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Run Baby Run

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Simplifiquei a minha vida. Vou-me retirando dos excessos. Descubro novos interesses, almejo novos objetivos, adquiro novas conquistas. Esta semana consegui correr cerca de 15 minutos seguidos sem parar. Pode parecer uma banalidade, mas para mim é algo que me enche de orgulho. Cuido do meu coração físico e ele vai mostrando maior resistência. Readquiro o hábito, o foco e a disciplina que tive há anos com o ashtanga e que havia perdido com o término dessa prática. Devo dizer que não me rodeio de novidades mas, ainda assim, nunca vivi a minha vida de forma tão plena como agora, e com muitos menos estímulos exteriores.

Vento

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Deixa-te ir não como quem se rende, mas como alguém que aprendeu a confiar.

2020

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Hoje sinto-me bonita. Habitualmente é quando escolho a minha melhor roupa, arranjo o cabelo, maquilho-me e encho-me de esperança… Esperança! Pela milésima vez esperançosa! Misturo-me na multidão e oiço palavras, palavras, troca de palavras, palavras que ainda que numa língua tão familiar, o meu cérebro deixa a dada altura de as processar. Apago[-me]. Se beber uns copos de vinho estou pronta para aguentar tudo, tudo o que dói, tudo o que mói. Por norma é nesses momentos em que já não me sinto bonita, mas já bebi o suficiente para não me importar com isso. Relembro-me então que já estive aqui antes, milésimas de vezes antes... Já vivi isto antes… Já senti isto antes... Já fui o faz de conta.  Já fui uma forma, uma representação. Já fui o riso misturado com o choro e entre gargalhadas já gritei em surdina.  Mas hoje não. Hoje sinto-me bonita e não escolhi a minha melhor roupa. Não me enchi de esperança. O meu copo não tem vinho. Não me defino. Não me dou um nome. ...

Pássaro

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Aceitar como é. Aceitar como não é. Viver a presença. Viver a ausência. Receber o dia. Abraçar a noite. Acolher o tumulto. Aceder à calma. Aceitar. Não criar resistência. Deixar fluir. Deixar ir. Não prender. Não reter. Não aprisionar.

Meu velho eu

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Já não há espaço para mim aqui. Já não há tempo para mim aqui. Neste aqui onde quis estar, neste tempo que achava ser o meu. Tenho uma existência feita de equívocos mas acabam por ser os equívocos que me reconduzem ao caminho. Adeus àquele pedaço de mim que começa a ficar para trás…

Palcos

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Procuro o meu palco e uma plateia a aplaudir. Nesse palco, os papéis secundários não me interessam, ainda que tenha passado uma vida inteira a desempenhá-los.  Quero o protagonismo porque se o palco é meu não faz sentido dar o papel principal a outra pessoa. Não aceito menos do que o que quero e não aceitarei menos do que o que acho que mereço. That's it :)

Changes

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These past months have changed me. Nothing happened and everything happened. Nothing happened outside but everything happened inside. Strangely or not  I think I'm still not 100% aware of what is going on inside me. Sometimes I think I am lost, I will say I'm lost but honestly I don't believe it. I'm not lost. I may not know where I am heading to, but I'm not lost. I'm changing skin. I'm admitting to myself I might have been wrong about some things. My view is limited and my judgements can't always be trusted. I can't see the whole picture and I may have felt hurt more than I would like to because of my inability of giving others without expecting something in return. Over time (and probably since an early age) I have been too obsessed over things and the more I tried to hold on to them, the less I understood my obsession was preventing me from moving on. Isn't it funny how we claim our desire from freedom but then go acting completely c...

Sonhos / Projectos

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Construir uma base forte de auto-confiança é muito importante. Lutar pelos sonhos exige que se comece por acreditar em nós mesmos e na nossa capacidade em dar vida aos nossos projectos. Lutar pelos sonhos também requer que não desistamos às primeiras dificuldades. Há pessoas que, aparentemente, estão mais aptas. Nem todos nasceram para serem empreendedores. Mas isso não retira legitimidade ao que, para nós, vale a pena e é importante. Tenho pensado bastante nesta questão, sobretudo por que me parece que os meus projectos demoram sempre muito tempo a arrancar, e depois demoram muito tempo a criar raízes e muito tempo a consolidarem-se. Propus-me este ano a dar mais de mim, a revelar mais de mim pois sei que, no futuro, não me poderei acobardar. Às vezes apetece-me parar porque me desmotivo, mas consigo hoje entender que não devemos rejeitar aquilo que é feito de coração e de boa vontade e, sobretudo, não devemos desvalorizar os nossos sonhos. Como diria António Gedeão na sua "Pe...

Capaz

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Tenho buscado a aceitação, a compreensão… tenho buscado de fora para dentro. Hoje faço o inverso e custa, mas custa um pouco menos. Dou por mim a enfrentar os meus medos, a minha vergonha, a minha fragilidade… a aceitar todo o processo de caminhada sem pensar muito na meta, na chegada, no resultado. É isto apenas. E parece tão simples, mas é tão complexo ao mesmo tempo, sendo que até no complexo podemos aprender a simplificar. Deixo de lado, por hoje, as inquietações e tribulações.   É tempo de respirar, de me redescobrir e descobrir que sou capaz.

Os meus passos

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Tenho tentado ouvir a minha voz interior. Sei que para ouvir com clareza, preciso de afastar os ruídos ou afastar-me dos ruídos. E, tal como a proposta vinculada por um eremita, sigo ... Não há lágrimas, não há tristeza, não há separatismo. É nas profundezas do nosso ser que encontramos as respostas, recuperamos a nossa vontade para emergirmos novamente. Tão curioso como o que antes via como uma fraqueza, hoje vejo como dádiva. E nessa minha reclusão renasço uma vez mais. Sou livre de sentir, de me emocionar, de rir e chorar, de acreditar, de amar do meu jeito meio confuso e atrapalhado. Sou livre de não seguir os passos de quem quer que seja e só olho para trás para me despedir das pegadas que deixo.  Nunca na solidão me senti tão acompanhada. Na verdade, nunca estou sozinha. Nunca estive. Hoje sei-o bem!

# urdhva dhanurasana

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Urdhva dhanurasana, comummente chamada de postura da ponte, tem sido um dos asanas mais desafiantes para mim. No ashtanga vinyasa, começamos por fazer uma preparação de ponte, até que, finalmente, levantamos o corpo com os braços. Se "finalmente" remete para conclusão, erguer os braços só por si está longe de significar o fim. É, na verdade, o começo de um caminho que leva tempo. Lembro-me de tentar uma primeira vez há dois anos e que sentir que estava a morrer. A morrer mesmo!!! :) Não conseguia respirar, não conseguia arquear as costas, doíam-me os pulsos e sei lá mais o quê. Durante algum tempo preferi ficar pela preparação, até que me dei conta que, se não começasse a tentar, nunca iria lá chegar. Têm sido dois anos muito pacientes, com uma evolução gradual mas, às vezes, muito pouco perceptível. E cheguei a questionar como podia ser tão difícil para mim e, aparentemente, tão fácil para outras pessoas. O nosso corpo acumula todo o tipo de tensões e libertar-nos de padrõ...

Do your pratice and all is coming

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"Do your pratice and all is coming.", célebre frase de Sri K. Pattabhi Jois que pode bem ser vista como um lema aplicável a todas as áreas da nossa vida. Independentemente de haver um determinismo nas nossas decisões, escolhas e caminhos ou plena liberdade de ação, independentemente da fé que seja professada, independentemente das nossas crenças mais profundas, tudo se pode resumir a isto: Faz o que tem de ser feito e tudo virá. Virá a compreensão, virá a aceitação, virá o entendimento... Não falo de resultados materiais, falo mesmo de mudanças que se desenrolam dentro de nós, mudanças alquímicas, mudanças tão profundas que se pegarmos numa mesma pessoa e compararmos o antes e o depois num lato espaço de tempo, parecerá que falamos de dois indivíduos diferentes. Pessoalmente, sinto que tenho vindo a aceitar o meu passado e, ao aceitar, não sinto tanta necessidade de estar sempre a voltar atrás. Encaro situações como "assuntos arrumados" e percebo que tudo o que ac...

Decisões

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Somos inteiramente responsáveis pelas decisões que tomamos e escolhas que fazemos. Somo-lo independentemente das opiniões de terceiros (à priori) e consequências, boas ou más, que daí advenham (à posteriori). O processo de maturação envolve, entre muitas outras coisas, conseguirmos escolher melhor o caminho a seguir. Não digo com isto que vamos com o tempo tendo a certeza de por onde devemos ir. Afirmo sim que o tempo traz-nos uma maior clareza do que serve e não serve para nós e podemos afiançar com mais certezas: "Isto pode ser muito bom, mas não para mim." Porque definimos melhor os nossos critérios, confiamos mais na nossa intuição e talvez até consigamos justificar melhor as nossas opiniões. Não que tenhamos de o fazer. Devemos honestidade aos outros, mas devemos honestidade sobretudo a nós mesmos. E isso requer uma certa dose de coragem, porque podemos acabar sozinhos apenas na companhia da nossa decisão. Por isso aqui fica,...

E vou...

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É um bom dia para uma caminhada. É um bom dia para pegar na mochila e ir por aí. É um bom dia para que o "aí" não tenha limites e não pensemos na canseira do regresso enquanto os nossos passos nos levam para longe. Basta ir. Basta escolher ir.

Sonhos

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Objectivos? Vários. Paz interior, descobrir o meu propósito de vida, ter junto de mim os que me são mais queridos, levar os dias com um sorriso nos lábios, aceitar-me como sou e nunca perder a fé. Sonhos? Ir a Mysore um dia. Tornar-me na ashtangi que ambiciono ser. Vou colocar esta imagem no meu quarto. Um dia acontece.... ;)

Relacionamentos

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Sou imensamente grata a todas as pessoas que se cruzam no meu caminho. Ao falar com velhos e novos amigos percebo que todos nós queremos o mesmo. Expressamo-nos apenas de forma diferente e focamo-nos mais numa área ou noutra em função do que tem de ser mais trabalhado. Todos nós temos desafios para superar, barreiras que por vezes parecem intransponíveis. São esses os nossos dragões. Mas por que não ver o dragão como um mestre em vez de um carrasco? Tenho tentado fazer isso e noto uma diferença enorme na forma como me relaciono comigo mesma e com os outros. Ainda hoje comentava que grande parte dos nossos relacionamentos dizem mais sobre quem somos e o que precisamos de trabalhar do que o que pensamos. Não é o “dar e receber”, não são as obrigações ou expectativas, os abraços, beijos ou palmadinhas nas costas, nem as saídas ao cinema ou um “enroscanço” no sofá. É sim relembrar-nos de tudo o que somos em potência, mas que nos esquecemos. É redescobrir a nossa capacidade em ama...

O meu melhor

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Não somos perfeitos. :) É a primeira constatação. A segunda é que o que somos tem de chegar, tem de ser o suficiente, porque não há mais. :) Podemos tentar, podemos testar, podemos aprimorar, mas não há como ignorar a bagagem que trazemos connosco, não pela mão, mas presa ao nosso pescoço e a nossa tendência inata para não acertarmos à primeira. Contudo, isso não significa que somos imperfeitos. Estamos, sim, num constante processo de aprendizagem. Vivemos experiências idênticas com pessoas diferentes, pomos à prova a nossa fé, tentamos novamente, insistimos e até quando dizemos que já não acreditamos, ainda temos, na verdade, uma réstia de esperança. O ser humano precisa disso: ter esperança. De que outra forma conseguiríamos andar aqui? Sejamos, por isso, condescendentes com as nossas falhas, tolerantes em relação a tudo o que não conseguimos fazer bem. E não conseguimos porque não sabemos como fazê-lo. Simples, não é? Óbvio! Não se pede a alguém que ma...

Ai tempo, tempo !!!!

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A violência e drama que se generalizam por esse mundo fora são um convite à relativização dos nossos próprios problemas. Ainda ontem pensava nisto. Os meus problemas não são reais. Ou seja, podem existir situações adversas mas, na verdade, servem para me fazer parar, pensar de novo, reflectir, amadurecer e, quem sabe, seguir um rumo novo. Todavia, a grande maioria da angústia gerada por esses embates temporais reside na mente que nunca cessa o pensamento, mesmo que não esteja a pensar nada de jeito. Sobretudo, quando não pensa nada de jeito. Concentramo-nos, tendencialmente, nas frustrações do passado e receios em relação ao futuro... Ignoramos a beleza do silêncio do presente.... Como agora, enquanto escrevo, sinto uma espécie de silêncio sagrado interrompido apenas pelas teclas do pc ou pela respiração mais profunda do meu cãozinho. Tudo leva o seu tempo. Tivemos um tempo para ganhar forma no ventre das nossas mães, um tempo para aprendemos a andar e falar, um tempo par...

Percebes à primeira ou não?

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Às vezes parece que nada nos corre de feição como se houvesse uma mega conspiração contra nós. Ontem encontrei uma frase que alertava para a necessidade de, quando estes momentos acontecem, prestarmos atenção ao que estamos nós a transmitir para o mundo. Os nossos pensamentos têm um efeito boomerang. Das duas uma: ou não existe nenhuma conspiração e nada mais é do que criação da nossa mente, ou de facto as coisas estão a precipitar-se para um rumo que não devem, mas por influência nossa. Não é fácil, senão mesmo impossível, responder à questão “Quem sou eu?”, mas há questões que devemos colocar. Há questões sobre as quais nos devemos debater.  É este o caminho certo? É isto que que quero? Serve-me este rumo? Começo a convencer-me que quando há momentos grandes de angústia por motivos nada aparentes é porque a nossa alma percebeu primeiro do que nós a m**** que andamos a fazer. E aí é preciso discernimento e coragem. Discernimento para fazer uma nova escolh...

O que dizem, interessa mesmo?

Dizem-nos para sermos fortes, lutadores e resistentes. A teoria é linda! E logo ligamos o nosso detector de auto-imperfeições, que por vezes é bastante cruel e punitivo. Dizem-nos para respeitarmos a nossa medida, quando respeitar a medida implica na prática que possamos nem sempre ser fortes, lutadores e resistentes. O pudor impede-me de utilizar linguagem brejeira ou algo pior para responder a tudo o que é suposto ser ou pensar ou sentir. Se desconstruir todos esses ditos e suposições, encontro apenas uma miúda a tentar fazer o melhor que sabe, e a falhar se calhar em número superior às tentativas. E, em tudo isso, igual a toda a gente. Por isso simplifiquemos... Se gastarmos demasiada energia num momento único que irá tornar o nosso mundo supostamente melhor, receio que o esforço seja inglório. A vida é como um asana. Ninguém acredita que será um pró logo à primeira, mas toda a gente tem fé de que lá chegará. Se insistirmos demasiado em criar a nossa existência de acordo com...