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10 minutos de palavras

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Depois de duas semanas de treino intensivo, fui-me abaixo esta semana. Questionei se era por uma questão hormonal ou cansaço físico. Por fim, concluí que talvez esteja a abusar das lentes de contato enquanto me sento frente a um computador durante 8 horas diárias. Sinto-me azamboada, diariamente. A minha mente não quer colaborar, nem o meu corpo. Há um alívio quando, ao final do dia, me deito na minha cama. É onde quero estar, a descansar e em silêncio. Não tenho paciência para ouvir os dramas das outras pessoas. Reconheço em mim uma certa frieza emocional mas não me sinto mal com isso. Acima de tudo, não me sinto obrigada a gostar, a aceitar, a ouvir e a estar presente. Não me sinto obrigada a ser atenciosa, maternal e mostrar disponibilidade. Irrita-me, sobremaneira, os "discos riscados". Ontem dei-me conta de que, na verdade, só me preocupo com um número muito reduzido de pessoas. A humanidade, no seu todo, é uma desilusão. Os dramas dos homens são uma peça de teatro de pé...

Temperança

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 Ao longo dos últimos três anos tenho voltado ao mesmo "ponto crítico" várias vezes. Mais vezes até do que gostaria. Mas sei que, ainda que volte, há uma mudança gradual na minha forma de sentir e vivenciar a dor. A possibilidade de transmutação dá-me esperança, traz-me a fé de que, um dia, eu olhe para aquele quadro e não sinta mais do que gratidão, e que o coração curado possa, por fim, se despedir. O fosso vai sendo ampliado. Cada vez é maior a distância entre o que foi e o que é e a Lídia que é também se começa a parecer diferente da Lídia que foi. Ainda bem que assim o é. Ainda bem que a vida nos permite tomar novos rumos depois de termos tido de chafurdar na lama. Ainda bem que  depois da tempestade vem a bonança . E ainda bem que reconheço essa bonança em coisas tão simples e corriqueiras. (Foto tirada da net pode ter direitos de autor)

Deixa ir! Deixa ir!

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Março chegou e com ele a chuva que substituiu um pouco o frio. Março também me trouxe os reencontros só para perceber que nada mudou. Por vezes, sinto-me um ratinho preso numa roda com a consciência de que pareço um ratinho preso numa roda. Apetece-me deixar estar, não lutar, não desejar, não querer mais nada a não ser aquela roda que me é tão familiar. Mas custa-me desistir tão facilmente e tão cedo como se, aos 40 anos, eu pudesse achar que a minha vida está decidida. "Deixa ir Lídia, deixa ir!", digo a mim mesma e torço para que, desta vez, eu me dê ouvidos. Não faço ideia por onde seguir. Não percebo muito de caminhos curtos ou longos. Não olho de frente para a minha dor, somente a observo pelo canto do olho e até o que brevemente vislumbro finjo não ver. Talvez siga um pouco ao calhas como quando tento planear os meus fins de semana e anseio por preenchê-los com "passos dados" só para não me perder na apatia. Fazer qualquer coisa para não me amargurar por ter f...

Que deixe ir tudo o que não é para mim!

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Sou uma viciada em certos pensamentos, em certas dores, ...  Há momentos em que me vergo, em que me vergam, e peço àquela entidade que não sei se existe, mas que, se existir, deverei escrevê-la em maiúsculas... "Se Tu me ouves, por favor ajuda-me." Já repararam numa coisa ...? Se fomos criados à imagem Dele, se Ele existe em nós, então não serão as nossas mensagens de suplício dirigidas a nós mesmos? Lídia, por favor, ajuda-te! Haverá maior curador das nossas feridas, do que nós mesmos?  Rendo-me! Que deixe ir tudo o que não é para mim!

Dia 9

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Segunda-feira chegou. Caminhamos a passos largos para o fim do ano. Tenho fé e esperança. O meu mundo interior vai-se revestindo de luz e energia e recorro a ele sempre que preciso. Tenho pensado imenso na minha vida, no meu crescimento e na minha aprendizagem. Depois de tanto tempo a lutar contra a maré, estou apenas a deixar-me ir, sem resistências. Fora os momentos em que a TPM liberta a minha Kali, de uma forma geral vou estando mais calma e mais centrada. O meu desejo atual é o de me desfazer de alguns objetos, roupa e acessórios de que já não precise. Tenho coisas em demasia, em excesso. Bugigangas a ganharem pó, a não serem usadas, que representam uma energia estagnada. Não preciso de energia estagnada. Pretendo também uma vida mais simples, com menos. Menos fora de mim e com maior consciência dentro. Não posso afirmar com 100% de certeza que entendo o que a vida pretende de mim mas sinto, do fundo da minha alma, que será algo aproximado ao que estou a pretender fazer. [Entretan...

Das saudades e não saudades

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Sinto saudades mas não sinto saudades. Sinto saudades dos momentos em que me senti livre, das risadas, do convívio, das jantaradas, dos comes e bebes, das partilhas, das palavras. Mas não sinto saudades de tudo aquilo que não me permitia que eu fosse eu mesma. É curioso como, por vezes, necessitamos de nos ver privados de alguns bens, pessoas e situações - o que dávamos como adquirido - para percebermos de que, no meio da azáfama, já tínhamos perdido a nossa voz. Mas no silêncio ela é audível. Parece um sussurro de fora e leva algum tempo até percebermos que nos encontramos em diálogo sincero connosco próprios. Este tempo é difícil mas é uma oportunidade, para alguns talvez a derradeira, de nos vermos, ouvirmos e sentirmos com genuína atenção e gentileza o bater do nosso próprio coração. Sim, sinto saudades de algumas coisas mas não tenho saudade alguma de não ser eu.

Deixar ir

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Quanto mais faço as pazes com o passado, mais encaro o futuro com otimismo.  Excessos desnecessários tornam a bagagem pesada. Chegou a altura de deixar ir o que tem de ir.

Bruxa do vento

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Vento, vento, vento... Leva o que está em excesso, o que não me serve, o que não é para mim... Para que eu ganhe espaço no meu peito para receber o que a mim me está destinado.

Refúgio - 1 (14.03)

Entrei em refúgio. Eu e a minha gata. Preciso. Retirei-me das redes sociais, mantendo-me apenas aqui onde só me encontrará quem de facto andar à minha procura. Sonhei. Quando acordei lembrava-me de parte do sonho. Três momentos distintos: - O roubo de uma jóia valiosa por três mulheres. Uma artimanha criada pelas três para que, passados 4 anos, pudessem vender a jóia e ficarem ricas; - Uma suposta viagem minha até ao Brasil (ontem, antes de me deitar, pedi para que o meu espírito pudesse ir viajar e aparentemente o meu pedido foi atendido). Lembro-me de ter ido de avião para o norte do país e de, posteriormente, alugar um carro e conduzir até ao sul para uma daquelas terras lindas que, agora que penso bem, me faz lembrar Itália. Go figure it ! - No terceiro momento, encontro-me num hotel sentada na varanda frente ao mar. Mar lindo e calmo. De repente começam a formar-se ondas enormes. Não sei se alguma vez partilhei isto, mas tenho medo do mar. Só de me imaginar caída no mar revolt...

Sigo como me tenho sentido... só. A solidão mói mas também retira a bagagem que já estava em excesso de tão vazia que era.  Irónico como algo tão oco pode pesar tanto! É tempo de levar pouco, apenas o importante. Levo-me a mim, o meu corpo, a minha alma, a minha esperança. 

I don't care!

Deixei de me importar com o que é supostamente certo, supostamente correto, supostamente adequado. Deixei de me importar com expectativas alheias, opiniões externas e devaneios de terceiros. Deixar de me importar é uma escolha, como foi uma escolha ter-me importado durante tanto tempo. Podemos perder, e perder até é aceitável, mas não nos devemos perder. Perder a noção de quem somos, dos nossos valores e dos nossos sonhos, até nos tornarmos em estranhos para nós mesmos. Sim, deixei de me importar mesmo que as minhas perguntas sejam cruéis e as minhas respostas sejam tortas. Mesmo que não me entendam. Deixei de me importar porque já me importei demasiado.

My sweet demon

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Sujeita a atritos raivosos. Nervoso colérico que borbulha dentro de mim. Sempre à espreita. Tão familiar. Já conheço, já o enfrentei. Já bati com a porta e já bati com a cara na porta. O lado violento e negro que assoma à fronteira da minha alma. Reconheço-o, o demónio disfarçado que me incita ao combate, desprovida de argumentos e cega de raiva. Paro então, por momentos. Respiro fundo. “Hoje não! Hoje não me vences. Vou apanhar ar, vou respirar natureza. Vou ser amor logo no dia mais propício ao amor, amor genuíno por mim mesma. Vou sentar-me numa cadeira de café embalada por um cappuccino e um bom livro.” Sigo. Deixo. Abandono. Dou a cara. Recebo o estalo. Está tudo bem. (Imagem da Internet)

2020 Motto

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Inner connection

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Choose to connect instead of disconnect <3

Crescer e aprender

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Acredito que vimos a este mundo para evoluirmos. Trazemos uma mala cheia de experiências passadas e caminhamos ao encontro de experiências futuras. Ao longo do caminho iremo-nos cruzar com imensas pessoas. Algumas vão-nos fazer sorrir. Outras levar-nos-ão às lágrimas. Se tivermos sorte, todas nos ajudarão a crescer.

Nada

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Dispo a pele. Abandono-me ao invisível. Retorno ao estado embrionário sem receios e caminho sem nunca olhar para trás. A minha alma serena por fim. Não procuro nada. Não procuro ninguém.

Folhas ao vento

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Foram-se. 1, 2, 3, 4, 5 e tantas outras folhas desprenderam-se dos ramos e rodopiam agora ao sabor do vento. Olhos indiscretos observam-nas naquela dança sincronizada. Nada as agarra! Nada a impede! Nada as detém! Voam certeiras para o seu destino deixando para trás quem as olha. O observador permanece imóvel mesmo depois de as perder de vista. Regista na sua memória o momento da ausência. Apercebe-se então daquela velha árvore enraizada na terra com 1, 2, 3, 4, 5 e outras tantas folhas a menos. Tão descomposta, mas tão majestosa! Mesmo despida a árvore nunca duvida, nem por um segundo, de que continua a ser árvore.

Dançar à chuva

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Vou com a chuva. Vou com o vento. E sorrio. Passo por demente, insana, uma louca sem vergonha. E continuo a sorrir. A chuva limpa-me do que já não serve. O vento leva-me para onde tenho de ir. Vou à confiança de olhos bem fechados. Confio. Já não tenho medo.

Palavras

Quero levar pessoas no coração não palavras, por isso digo as palavras mesmo que receba o silêncio.  Quando quase tudo é dito, quase nada fica por dizer.

Redenção

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Das 24 horas diárias, excluindo as 8 para dormir, tenho reservado as restantes 16 para estados de cólera. Como se verifica com o tempo mais agreste, também há momentos de céu limpo ou clareza de espírito. Ínfimos segundos! Tento nesses segundos corrigir todas as restantes horas de agressividade, para, não raras vezes, o lamentar logo de seguida. Sim, é difícil! Qual o lado bom? Redenção, pedir desculpa é sempre bom mesmo que o ego deteste. E vale a pena. Ajuda o outro e a nós mesmos. Falamos tantas vezes no que pesa, no fardo que carregamos às costas, mas raramente mostramos disponibilidade em deixar o fardo para trás. Somos burros de carga por opção! Não admira que a caminhada seja tão lenta. Não há ninguém a atrasar-nos o passo a não ser nós mesmos.