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Deixava ir.

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(18.09.2023) Quero dizer algo, mas não consigo. Lembro-me de um tempo passado em que me sentia sempre muito zangada e manifestava essa irritação em palavras ásperas e amuos. Não consigo fazê-lo hoje. Escolho recolher-me à blogosfera. Digo então que estou zangada mas não consigo falar sobre o porquê. Pastas retornam às prateleiras. Canetas colocadas nos devidos suportes. Auricular na orelha direita para que os sons transmitidos me retirem das emoções densas. *** (19.09.2023) E entretanto, sangrei... Às vezes dou por mim a pensar que, se soubesse no passado o que sei hoje, faria muitas coisas de forma diferente. Questiono-me então:  O que faria de diferente? O que faria de diferente? O que faria de diferente em relação a certas dores do passado? Deixava ir. (Por do sol captado ontem do comboio)

Das fugas in(conscientes)

Ontem houve aula livre de aéreos. Tinha-me inscrito, apesar de as aulas só recomeçarem, propriamente, em Outubro. Acabei por não ir. Posso dizer que estou com TPM, e talvez isso explique um pouco a minha decisão. Mas claro, há sempre algo mais profundo. Gosto de acrobacias aéreas, desde que experimentei pela primeira vez em 2016. Mas é difícil. É sempre difícil. Fisicamente e emocionalmente. De entre os alunos, sou sempre a pior. Quando chegam novos alunos, em 2 horas conseguem fazer o que eu demorei 2 meses a conseguir. Penso que já escrevi sobre isto anteriormente. E se sim, repito. Não me custa que os outros sejam melhores do que eu. Custa-me que eu seja a pior. E não é só por uma questão de ego que eu sei que está presente. É por reconhecer que há um medo e resistência em mim que eu receio não conseguir ultrapassar. Mas lá regressarei às aulas porque acredito que o devo fazer. Por ser difícil, devo ir. Desafiar-me no domínio e consciência do corpo, no convívio com os outros, desafi...

Deixei-me estar a caminhar!

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Precisei de caminhar, caminhar. O dia de trabalho foi difícil, mais pelo meu estado de espírito do que propriamente pelas tarefas que tive de desempenhar. Não me apeteceu ir à aula. Não me apetece estar com pessoas. Não me apetece dialogar. Não me apetece que me perguntem se estou bem e não me apetece responder que é só cansaço. Sei que nestas alturas do mês sou desafiada. Não luto contra. Acolho aquele lado sombra, deixo que ele ruja como um leão ou solte um uivo dolorido como um animal ferido.  Não luto contra, mas caminho porque sem a caminhada, sem o esforço que coloco nos meus pés, nas minhas pernas, sinto-me a sufocar. E nesse caminho, com a noite instalada porque o Outono traz mais cedo o negro dos dias, deixo-me sentir. Estes são realmente os poucos momentos em que acredito piamente estar a captar algo que vai para além do meu entendimento. Não é magia, nem fantasia, nem mediunidade, nem intuição. É um estado de ser e de se estar, estar mesmo naquele momento presente. E oiç...

Por ora, é isto.

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Recorro imenso ao exercício físico, o que é curioso considerando que, nos meus tempos de adolescente e de início da idade adulta, simplesmente detestava tudo o que implicasse exercitar o corpo. Lembro-me de ter virado para a "intelectualidade" (e aqui a intelectualidade tem mesmo de vir entre aspas) muito cedo, não necessariamente pelo desejo de saber e entender, mas porque me parecia mais fácil evidenciar-me pelo uso da cabeça do que pelo uso do resto do corpo.  Não gostava do meu aspecto físico, considerava que não valia a pena investir na minha imagem e por isso foquei-me muito mais nas conquistas pela via académica. Consequentemente, e durante muito tempo, considerei e chamei de futilidade à atenção excessiva no corpo. Demorei anos a perceber que o corpo é o nosso templo, a cápsula que alberga a nossa alma e também ele merece ser bem tratado e respeitado. A descoberta do ashtanga, em 2012, foi o início deste percurso de redescoberta através do físico, do visível, do palpá...

Artérias

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Estou atordoada. Este meu estado já me levou a enfardar um kebab em pleno Martim Moniz. Lá se vai o trabalho das últimas aulas de ginásio! Não me apetece ir para casa. A temperatura subiu. Apetece-me caminhar, caminhar e caminhar. [Lisboa desvenda-me por favor os teus segredos!] Cruzei em passo acelerado o Jardim do Torel e segui por ruas por onde nunca tinha passado antes. Descobri onde, supostamente, morreu Luiz de Camões e, porque uns nascem e outros morrem, descobri igualmente o local onde nasceu Amália Rodrigues. Próximos um do outro. Ao descer pela Calçada Garcia, passei pelo Everest Montanha. Fui a este restaurante em 2017. Lembrei-me disso, dos amigos que me acompanharam, dos amigos que já não o fazem. Há coisas em que eu insisto em não pensar, mas a vida não permite fugas nem assuntos não resolvidos. O que não aprendemos a bem aprenderemos à força e à força pode significar, consoante o nosso grau de resistência, a mal. Tudo me vem de enxurrada, tais emoções engolidas à forç...

A viver a água

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A viver a água, a emoção, o burburinho mental, o ciclo, a mulher, a criação, a dúvida, a busca, as partes mais escondidas,  o outro lado da moeda, o outro lado do palco, as travessas, as ruas desertas. Este meu EU que pretende conhecer-se na sua plenitude mergulha tanto nas águas calmas como no lodo. Este EU ri e chora. Este EU sente e sente-se na sua feminilidade às vezes sem jeito. Este Eu fragmenta-se e remenda-se. É Um que vira o Reverso e do Reverso regressa ao Um sem ser o Um que era. Tão real é um como outro. Ambos necessários.  É o retorno constante e mensal ao pântano dos despojos, dos restos, das sobras e das sombras, dos abandonos e recomeços.  Hoje é uma Noite, mas amanhã será um Dia. Hoje é Lua, mas amanhã será um Sol.

Sol

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Não peças autorização para seres quem és. Não cales a tua voz nem rejeites o que sentes. Não negues a tua verdade para caberes nas regras dos outros. Não escolhas ignorar só porque há quem não queira saber. Não te apagues porque a tua luz incomoda aqueles que não querem ver. E não te anules em circunstância alguma. Se dúvidas houver, lembra-te de que o sol não pede permissão a ninguém para brilhar.

Mood

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