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Cruzamentos

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Andei às voltas. Subi, desci. Do Miradouro das Olaias - cuja existência desconhecia por completo - dava para ver os comboios a passarem e, em baixo, a ciclovia que atravessa o Parque Urbano Vale da Montanha. Sou fã de corta matos e gosto de seguir pelos caminhos mesmo que não saiba onde irão desembocar.  Imaginem aquelas lojinhas pequenas que aparentam já fazer parte do mobiliário da zona há muitos anos... Imaginem aquelas velhas casas em ruínas que religam a uma história perdida no tempo... Imaginem os cheiros cruzados das comidas portuguesa, chinesa, indiana... Gosto disso tudo, dessa mescla que fica gravada num quadro mental.  Ao final da tarde, o sol ainda estava forte e quente. Ao olhar em frente, e sob o efeito dos seus raios que pousavam sob a estrada de alcatrão, parecia que estava num sonho. Há algo de real e de irreal ao mesmo tempo. Continuo a acreditar em magia porque magia é o que sinto nestes instantes. SINTO! Não é a mente a funcionar, mas o coração que se deixa...

Respiro fundo e fecho os olhos

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Respiro fundo e fecho os olhos. Deixo que o fluxo emocional abrande. Deixo que a mente se acalme. Nada do que sinta, nada do que pense é de facto relevante no mundo da ilusão. O que é importante não está sujeito a regras, a clichés, a inverdades. Busco-me, eu mesma sem acréscimos exteriores que nada acrescentam ao meu interior. Respiro fundo e fecho os olhos. E confio no fluxo da vida, na água dos riachos, no sol cujos raios espreitam por entre os ramos vazios das árvores, no vento nórdico que faz gelar a ponta do nariz. E imagino cada projeção, cada insegurança, cada carência a descer até aos meus pés e a ficarem no chão por onde passei mas de onde não passarão. Sei-o porque a Terra é minha mãe, o Céu é o meu pai e a Lua minha irmã. Estou de passagem e um dia voltarei a casa, despida de tudo o que não é e plena de tudo o que sempre foi.