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"Deixa ir!"

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Revivo as minhas emoções de acordo com o meu ciclo interno, em constante oscilação entre expansão e retração. Vou-me conhecendo melhor e identifico estas minhas fases. Identificando-as preparo-me para o que vem.  Já percebi que em determinados momentos faço sempre isto ou sempre aquilo, reajo desta ou daquela forma. Ontem, enquanto me aninhava entre os lençóis, desafiei-me a fazer diferente. Há sempre uma frase que me acompanha: "Deixa ir!" Se bem que haja neste deixar ir a impossibilidade - provisória, desejo eu - de deixar ir a própria necessidade do "deixar ir", quero acreditar que um dia não terei sequer de me debater com as velhas questões do passado porque terei, entretanto, superado.  A verdade é esta. Eu quero mesmo deixar ir certas coisas. Não é fácil, porém. Os meus sonhos trazem-me o passado. Fazem-me relembrar. A mágoa ainda existe e sei que, no fim de contas, todo este meu repúdio pela "pseudo-espiritualidade" tem origem num passado muito mal ...

Dia do mês

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Regresso àqueles momentos mensais. Há um torpor mental. Deixo-me estar recostada no sofá, com uma manta sobre as pernas. Abandono-me à leitura. Desde há uns dias que ando a ler o "Ensaio sobre a Cegueira" de José Saramago. É um livro fantástico e perturbador ao mesmo tempo. Tivesse eu o lido antes do tempo da Covid19 e talvez não tivesse em mim o efeito que tem hoje.  A sociedade pouco ou nada evoluiu. Ouvi hoje quem se questionava como é possível haver tanta maldade no mundo. Para mim é relativamente claro. A maioria dos seres humanos ainda vibra mais no mal do que no bem. Somos cruéis uns com os outros. Agarramo-nos às nossas certezas como se se revestissem de uma autoridade inquestionável. Auto-intitulamo-nos de pessoas inteligentes, informadas e altruístas. Realmente, as palavras pouco ou nada acompanham os atos. É pena! Se fossemos realmente aquilo que pregamos ser, o mundo seria bem melhor. A minha mente pensa nestas coisas por breves instantes, mas tenta não se deter e...

Diário de Bordo

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O ntem em conversa com a minha melhor amiga, e enquanto debatíamos a veracidade das nossas próprias crenças, comentava com ela que no fundo acredito no que preciso de acreditar para que a vida seja mais fácil. Talvez todos nós façamos o mesmo e damos vida àquelas ideias que, mesmo não podendo ser comprovadas pela razão, nos dão um sentido, a nós mesmos, à vida que temos e para onde a vida nos parece empurrar. Sei realmente muito pouco. E inclusivamente, ainda que possa reconhecer e dar um nome aos meus desafios, isso não significa necessariamente que consiga aprender, superar ou integrar aquilo que me é pedido. Então, o que é real? O que podemos afirmar com certeza absoluta que é real? Não sei. Talvez nada. Às vezes nem eu sei se sou real ou se o sou, nem sempre acredito piamente que os outros o sejam também. Enfim, trata-se de um mero desabafo que não me traz peso. Não procuro respostas definitivas para a existência humana e sei que há muito que não sei. Não enalteço o meu des...

Dia 4

Ando em conflito comigo mesma, é um facto, sobretudo na forma como me apresento. Não vejo este conflito necessariamente como algo mau. Reconheço-o como um vislumbre das várias máscaras que vão oscilando e eu, de certo modo, busco por uma definição de qual delas estará mais próxima da essência. A questão é: qual é a minha verdadeira essência? Imaginem que há um momento na vossa vida em que decidem que, de agora em diante, querem ser o mais fiel possível a vós mesmos, mas como ainda não sabem bem quem são, não conseguem perceber onde reside essa autenticidade. Pois bem, assim sou eu neste momento da minha vida! E se bem que queira andar invisível durante o processo, também começo a perceber que ainda procuro o reconhecimento exterior mesmo que seja dessa minha invisibilidade. Ou seja, parece que muda muita coisa mas no fundo não muda nada!

Bleeding woman

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Dark Moon, Barefoot, red cloak, starry veil… She, the earth’s daughter, walks the secret paths of her ancestors. The tears unravelling through her chick meet the floor next to where her blood has poured. She’s the sorceress. She’s the priestess. Not too young. Not too old. Ageless. She’s the nurturer of her own being. She’s the magician. Her roots are strong. Nature’s sap runs in her veins. Her eyes see far above as she stares at the sky. She speaks without words. She feels with such an intensity that it even aches. She’s every woman. Every woman is her similar. Every woman is you and you are every woman. She’s you. Imagem: Sisterhood of the Divine Feminine, por Lila Violet

Eremitério

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Com a incursão na minha vida adulta, já há uns anos, começou a tornar-se cada vez mais necessário o tempo da solidão e do silêncio. Quando era jovem, ou mesmo depois enquanto ainda vivia na casa dos meus pais, talvez não tivesse tão presente esta imprescindibilidade. No entanto, desde que há alguns anos arranjei a minha própria casa, estar sozinha, estar em silêncio, não só ocorre por normalidade, mas também e sobretudo por desejo da minha alma.  Estou num desses momentos. Não sei bem como explicar aos outros. Não é a presença dos outros que me pesa, mas o mundo em si. A energia densa, a verbalização agressiva, a baixa vibração que paira. Parece um pouco o que sentia quando praticava ashtanga yoga. Pouco havia fora do meu tapete que  tivesse mais importância do que o que eu encontrava na minha prática. Hoje, pouco há fora de mim que tenha mais importância do que o que encontro em mim mesma. Viro-me para mim e procuro locais que me propiciem essa interiorização. Antes que possa...

Quando doía...

Quando doía ensinaram-na a observar. E a menina-criança colocava-se à janela daquele primeiro andar e via o sol a nascer a Este trazendo diariamente possibilidades novas. E ainda que os dias parecessem iguais, a alma que habitava aquele corpo ia crescendo sem pedir licença porque obedecia a leis que não pertenciam a este mundo. E quando a noite chegava, adormecia ao som dos uivos dos cães da vizinha do rés-do-chão e dos escassos carros que a poucos metros atravessavam a estrada principal da cidade. Quando doía ensinaram-na a ouvir. E quando os gritos interiores cessavam, um outro tipo de som tornava-se audível. O vento trazia mensagens lá do alto das montanhas, onde dizem que moram os mestres. E aquilo que encontrava caminho até à sua alma saía em forma de palavra pela boca. Quando doía ensinaram-na a esperar porque o seu tempo viria no tempo certo. Quando doía ensinaram-na a ter fé. E um dia o que doía passou a doer menos. Observava os seus pensamentos sem julgamento, ouvia ...

Ser mulher

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Clarissa Pinkola Estés anotou no seu livro "Mulheres que Correm com os Lobos" que não entendia como uma mulher podia sentir orgulho em mostrar-se fria. (1) Fico feliz em saber que gradualmente as mulheres têm vindo a reconquistar o seu lugar por direito, mas receio que, na necessidade em provarem o seu próprio valor - quando não deviam de ter de o fazer - se esteja a perder a conexão com a sua essência feminina. Vamos ser claros, para mim a mulher é aquilo que ela quiser ser, seja isso o que for, mas enterrar as emoções no fundo do poço, na minha humilde opinião, não cura feridas. Apenas nos leva a fazer de conta que elas não existem. Como se cura algo cuja existência nós não reconhecemos? Lamentavelmente, já ouvi da boca de alguns homens a ideia de que uma mulher mais fria, que demonstra um pleno controlo das suas emoções, é uma mulher forte. Confundir frieza com força é um erro crasso. A esses só lhes posso responder, com imenso carinho, que não fazem a menor p**a ideia do ...

Porque o dia da mulher é todos os dias!

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Mulher, há uma fronteira. Não deixes que ultrapassem as portas do teu ser se não for para te elevarem. #sermulher #autenticidade #amorpróprio #autoestima #diadamulher

"Todas as mulheres são magas" [Excerto]

“Todas as mulheres são magas, a nossa magia é a habilidade inata de criar e transformar nossas experiências de vida. Como mulheres, a opção de que dispomos, é se iremos praticar essa magia conscientemente e qual o potencial mágico que usaremos. O resultado deste processo é o surgimento de uma “nova mulher”, emergindo da libertação para a plenitude e se alegrando com este movimento de libertação e expansão, uma verdadeira dança rumo à realização. Primeiramente devemos identificar claramente quem somos e quais são os nossos problemas e dificuldades. Depois precisamos nos aceitar como somos e avaliar se a nossa conduta até agora foi correta, de acordo com a própria consciência. E por fim, nos abrirmos para todo o potencial, poder, habilidades e possibilidades latentes e existentes em nós, reprimidas ou desconhecidas. A dança é complexa, cheia de movimentos intrincados e delicados. Cada mulher tem o seu próprio ritmo, podendo escolher os passos, a cadência e as sequências. Mas há uma recom...

Amor Próprio

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Há uns anos fui almoçar com uma amiga minha. Uma rapariga linda, pele perfeita, dentes perfeitos, uma cabeleira loura sempre arranjada, roupas elegantes e umas unhas compridas de um vermelho sangue sempre bem limadas. E eu, a seu lado, com o meu estilo banal e desinteressante. A meio do almoço, comentei com ela: "Não tenho qualquer motivação para mudar a minha forma de me arranjar. Mudar para quê se não há ninguém para ver?" Ela sorriu e respondeu-me: "Ora, mudar por ti mesma, claro. Achas que faço isto pelo meu marido? Não. Faço isto por mim. Gosto de me sentir bonita." - Por mim! Que coisa estranha! Mas que é isso fazer algo por mim, produzir-me ou arranjar-me para que eu me veja? Que desperdício de tempo. Curioso usar esta expressão - DESPERDÍCIO DE TEMPO! Diz tanto de mim quando considero que reservar uns minutos para o meu autocuidado é um desperdício de tempo, mas fazê-lo para que os outros me vejam já não é. Recordei-me desta conversa esta semana.  Assim fui ...

Iniciação Feminina

 🔅 "A iniciação é o processo mediante o qual renunciamos à nossa inclinação natural de continuarmos inconscientes e tomamos a decisão de, por muito que nos custe - em sofrimento, esforço e resistência - buscar a união consciente com a mente profunda, o Eu selvagem." 🔅"As mulheres que se encontram neste estágio costumam sentir-se desesperadas e, simultaneamente, inflexíveis relativamente à decisão de empreender esta viagem interior, aconteça o que acontecer." 🔅"Ela [protagonista feminina da história narrada] pode viver os dias no mundo superior, mas a tarefa de transformação ocorre no mundo subterrâneo e ela é capaz de viver em ambos, como a "La Que Sabe." Tudo isto, para aprender o seu caminho, para limpar esse caminho, até alcançar a verdade e o Eu selvagem." 🔅"Uma mulher que esteja a passar por um processo destes deve pertencer a ambos os mundos. É precisamente o facto de andar sem destino que nos ajuda a vencer a mais ínfima resistênc...

Rabiscos

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Citação

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“Há uma época nas nossas vidas, geralmente na meia-idade, em que a mulher tem de tomar uma decisão – possivelmente a decisão psíquica mais importante da sua vida futura – que é a de se tornar uma pessoa amarga, ou não.” Clarissa Pinkola Estés (Imagem tirada da internet, pode ter direitos de autor)

E sobe-se...

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E sobe-se.. passo a passo… Não se ouve vivalma na encosta e por momentos todos os intervenientes caminham em silêncio. Sob a luz do sol são iguais. Sob a luz do sol somos iguais. Destroem-se fantasias para extrair realidades, tocam-se em feridas para encontrar curativos. A caminhada é o purgativo da dor que une quem foi a quem é, passado e presente, a menina à mulher. - "Gostas de mim?" - pergunta-me a criança de cabelos encaracolados. - "Sim, gosto. Lamento ter-te feito acreditar que não gostava. Durante muito tempo foi mais fácil culpar-te a ti. Pensava que responsabilizando o passado, aliviava o meu presente, mas não se cura um presente sem se curar o passado." Olho-a nos olhos e agarro as suas mãos pequeninas: -"Fizeste o melhor que sabias!" Ela devolve-me o sorriso: - "E tu fazes o melhor que sabes! Perdoa-te para que eu me perdoe."

Michael Harner: Shamanic Journey – 30 minutes solo drumming

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Sabe tão bem dançar ao som do tambor <3 "Beat! beat! drums!—blow! bugles! blow! Over the traffic of cities—over the rumble of wheels in the streets; Are beds prepared for sleepers at night in the houses? no sleepers must sleep in those beds, No bargainers’ bargains by day—no brokers or speculators—would they continue? Would the talkers be talking? would the singer attempt to sing? Would the lawyer rise in the court to state his case before the judge? Then rattle quicker, heavier drums—you bugles wilder blow." Walt Whitman

Gritos

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Gritos surdos que bombeiam por dentro, queimam, ardem na pele escondida, provocam feridas para serem escarafunchadas pelos dedos num ato sórdido de masoquismo. A boca não solta palavras, as palavras são sim agressivamente extraídas pelos dedos que recebem a pulsão. Há excessos de fúria como se resultado de uma embriaguez que, no entanto, é desprovida de álcool. Quando mensalmente o monstro é acordado no peito de uma mulher, exige-se que ele seja vivido. E ela vive-o. Vive o monstro, torna-se no monstro, é o monstro. E dança incontrolavelmente, histericamente, excessivamente até que o corpo ceda e caia no chão. Caído no chão ela ri como uma louca, demente, sem tino, sem siso, sem discernimento. Rende-se ao que é quando ninguém [a] vê, quando ninguém [a] ouve, quando ninguém imagina os segredos que traz escondidos no coração. Crava as unhas na própria pele, arranca os cabelos e o grito ganha voz. Por fim, uiva como uma loba selvagem.

Mulher

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Celebra a mulher que há em ti! Celebra o lado terrestre e mundano! Celebra o lado celeste e sagrado! Celebra o que em ti é vida! Celebra o que em ti é morte! Celebra o que em ti é amor! Celebra o que em ti é dor! Vive a coragem e a determinação! Vive a face e a fase que surgem, o momento que se avizinha, o instante que germina aos teus pés! Vive os entardeceres e os amanheceres! Vive seja dia ou noite. Vive sobre a terra escaldante ou debaixo de chuva torrencial. Vive os sonhos, os desejos, os planos, a vontade, venham enrolados em certezas ou incertezas! Vive sem medos ou vive com medos, mas vive! Vive a intenção com intenção!

Trilhar o caminho

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Se temos liberdade de escolha, escolhamos ser nós mesmos. Vivamos em harmonia e aceitação de quem somos. Sejamos capazes de reconhecer as nossas qualidades e valor. Trabalhemos os nossos defeitos e limitações de uma forma criativa e criadora. Trilhemos o nosso caminho apesar de todas as dificuldades e receios. Ouvi um dia esta frase que me tem acompanhado desde então: “É o caminho que te trará a maior dor e, por isso mesmo, é o que te trará também a maior cura.” 

Note to Self

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I like being a woman.