não posso!". "Não consigo nesse dia!" Ou a correr para as casas de banho entre eventos para poder realizar os meus rituais. A minha mente não para. Ela não para! Diariamente me alerta para perigos que julga ela serem eminentes. Todos os dias ela me diz que tenho de me preparar pa...