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Avaliação

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Plutão transitou sobre o meu descendente e avançou. Hoje consigo olhar para trás e analisar em consciência uma fase importante da minha vida. Plutão trouxe-me a raiva, a ira, uma espécie de adrenalina que mantinha o meu coração em modo acelerado quase constante. Sentia-me um vulcão que após anos e anos de estado inativo rebentava agora e cuspia lava e detritos em todas as direções. Não filtrei palavras, nem sentimentos. Fui abandonada por pessoas para que outras ocupassem os lugares entretanto deixados vazios. No meio desta revolução interior densa e até um pouco mórbida, descobri em mim características que desconhecia. Houve momentos em que me surpreendi com o meu próprio comportamento, mas, verdade seja dita, não tenho arrependimentos. Foi quando deixei de tentar ser qualquer coisa, que tomei consciência de quem sou verdadeiramente. Não vivemos para nos tornarmos. Vivemos para sermos numa busca diária de equilíbrio entre a luz e a sombra, entre a razão e a emoção. O turbilhão de que ...

Escolho o amor e o perdão

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Escolho o amor e o perdão. Não porque sejam a saída fácil, mas porque só no amor e perdão reconheço a possibilidade de poder transformar por completo o meu mundo. O amor que começa em mim, e por mim, e depois pelos outros... O perdão que começa em mim, e por mim, e depois pelos outros... Não é egoísmo. É ser capaz de me reconhecer com alguém que encontra em si o que espera encontrar nos outros e, sobretudo, procura primeiro em si mesma antes de procurar nos outros. Somos, cada um de nós, o nosso ponto de partida. Fantástico não é?

Terra interior

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Há uns anos, num dos primeiros diálogos que tive com um dos meus (na altura!) grandes amigos, ele relembrou-me que só podemos trabalhar a nossa própria terra. Esta terra não diz respeito ao local onde nascemos ou habitamos, mas a nossa terra interior, o nosso caminho e percurso de vida. Às vezes questionava-me como certas pessoas enfrentavam com tanta bravura as dificuldades e amarguras da vida até que percebi que elas, a bem ou a mal, aceitaram o caminho que vieram fazer, essa terra sagrada que as habita e sobre a qual pousam os seus pés. São tempos difíceis... Ninguém duvida disso. Atualmente a conjuntura mundial é a que todos nós conhecemos e individualmente cada um de nós foi, é ou será afetado pelas mudanças que estão em marcha. De pouco valem os lamentos e muito menos a vitimização. Em nós existe e existirá sempre a possibilidade da escolha, de qual o caminho a seguir e de como enfrentar as consequências da nossa decisão. A lua hoje junta-se ao sol no signo de Balança e desde há ...

"Todas as mulheres são magas" [Excerto]

“Todas as mulheres são magas, a nossa magia é a habilidade inata de criar e transformar nossas experiências de vida. Como mulheres, a opção de que dispomos, é se iremos praticar essa magia conscientemente e qual o potencial mágico que usaremos. O resultado deste processo é o surgimento de uma “nova mulher”, emergindo da libertação para a plenitude e se alegrando com este movimento de libertação e expansão, uma verdadeira dança rumo à realização. Primeiramente devemos identificar claramente quem somos e quais são os nossos problemas e dificuldades. Depois precisamos nos aceitar como somos e avaliar se a nossa conduta até agora foi correta, de acordo com a própria consciência. E por fim, nos abrirmos para todo o potencial, poder, habilidades e possibilidades latentes e existentes em nós, reprimidas ou desconhecidas. A dança é complexa, cheia de movimentos intrincados e delicados. Cada mulher tem o seu próprio ritmo, podendo escolher os passos, a cadência e as sequências. Mas há uma recom...

As pequenas mortes

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O arcano sem nome é a minha carta favorita no tarot. Chamemo-lo pelo que é: a morte. É uma carta que à primeira vista pode assustar. Sobretudo no mundo ocidental lida-se mal com o término da vida e o desconhecido. No entanto, esta carta muito pouco tem a ver com a morte física. Todos os dias nós morremos e renascemos mesmo que tenhamos pouca consciência disso. Pedaços de crenças, ideias, sonhos e desejos nossos perecem para dar lugar a outros. O sol “morre” para que na escuridão do céu possamos ver a lua e o brilho das estrelas. Este processo é lindo e necessário, como também são aqueles que geram turbilhões dentro do nosso peito e que nos incitam ao crescimento. Esta carta pede o desprender da velha pele, dos hábitos ou ideias que já não nos servem nem a nós nem à nossa verdade. A dor resulta por vezes do apego. Quantos de nós não se agarram com unhas e dentes a situações que nada mais trazem do que desilusão? Mas fazemo-lo por medo do desconhecido e porque aquilo que se conhece, p...

Vénus em Caranguejo / Imperatriz

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Nunca foi minha pretensão fazer um post sobre astrologia. Apesar do meu fascínio intermitente, não me considero minimamente entendida no assunto. Mais eis que vénus ingressa neste signo e sou impelida a falar sobre aquela que é também a minha vénus natal. Nasci com imensa energia de caranguejo. Quem me conhece, sabe que integro mal esta energia dedicando mais tempo a rejeitá-la do que a aceitá-la. Das muitas explicações que li, e acreditem que foram muitas, nenhuma me fez sentir o mínimo de orgulho. Palavras como “nutrição”, “doçura”, “maternal” e, a minha preferida, “boa cozinheira” não me agradam verdadeiramente para considerá-las um elogio. Sejamos honestos, não acredito que uma rapariga fique particularmente feliz quando lhe falam mais no ser mãe do que no ser mulher como se esta mulher só se pudesse sentir realizada a ser mãe. Felizmente, o estudo do Tarot Terapêutico trouxe-me uma nova visão deste caranguejo e uma forma muito mais saudável de integrar esta vénus. N...

Agosto

Chegámos a Agosto, o tempo quente, momento das férias e do trânsito mais calmo em Lisboa. Este ano há menos pessoas nas ruas e muito menos interação. É um tempo de paragem, apanágio de 2020. Tenho lido algumas notas astrológicas sobre este período, mas pouco ou nada me suscitam interesse. Diz-se muito do mesmo. Às vezes gostaria que parássemos todos de procurar explicações para o que nos acontece e que nos limitássemos a estar e a ser. Neste momento não me apetece rigorosamente nada, nem pretendo nada. Desliguei-me do que foi e em relação ao futuro, parece-me que não é a altura de me preocupar com isso. Ontem enquanto caminhava pela Av. Infante Santo – avenida relativamente sossegada, com algumas poucas pessoas nas esplanadas -, senti que algo nos abandonou. Não falo de uma pessoa, de um Deus, de uma energia… Falo de um tempo que findou e de uma história que terá de ser reescrita, lentamente, pelas mãos de todos nós à custa das nossas próprias desconstruções. E isso assusta-me um...

Mulheres

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Encontrei esta imagem hoje. Desconheço a autoria. É uma imagem linda a meu ver. Trabalhar a fraternidade entre mulheres tem sido um dos meus mais recentes desafios. Encontro-me entre mulheres que são como eu, que carregam sonhos e expectativas, mágoas e desilusões, mas, e ainda assim, não desistem. Através do que aprendo com elas, tento curar as minhas próprias feridas, algumas das quais já estão tão encrustadas que custam a sair.  Mas vão sair, a seu tempo. <3 Estou certa disso. (Imagem retirada da net, pode ter direitos de autor)

Trabalhos

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Tenho feito o trabalho de casa, a reflexão, a procura, o vasculhar dentro de mim, nas profundezas, no que dói, no que desejaria talvez esquecer. Há uns valentes meses escrevi que há quem nos ensina pela presença e quem nos ensina pela ausência. Os últimos tempos têm sido pródigos na arte de me ensinar exatamente isto. Descubro, com agradável surpresa, que não fico nem menos acompanhada, nem mais sozinha. Fico em mim, mas este "Eu" não é o de há três meses, ou de há um ano, ou de há cinco anos. Este "Eu" sofreu a mudança própria do ciclo da vida, desprendeu-se de uma velha pele deixando antever uma nova camada que, pouco a pouco, recebe os seus primeiros raios de sol. Apesar de todas as dificuldades associadas, acho este processo maravilhoso e mágico. Dá medo mas vai-se à luta.

Noturna

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Uma vez por semana tenho aulas até mais tarde. São três horas de inspiração, de partilha, de imagens e símbolos num espaço virtual que, por mero acaso ou não, é constituído apenas por mulheres.  Nesse dia, e talvez pela hora tardia e cansaço avançado, quando adormeço recebo os sonhos mais pesados, vividos e marcantes da semana. Mergulho num mundo que, ainda que aparentemente distante, habita nas profundezas do meu ser. Esta noite foi atípica. Acordei de madrugada perturbada, mas logo as imagens se dissiparam pelo que não sei a que se devia a minha inquietação. A minha mente parecia ter despertado mas o meu corpo permanecia adormecido. A dada altura dei ordens a mim mesma para sentir as minhas mãos. Mexi os dedos para descobrir alegremente que eles ainda respondiam aos meus pedidos. Apenas os dedos mexiam. O resto do corpo permanecia imóvel. Ainda que engolida pela escuro da noite, não senti medo. A minha casa é o meu porto seguro. É na protecção destas paredes que recupero a minha ...

Gritos

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Gritos surdos que bombeiam por dentro, queimam, ardem na pele escondida, provocam feridas para serem escarafunchadas pelos dedos num ato sórdido de masoquismo. A boca não solta palavras, as palavras são sim agressivamente extraídas pelos dedos que recebem a pulsão. Há excessos de fúria como se resultado de uma embriaguez que, no entanto, é desprovida de álcool. Quando mensalmente o monstro é acordado no peito de uma mulher, exige-se que ele seja vivido. E ela vive-o. Vive o monstro, torna-se no monstro, é o monstro. E dança incontrolavelmente, histericamente, excessivamente até que o corpo ceda e caia no chão. Caído no chão ela ri como uma louca, demente, sem tino, sem siso, sem discernimento. Rende-se ao que é quando ninguém [a] vê, quando ninguém [a] ouve, quando ninguém imagina os segredos que traz escondidos no coração. Crava as unhas na própria pele, arranca os cabelos e o grito ganha voz. Por fim, uiva como uma loba selvagem.

Mulheres que Correm com Lobos

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Sei que terei de escrever um post sobre este fantástico livro. Tudo a seu tempo! Por enquanto, absorvo as palavras que me chegam na altura certa. Estas, entre muitas outras:

Deep[ness]

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Viro-me para dentro… Descasco-me…  ~~~~~~~~Movimento alternado.~~~~~~~~ Oscilação entre o mostrar e o esconder, o descobrir para depois revelar. Mergulho dentro de mim, nas profundezas do meu ser, nado junto aos meus monstros marinhos. Às vezes amigos, outras vezes inimigos. Chego à berma… Afogo-me… Deixo-me afogar e ressuscito a seguir. Não resisto à corrente que me leva para os meus próprios recônditos. Estou em prova. Não há como voltar atrás.

My sweet demon

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Sujeita a atritos raivosos. Nervoso colérico que borbulha dentro de mim. Sempre à espreita. Tão familiar. Já conheço, já o enfrentei. Já bati com a porta e já bati com a cara na porta. O lado violento e negro que assoma à fronteira da minha alma. Reconheço-o, o demónio disfarçado que me incita ao combate, desprovida de argumentos e cega de raiva. Paro então, por momentos. Respiro fundo. “Hoje não! Hoje não me vences. Vou apanhar ar, vou respirar natureza. Vou ser amor logo no dia mais propício ao amor, amor genuíno por mim mesma. Vou sentar-me numa cadeira de café embalada por um cappuccino e um bom livro.” Sigo. Deixo. Abandono. Dou a cara. Recebo o estalo. Está tudo bem. (Imagem da Internet)

Mulher

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Cheguei àquela fase da vida em que só quero ser eu mesma, misto de diamante e lama, foco de luz e de trevas. Vivo o momento do nada esperar e nesse nada esperar reconheço que sou mulher, sou merecedora e sou capaz.

Expect nothing

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I went to yoga yesterday but it felt different. Nowadays it always feels different. One of my longest relationships has been with yoga. It started 7 years ago. We have had good and bad moments. I went from wanting nothing else but to practice, practice, practice to having to force myself to go to the shala, and the other way around. I hit the bottom several times, I filled myself with disappointment and allowed my ego to get the best of me. But then I would come back and try again. Every thing that was supposed to happen did happen. A mix of joy and tears, trust and disbelief. I had the uauuuu moments and the crappy moments. I did great and I did poorly – all entirely necessary. But relationships are meant to evolve and change. It’s natural! Truly speaking, I’ve lost my addiction and I’m happy for that. It is when we lose the addiction that we can start healthy relationships. Furthermore, my inner child - that was once so lost - is now content with what is, with how fa...

Nada

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Dispo a pele. Abandono-me ao invisível. Retorno ao estado embrionário sem receios e caminho sem nunca olhar para trás. A minha alma serena por fim. Não procuro nada. Não procuro ninguém.

Breathe

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I am a very impulsive person. When motivated by hard feelings I can end up saying things I will regret later. Last January someone told me life would start demanding more from me from now on. She was absolutely right. I thought I would lose my ground but I got tougher. Then I thought I was tough enough to not lose my ground but I completely lost it. I’ve cried when I thought I had no reasons to and smiled while feeling completely broken inside. I have no idea where to turn right now but I know exactly where is the place I want to be. I have all certainties and every doubt at the same time. Lately I have been the nicest person to some people and a true bitch to others in a question of seconds. I’m a mess and I’ve never felt so total in my life. How can I deal with all this? This energy that brings the best and the worst in me? That makes people love me and hate me at the same time? Help. I need to breath.

Peregrinação

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Ando em modo peregrinação, entre fins e recomeços, adeus e olás. Vou caminhando para libertar energia em excesso, sendo certo que liberto mais do que isso. Tenho por companhia uma sensação de estranheza.   Há um ribombar interior eletrizante. Se me disserem naquele momento que sou capaz de tudo, acredito. Não acredito antes nem depois, mas, naquele exato momento, acredito. Semana após semana lá vou eu de mala às costas. Faço sempre o mesmo caminho. Passo sempre pelos mesmos sítios. Termino sempre no mesmo local. Talvez seja a única rotina que nunca me parece rotina.

Folhas ao vento

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Foram-se. 1, 2, 3, 4, 5 e tantas outras folhas desprenderam-se dos ramos e rodopiam agora ao sabor do vento. Olhos indiscretos observam-nas naquela dança sincronizada. Nada as agarra! Nada a impede! Nada as detém! Voam certeiras para o seu destino deixando para trás quem as olha. O observador permanece imóvel mesmo depois de as perder de vista. Regista na sua memória o momento da ausência. Apercebe-se então daquela velha árvore enraizada na terra com 1, 2, 3, 4, 5 e outras tantas folhas a menos. Tão descomposta, mas tão majestosa! Mesmo despida a árvore nunca duvida, nem por um segundo, de que continua a ser árvore.