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Vivendo com POC e ansiedade - 2

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Fui ao médico. Pela primeira vez posso afirmar que estou a ser devidamente acompanhada. Já marquei consulta de psicologia para o início de Novembro. Quero "curar" a minha mente. Não sei se curar é a palavra certa, até porque duvido muito que seja possível curar comportamentos e pensamentos que já estão tão enraizados. Confesso que a farmacologia ainda não me trouxe grandes melhorias. Em relação à minha toma habitual, foi aumentada a dosagem de 50mg para 100 mg. Li na bula que o máximo diário aconselhável é de 200mg. Não sei bem o que é que estava à espera que acontecesse. Alguma melhora, quicá! Mas sinto-me pior. Sinto que os meus sintomas pioraram. A minha mente não pára. Há momentos em que me sinto tão cansada que tomo um calmante não porque me sinta ansiosa mas para ver se o fluxo mental abranda. Estes sintomas são-me familiares. Há cerca de 12/13 anos passei por algo semelhante, um ano depois de ter sido consultada pela Ana Rita e de ter aprendido, em 6 meses, a controlar...

Artérias

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Estou atordoada. Este meu estado já me levou a enfardar um kebab em pleno Martim Moniz. Lá se vai o trabalho das últimas aulas de ginásio! Não me apetece ir para casa. A temperatura subiu. Apetece-me caminhar, caminhar e caminhar. [Lisboa desvenda-me por favor os teus segredos!] Cruzei em passo acelerado o Jardim do Torel e segui por ruas por onde nunca tinha passado antes. Descobri onde, supostamente, morreu Luiz de Camões e, porque uns nascem e outros morrem, descobri igualmente o local onde nasceu Amália Rodrigues. Próximos um do outro. Ao descer pela Calçada Garcia, passei pelo Everest Montanha. Fui a este restaurante em 2017. Lembrei-me disso, dos amigos que me acompanharam, dos amigos que já não o fazem. Há coisas em que eu insisto em não pensar, mas a vida não permite fugas nem assuntos não resolvidos. O que não aprendemos a bem aprenderemos à força e à força pode significar, consoante o nosso grau de resistência, a mal. Tudo me vem de enxurrada, tais emoções engolidas à forç...

Fim de Semana

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Vim à descoberta do Beato caminhando por entre pequenas casas de um só piso que me lembram a casa de madeira da minha bisavó em Porto de Muge. Não sei que estou eu a recordar por terras onde nunca passei e admito que não seja a terra em si que me traz a memória, mas sim o sentimento que me vem, quiçá, motivado por outras caminhadas introspetivas que realizei noutro tempo. Dou esses passos sozinha e com um silêncio apenas interrompido pelo "Bom dia!" de uma senhora cansada, a subir a ladeira carregada com os sacos das compras. De cima vejo as traseiras do cemitério do Alto de São João. Lápides brancas alinhadas pela encosta. Penso, por instantes, quantas histórias jazem ali, histórias perdidas no tempo. A vida é estranha quando pensamos na finitude de (quase) tudo. Realmente não levamos nada connosco a não ser, como surgiu em conversa, o crescimento da nossa alma. No Domingo retomei o mesmo ponto de partida. Tinha planeado ir à Penha de França, mas enganei-me no ...

Memórias

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Lembro-me de três gerações a passarem a ponte. Lembro-me da minha pequena mão de criança segurada pelas matriarcas. Lembro-me do barulho feroz e do fascínio que sentia à passagem do comboio. Lembro-me das minhas heranças trazidas no sangue, no ventre e na memória. Lembro-me de um tempo que já lá vai mas que fica. Celebro-o! E agradeço-lhes, àqueles e àquelas que vieram antes de mim. 

Dia 10

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Ontem saí do trabalho sem saber muito bem para onde ir. Não me apetecia ir para casa. Apesar de estar um frio de rachar, aventurei-me pelas ruas escuras por onde, há dois anos, seguia caminho quase semanalmente. Já tinha passado várias vezes perto da Basílica da Estrela mas não me lembro de lá ter entrado, até ontem. A minha mãe tem um fascínio por igrejas e capelas, algo que talvez eu nunca venha a entender. Mas é um facto que naqueles espaços se sente uma paz e tranquilidade enormes. Caminhei lentamente, observei com atenção a cúpula e "falei" com  Santa Teresa. Questionei porque se sacrificou pelos outros. Não sei porque lhe perguntei tal coisa considerando que, inclusivamente, desconheço por completo a sua história de vida. A minha mente e o meu coração acabam por tocar em pontos sensíveis da minha alma. Não percebo por que temos de dar aos outros quando recebemos tão pouco em troca. Não percebo por que se promove tanto a ideia de bondade e altruísmo, se depois saímos de ...

Tempo

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O 712 leva-me por caminhos da minha memória que contrastam com as atuais ruas despovoadas. O mundo tornou-se num lugar estranho - e até medonho! - feito de opostos que sempre existiram mas que agora sobressaem.  A violência verbal é gratuita, fruto das tensões que habitam o profundo do nosso ser. Protege-se o corpo, mas pouco se protege a mente e o coração. Ironia das ironias! Sempre defendi que devemos encontrar a nossa verdade e viver de acordo com ela. Mas a nossa verdade não é uma verdade universal. Nunca o é. Há mais dúvidas do que certezas. Há demasiados "SE" para nos agarrarmos a um extremo da discussão. E quem toca o extremo perde o centro. Um dos meus professores de Faculdade costumava dizer que é no meio (centro) que se encontra a virtude. Na verdade, o centro é um ponto de equilíbrio que, em tempo de pandemia, nos permite trabalhar algo importante: a empatia e o respeito pelo próximo.  Talvez seja este o grande desafio que o universo nos lançou e que nos permitirá,...

Férias Grandes

Uma das melhores lembranças que tenho de infância é das viagens de carro pela Europa que fazia com os meus pais e irmã nas férias grandes. Sei que na altura não valorizei. Eram viagens cansativas. Dormíamos no carro na ida e volta e acordávamos completamente partidos. Às vezes perguntava-me porque não eramos uma família normal, daquelas que abanca na praia a estorricar ao sol o dia todo. Os meus pais têm, claramente, bicho carpinteiro e eu, para o bem ou para o mal, recebi também essa herança. Lembro-me da primeira viagem grande a Paris, em 1996. Lembro-me de estarmos sentados frente ao hotel à espera que ele abrisse, completamente exaustos. Lembro-me de estar no banco de trás a olhar para o rosto do meu pai que intimamente esperava que tudo corresse bem. Lembro-me de a minha mãe olhar para ele com a mesma expectativa. Em 1996 os meus pais tinham praticamente a idade que eu tenho hoje. Ao recordar-me disto sinto por eles a maior gratidão do mundo. E talvez pareça estranho t...