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Caminhantes da vida [Excertos]

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Para aqueles que, como eu, gostam de caminhar... "O que será que às vezes tanto nos dificulta determinar o destino a dar aos nossos passos? Creio na existência de um magnetismo subtil na natureza o qual, se cedermos inconscientemente, nos levará no caminho certo. (...) Muito gostaríamos de dar aquele passeio que ainda não encetamos neste mundo real e que simboliza perfeitamente o atalho que adoraríamos percorrer no mundo interior e ideal; e às vezes, não há dúvida, temos dificuldade em escolher a nossa direção por não a termos discernido bem no nosso pensamento." Henry David Thoreau, "Walking" (obra de 1862)

Abençoada 💛

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Por qual verdade?

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Não tenho conseguido que as palavras me saiam. Talvez porque entro numa fase de vulnerabilidade e receio que o que penso e sinto se revista de vitimização e fraqueza. Vim para o meu cantinho predileto junto ao aqueduto, hoje infelizmente com mais barato devido a umas obras próximas. Observo ao longe o miradouro de Monsanto e reflito uma vez mais sobre a minha vida e as minhas escolhas. Como já referi anteriormente, a minha fé sofreu um abalo e nos últimos tempos tenho procurado as respostas em outros locais e credos. A conselho de uma amiga peguei na Bíblia. Li ontem a carta de São Tiago. As frases revestem-se de sabedoria, mas não sei se é por aqui que devo seguir. Os católicos fervorosos dizem que Deus é o único caminho, mas será que é? Será que Ele existe? Há uma parte de mim que quer acreditar. Há outra parte que tem medo. Se Ele existe talvez eu já tenha blasfemado tanto que não seja mais possível redimir-me. Eu quero a verdade, mas tenho medo da verdade tal como tenho med...

Pelos Trilhos de VFXIRA

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Ontem foi dia de Carnaval. Após o teletrabalho de manhã, e estando dispensada de trabalhar à tarde, resolvi aventurar-me pela encosta que vai de Vila Franca de Xira até ao Miradouro de Monte Gordo. Durante o confinamento tinha feito o percurso de carro que significa contornar o monte e subir depois pelo Caminho do Miradouro de Monte Gordo, íngreme mas alcatroado, o que é uma benesse. Tinha lido, contudo, que era possível percorrer o trilho por dentro, a pé. Percebi que o início seria algures pela velha Pedreira, onde já tinha estado, e assim foi. Na minha lógica bastante simples tratava-se de apenas subir ou descer pelo que não poderia ser muito difícil certo? Errado. Encontrei o trilho mas a dada altura devo-me ter enganado. Quando dei por mim estava entre ramos, silvas e espinhos que me dificultavam a passagem. Perdi-me no meio de uma vegetação densa. Sossegou-me o facto de ainda ser de dia e de conseguir ouvir os carros a circularem perto. Acho que nunca me aventurei tanto no meio d...

Subir e descer na serra e na vida - #Castelo dos Mouros

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Ontem arrastei-me para fora de casa. Tenho notado uma quebra de energia aos fins-de-semana. Talvez seja o frio que não convida a passeios. Mas no Domingo lá me forcei a fazer um percurso que já estava na minha lista de desejos há muito tempo. Subi pela Serra de Sintra em direção ao Castelo dos Mouros. Não me imagino a ir lá novamente tão cedo 😄 Cheguei cansadíssima, a deitar os bofes pela boca. Mas valeu a pena. A vista é magnífica. Do alto avista-se o mar ao longe e o Palácio de Sintra em baixo.  Da Torre Real, na mesma linha de horizonte, o Palácio da Pena impõe-se na sua grandiosidade. Subi pelas escadas em pedra da muralha, a lutar contra as vertigens e a lutar contra outra espécie de sentimentos. "- Não consegues estar bem com os outros se não estiveres bem contigo mesma. Mas agora que estás bem contigo mesma, consegues estar bem com os outros?" Up's!! Fui apanhada na curva. Talvez este tipo de pensamento não seja o ideal para um passeio de Domingo mas não dá para c...

O que vês?

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Tanta coisa que me leva para um tempo que, assemelhando-se ao passado, não pode ser o passado porque não o vivi. Há coisas que talvez nunca venha a entender sobre mim. O fascínio pelo casual, pelo céu cinzento, pela cidade envolvida na atmosfera outonal. Vejo beleza em tudo e não quero parar de me maravilhar.

Calmaria

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Puxar-me para cima

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Retomei ontem, ao final do dia, um dos meus caminhos habituais de 2019, aquilo que a Marcela me definiu em tempos de "âncora". Retive-me alguns minutos no Jardim da Estrela, antes de seguir pela Calçada. Pela primeira vez não me vieram memórias de vivências ou sentimentos passados em que fazia este mesmo percurso. Prestei atenção às folhas a dançarem nos ramos das árvores. Na minha linha de visão, de onde estava sentada, podia ver duas jovens a fazerem yoga. Transeuntes atravessavam o parque, nas suas roupas de verão, aproveitando a brisa fresca que se conseguia sentir ali. Foquei-me no que estava a ver. Não no que foi. Não no que virá. Sempre ouvi falar na importância de viver o presente mas sempre me foi difícil fazê-lo. Ainda hoje é um desafio mas começo a conseguir colocar em prática, mais que não seja por uns instantes.  Chegada à Rua de S. Bento, apanhei o 28E completamente à pinha com estrangeiros. Vou redescobrindo Lisboa que me serve de aconchego e me lambe as ferida...

"O Julgamento"

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Limpa, esfrega, lava, estende, tira o pó, aspira, muda de sítio, organiza... Começou assim o meu fim de semana. A organizar a minha casa e a organizar a minha mente. Ao final do dia de Sábado tinha a sensação de dever cumprido. Foi um fim de semana intenso, de limpezas, tomadas de consciência e conclusão de processos.  Como escrevi dias antes, não dá para apressar processos, mas quando é tempo de terminar, é tempo de terminar.  Hoje vislumbro o início, o meio e o fim. Tenho a visão completa do desenrolar da história. A história que me permitiu crescer. Há uma semana tinha fotografado a imagem da Nossa Senhora que desde essa altura defini como imagem do ecrã do telemóvel. Dei por mim a pedir o seu auxílio. Talvez Ela me tenha ouvido e, por circunstâncias de vida que entretanto se proporcionaram, seja atualmente possível seguir um caminho com menos bagagem. Levo o que preciso. Nem mais, nem menos.  Sigo com esperança, com fé. Ainda choro com o que me dói mas nas minhas lágr...

Fuga

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Demarco-me do exterior. Sou uma estranha neste mundo. Gosto da beleza natural, mas assusta-me a natureza humana. Não obstante, também eu tenho forma de gente e partilho desse ADN que tanto me atemoriza. Desligo a TV. Desconecto-me das notícias virtuais. Suspendo os sons das palavras ásperas. Caminho por onde não passa gente. Oiço o barulho dos pássaros que pousam no cimo da Igreja. Oiço o barulho do vento que me gela os ossos. Procuro refúgio e proteção contra a demência social. Ainda assim questiono-me se viver em constante fuga é a solução.

Perceberam?

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Novo Dia

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Algumas das minhas fotos tornam-se repetitivas, eu sei. Mas a Natureza não deixa de me fascinar e maravilhar diariamente. É a ela que vou buscar a minha força e fé e parece-me justo que fale dela quantas vezes forem necessárias em sinal de respeito e de reverência. Captei este nascer do sol a caminho de Lisboa. É um novo dia. São novas oportunidades. Apesar de alguma inquietação que eu possa sentir, vivo este novo dia com gratidão e expectativa. Não pelo que poderei ganhar exteriormente mas pelo que poderei aprender interiormente. A minha mente voou enquanto observava aquele sol ao longe. Num espaço que não este uma voz desafiava-me: "Apresenta-te ao mundo não na versão que achas que conseguirá a aprovação do outro mas na versão mais autêntica de ti mesma." A real possibilidade de o fazer enche-me de esperança. Posso afirmar com bastante convicção que se há passo de gigante que vale a pena ser dado, é este mesmo. O assumir quem somos, vivermos de acordo com a nossa essência e...

Simples

Não é esoterismo. Não é espiritualidade avulso. Não são pozinhos de perlimpimpim. É o que é. Sobre o que sinto. Sobre o que penso. Sobre o que sou. Tão simples como olhar PARA  a natureza e tão complexo como olha A natureza.

Ecos

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Ecos da noite! Um quarto de lua a encher! Ela vigia-me, minha Mestre do espaço, guia-me por entre os caminhos que a minha Alma dita. Vou para onde tenho que ir. Vou por onde sou chamada a seguir. Penetro na sombra antes do vislumbre da ténue chama artificial do candeeiro de rua. Os meus passos silenciam-se para que a escuridão comunique os seus segredos. Oiço-os, mas não com os ouvidos. Quando o meu coração aquece, sei que compreendi. Não há palavras! Não há símbolos! Há o sentir o invisível nas fendas do visível, tão mais real é o que sentimos do que o que vemos.

Respiro fundo e fecho os olhos

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Respiro fundo e fecho os olhos. Deixo que o fluxo emocional abrande. Deixo que a mente se acalme. Nada do que sinta, nada do que pense é de facto relevante no mundo da ilusão. O que é importante não está sujeito a regras, a clichés, a inverdades. Busco-me, eu mesma sem acréscimos exteriores que nada acrescentam ao meu interior. Respiro fundo e fecho os olhos. E confio no fluxo da vida, na água dos riachos, no sol cujos raios espreitam por entre os ramos vazios das árvores, no vento nórdico que faz gelar a ponta do nariz. E imagino cada projeção, cada insegurança, cada carência a descer até aos meus pés e a ficarem no chão por onde passei mas de onde não passarão. Sei-o porque a Terra é minha mãe, o Céu é o meu pai e a Lua minha irmã. Estou de passagem e um dia voltarei a casa, despida de tudo o que não é e plena de tudo o que sempre foi.

Retorno

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Vim passar uns dias de férias. O voltar à família faz-me crer que há coisas que não mudam. Por um lado, agradeço pelo que tenho. Por outro, acabo por encontrar sempre a minha menina interior, e isso não é fácil. Está nela o meu passado, o meu Eu que queria crescer rápido de mais, mas que encontrou um processo moroso. Cronos é implacável. Há que aceitar com a mesma maturidade que ele próprio exige. O seu frio estrutura o meu ser interior e, se bem que o calor da estação em que a minha alma escolheu nascer tente entrar, encontra frequentemente barrada o seu trajecto. A vida puxa-me de sul para norte e eu bem tento ir, mas quase sempre com pouca vontade. Nos últimos meses, e em diversas circunstâncias, vi espelhadas partes de mim que tive dificuldade em reconhecer. Sou isto mas quiçá preferisse ser aquilo, não sendo propriamente claro o que é "isto" e o que é "aquilo" e qual a diferença entre ambos. É o meu eterno retorno a uma velha questão de querer definir e assumir...

Dia 19

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Quem és tu? Quem és tu que vens no frio da madrugada? Quem és tu que te lembras de estradas de terra batida e de um tempo noturno em que olhavas para o céu? Quem és tu que te despes, te desmaquilhas e te despojas do que sabes não ser teu? Quem és tu que abandonas a máscara?  Quem és tu que vives, morres e voltas a viver? Quem és tu que pedes tréguas à mente e dedilhas com os dedos as palavras que vertem do coração? Quem és tu que te curvas e reverencias a terra de onde foste soprada? Quem és tu que sobe aos cumes da árvore sagrada e estica os dedos em busca da mão de Deus? Quem és tu que quando não sabe sente? Quem és tu que quando não sente intui? Quem és tu que quando não intui é? Quem és tu? 

Dia 15

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Quando reconheces parte de ti 🙏

Dia 14

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Sábado. Dia de descanso, de pijama, manta e aquecedor. Questiono a minha fé, o meu sistema de valores. Não digo que "não é assim" mas admito possibilidades, "e se não for assim". Vejo então, de forma crua a minha submissão. Tenho caminhado a achar que me afastava daquele modelo interior caótico de 2014, para descobrir que vou ao encontro do mesmo, apenas mudando os intervenientes. 7 anos passaram, mas talvez muita coisa ainda não tenha passado em mim. Lembro-me entretanto que hoje, ao vir para casa, parei para admirar os campos de verde e castanho. Parecia que estava a olhar para uma pintura. Aquilo em que acredito é o que me faz prestar atenção ao que me rodeia, à beleza que me circunda. Estarei assim tão equivocada? Se não houver o espírito, que interessa a matéria em si mesma? 

Novembro

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Bem vindo Novembro da chuva, do anoitecer precoce, do lugar dos meus sonhos. Desejo tanto conectar-me contigo mãe natureza, matriarca dos quatro elementos!