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Abraço-te minha pequenina.

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Abraço-te minha pequenina. Conheço tão bem a tua dor, o teu medo, a tua ansiedade e a tua tristeza. O quanto tentaste resolver circunstâncias que não eram da tua responsabilidade. Sabes, também eu agora sinto dor, medo, ansiedade e tristeza. Mas coloco-te protegida no meu coração, para que seja a mulher adulta que sou a tentar resolver os problemas. Sabes pequenina, pedi ajuda para te curar, para me curar, para nos curar. Fi-lo por ti e por mim. Abraço-te minha pequenina. Coragem, para nós as duas!

Quem somos [citação]

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Retorno a uma citação de Veet Premad que transpôs as portas deste diário virtual há um ano. Talvez aqui resida o meu maior desafio. Que não me falte a coragem! "A fonte da dor não provém de não ser o que pensamos que temos de ser, mas de não querer ser o que realmente somos. Em vez de pôr a vontade no que não somos, a questão é render a vontade ao que somos. A única responsabilidade é ser honesto consigo mesmo neste ponto."

Tenho de me encaixar ou basta ser?

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Há muitas coisas erradas comigo. Sei-o perfeitamente. Se me cruzasse com alguém que tivesse características similares, penso que me irritaria. Irritaria a infantilidade, a imaturidade. Porém, sendo eu quem sou, e estando em mim, não consigo lamentar em demasia a minha personalidade porque na minha solidão e fuga, ela não me pesa. Não sou testada, nem desafiada. Não há olhos para me verem de alto abaixo, nem bocas cujas palavras me possam atingir. Gosto de estar sozinha porque estar acompanhada é difícil. Gosto de estar sozinha porque no inverso sinto-me desajustada. As pessoas puxam-me para a terra quando eu prefiro planar envolta nos meus pensamentos. Tenho, grosso modo, consciência da minha finitude, de um tempo cronológico que caminha para a extinção. É inevitável. Independentemente do que eu acredite, é certo que esta persona que eu encarno de nome Lídia irá um dia desaparecer. Se assim é, fará sentido promover convívios forçados para encaixar numa normalidade que não é a minha? V...

Tempo

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O tempo passa, célere, num galopar impiedoso e às vezes cortante como o gume de uma faca. E a vida, sentada no dorso deste tempo, vai mudando. Muda ela e mudamos nós. Por momentos, parece-me que somos apenas as personagens de um jogo de xadrez cuja dimensão real do tabuleiro desconhecemos. Não estou certa, nem me atrevo a supor quem manuseia as peças. Sou ignorante nestes assuntos. Ou talvez cobarde. Vamos saltando de peça em peça,... ora somos peões, ora cavalos, ora torres, ora bispos, ora reis e rainhas. Às vezes, desejosos de um papel que não nos cabe a nós, mas a outrem. Outras, ansiosos por um esquecimento que nos permita descansar e que sejam braços alheios a carregarem os fardos por nós. Percebo tanto das regras da vida como das de um jogo de xadrez. Muito de coisa nenhuma.

Nós não queremos isso pois não coração?

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A Rua Possidónio da Silva tem uma vista privilegiada sobre Monsanto e o acesso à ponta 25 de Abril. Sugiro, para quem possa ter o mesmo interesse que eu. Deixo a minha captura fotográfica de ontem. Com um pouco de filtro consegue-se ver as nuvens no céu escuro. É maravilhoso contemplar este espetáculo natural. Este foi o meu post idealizado ontem enquanto caminhava. Ligeiramente diferente do meu sentir de hoje. Em conversa, fui alertada para o meu excesso de mente sobre a intuição. Fiquei perturbada, devo admitir.  Não por achar que é mentira, mas por saber que não é. Infelizmente isto remete-me logo para aquela busca do equilíbrio que eu não sei se atinjo, se alguma vez atingi, se alguma vez irei atingir. Sou levada a observar o meu coração escondido nas entranhas da minha alma. Enquanto miro apenas os cantos dos seus olhos, sorrio-lhe e retoricamente pergunto: "Nós não queremos isso pois não coração? Nada que faça sentir, nada que faça intuir..." Mentalmente fecho portas e ...

Dia 19

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Quem és tu? Quem és tu que vens no frio da madrugada? Quem és tu que te lembras de estradas de terra batida e de um tempo noturno em que olhavas para o céu? Quem és tu que te despes, te desmaquilhas e te despojas do que sabes não ser teu? Quem és tu que abandonas a máscara?  Quem és tu que vives, morres e voltas a viver? Quem és tu que pedes tréguas à mente e dedilhas com os dedos as palavras que vertem do coração? Quem és tu que te curvas e reverencias a terra de onde foste soprada? Quem és tu que sobe aos cumes da árvore sagrada e estica os dedos em busca da mão de Deus? Quem és tu que quando não sabe sente? Quem és tu que quando não sente intui? Quem és tu que quando não intui é? Quem és tu? 

758

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O nome deste post é 758. Ainda não o escrevi, mas já lhe dei um título. Este é o número do autocarro que diariamente apanhava para o trabalho quando morava em Benfica. Este é o número do autocarro que apanho atualmente em Sete Rios. Resolvi de manhã escrever um post sobre uma experiência que vivi no autocarro, mas não tive oportunidade. Entre esse período e a hora atual descobri duas situações exteriores que me abalaram fortemente. Tenho andado a reler a Luz sobre o caminho . Nem de propósito, é no desconforto que começa o discipulado. Tranquei-me na casa de banho. As lágrimas vieram-me aos olhos. Respirei de forma mais acelerada. Apesar de tudo, agradeço à vida. Sei que não vejo as circunstâncias da forma certa, sei que o meu pensamento é toldado pela minha cegueira emocional. Ainda assim acredito piamente que tudo acontece como tem de ser. O meu desconforto existe porque tenho algo para trabalhar em mim. Só perco o que não me serve e só tenho o que preciso. A Lídia encarnada pode ter...

Vista de outra forma

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Ontem tirei um dia de férias. Nada correu como tinha planeado. Acabei por ficar por casa, entre limpezas, vídeos de filosofia e sestas acompanhadas pelas gatas.  Foi um dia perfeito apesar de, aparentemente, parecer pouco produtivo. A minha melhor amiga comentava comigo: "há quem goste de ir às compras, tu preferes alimentar a alma." Parece-me que sim! Tenho de assumir, se não a todos, pelo menos a mim mesma, de que estava ansiosa e talvez por isso tenha procurado palavras que obrigassem o meu cérebro a transmitir outro tipo de informação ao resto do corpo. Os meus medos mais antigos permanecem. Medo da perda, medo da ausência, medo do próprio medo. Apesar de me ter tornando numa pessoa bastante autónoma, de ter trabalhado o tal desapego emocional, ainda resistem pontas soltas, imensas pontas soltas a moerem-me os calcanhares. Hoje, a caminho de Lisboa, fui transportada para a minha primeira vinda prolongada à capital. Há 21 anos comecei os meus estudos universitários e mudei...

Eu

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"Perguntas-me qual foi o meu progresso? Comecei a ser amigo de mim mesmo." | Séneca

Por aqui...

Por aqui me busco... Por aqui me acho... Por aqui me fico...

Sintra - Até ao meu regresso 💓

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Não digo nada que possa interessar a mais alguém que não eu.

Não sei o que virá deste post... Não digo nada que possa interessar a mais alguém que não eu. É um desabafo, se me o permitem. O tirar do coração um peso que se arrasta... Sempre tive um fascínio enorme pelo esoterismo e cedo procurei encontrar o meu sentido para a vida e o meu lugar no mundo. Era essencial para mim conseguir fazê-lo. Saber quem sou era a minha prioridade número um, muito antes de eu entender sequer por que o fazia. Nesta minha busca, segui diversos caminhos e procurei diversos auxílios: filosofia esotérica, yoga, tarot, leitura de aura, astrologia ocidental (e muito recentemente a védica), xamanismo, meditação... F ui recebendo informações, insights sempre tentando que eles me ajudassem/ajudem a preencher o meu próprio puzzle existencial. Hoje, enquanto escrevo isto, posso afirmar com relativa segurança que o que vou descobrindo sobre mim cresce na exata proporção das minhas dúvidas. É como se por cada entendimento a que me é permitido aceder, tivesse de pagar um ...

Há dias...

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 Há dias em que é apenas isto.....o silêncio. A ausência de palavras do exterior faz-me procurar a palavra interior. "Ouves?", pergunta-me a minha alma. E o silêncio instala-se em pleno, apenas interrompido pelas buzinas dos carros que recordam-me um mundo do qual hoje, só por hoje, eu não me quero lembrar que existe. Estou em retiro dentro de mim.  Vejo mais quanto mais fecho os olhos. Oiço mais quanto mais me calo.  Entendo mais quanto mais me deixo ir.

"Não sei quem sou, que alma tenho."

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"Não sei quem sou, que alma tenho."  Começa assim o poema de Fernando Pessoa, um dos meus preferidos. Padeço da mesma dúvida. Estou em mim mas não me conheço e exijo uma genuinidade que me é estranha e que requer que deixe para trás tudo o que não sou. Mas saber quem sou traz-me tantas dúvidas como saber quem não sou.  Vou tirando camada a camada... Sou a primeira a espantar-se com as incongruências. Sou estranha, sem que isso me inquiete, para aceitação de uns e repúdio de outros. Não dá mesmo para agradar a todos! Nem o pretendo!  Há um consolo no meio de tudo isto, o almejado dia em que me consiga mostrar sem máscaras.

Dói-me

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Dói-me a minha insuficiência. É irrelevante se ela existe ou não. É irrelevante se outros a veem ou não. Para mim é real, intrinsecamente real como um braço ou uma perna. Acho que nunca aprendemos a viver com as nossas limitações. Aprendemos sim a disfarçar, a fazer de conta, a minorar dores. A nossa mente diz que sim e o coração segue arrastado, protegido pela razão que torna tudo muito mais suportável. E abanamos tanto a cabeça em aceitação que passamos a viver numa mentira a que chamamos de verdade.  Há bem pouco tempo, uma das minhas irmãs de caminhada disse-me para deixar cair a armadura e para me autorizar a sentir. A minha mente não quer isso. Ela é paternalista, uma espécie de irmão mais velho em constante controlo daquele elo fraco que bate no meu peito. Mas ao ouvir aquelas palavras, e ao ver o olhar doce e maternal com que ela me as dizia, perguntei-me até que ponto não teria razão e não terei eu andado a fazer-me mais mal do que bem?! Tenho-me permitido, é certo, se bem...

Trilhar o caminho

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Se temos liberdade de escolha, escolhamos ser nós mesmos. Vivamos em harmonia e aceitação de quem somos. Sejamos capazes de reconhecer as nossas qualidades e valor. Trabalhemos os nossos defeitos e limitações de uma forma criativa e criadora. Trilhemos o nosso caminho apesar de todas as dificuldades e receios. Ouvi um dia esta frase que me tem acompanhado desde então: “É o caminho que te trará a maior dor e, por isso mesmo, é o que te trará também a maior cura.” 

Excertos de sombras

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Um dia um dos meus melhores amigos disse-me: "Vieste a este mundo para sentir!" Abanei a cabeça em anuência ao mesmo tempo que a minha voz interior me segredava: "Pessoas como nós não sentem. Pessoas como nós andam de armadura na rua e não vertem lágrimas." Sentir é mostrar vulnerabilidade, algo de que tenho fugido a minha vida toda. Consigo estar presente fisicamente e ter deixado parte do meu coração em casa no cofre forte. É a parte que protejo do sentimento, da dor, da desilusão, da decepção. Dou-me às metades, aos bocados, partes que já se partiram, já foram coladas, remendadas. Dar-me por inteiro assusta-me e, a bem da verdade, não sei se sei como fazê-lo. Sou aprendiz nestes assuntos, aluna de pré-primária que, no entanto, já perdeu a ingenuidade de infância. Pessoas como eu não sentem, - diz uma parte de mim. A outra rejeita. Sentem sim. Sentem demais, em excesso, sentem na alma, sentem na pele e é isso que assusta tanto. O excesso que transborda, que enche,...

2020

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Hoje sinto-me bonita. Habitualmente é quando escolho a minha melhor roupa, arranjo o cabelo, maquilho-me e encho-me de esperança… Esperança! Pela milésima vez esperançosa! Misturo-me na multidão e oiço palavras, palavras, troca de palavras, palavras que ainda que numa língua tão familiar, o meu cérebro deixa a dada altura de as processar. Apago[-me]. Se beber uns copos de vinho estou pronta para aguentar tudo, tudo o que dói, tudo o que mói. Por norma é nesses momentos em que já não me sinto bonita, mas já bebi o suficiente para não me importar com isso. Relembro-me então que já estive aqui antes, milésimas de vezes antes... Já vivi isto antes… Já senti isto antes... Já fui o faz de conta.  Já fui uma forma, uma representação. Já fui o riso misturado com o choro e entre gargalhadas já gritei em surdina.  Mas hoje não. Hoje sinto-me bonita e não escolhi a minha melhor roupa. Não me enchi de esperança. O meu copo não tem vinho. Não me defino. Não me dou um nome. ...

A procura do EU

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E quando ouvires o ribombar dos tambores dentro da tua alma, saberás que estás no caminho certo ...

Tudo e Nada

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Sou este círculo. Aparentemente um círculo vazio. Como não sei exatamente quem sou,  perceciono-o como vazio. Não gosto de olhar para ele. Talvez por ser vazio. Ou talvez por não saber o que ele é na verdade. Durante muito tempo tentei preenchê-lo. Ocupar o meu tempo era preencher este círculo de coisas que gosto e que constituem a minha zona de conforto. Funcionou… durante um tempo. Atualmente sinto que quanto mais tento preenchê-lo maior ele fica. Já não é um espaço repleto de coisas mas um espaço onde há sempre algo em falta. Não sei se é o círculo que está a aumentar ou se é a importância que dou a certas coisas que vai diminuindo. Não há dança que preencha o vazio. Não há yoga que preencha o vazio. Não há palco que preencha o vazio. Não há melodia que preencha o vazio. Mas há qualquer coisa que o preenche. Talvez o vazio se preencha a si mesmo e se reconheça como pleno naquilo que é, mesmo que seja desprovido de tudo.