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"Não sei quem sou, que alma tenho."

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"Não sei quem sou, que alma tenho."  Começa assim o poema de Fernando Pessoa, um dos meus preferidos. Padeço da mesma dúvida. Estou em mim mas não me conheço e exijo uma genuinidade que me é estranha e que requer que deixe para trás tudo o que não sou. Mas saber quem sou traz-me tantas dúvidas como saber quem não sou.  Vou tirando camada a camada... Sou a primeira a espantar-se com as incongruências. Sou estranha, sem que isso me inquiete, para aceitação de uns e repúdio de outros. Não dá mesmo para agradar a todos! Nem o pretendo!  Há um consolo no meio de tudo isto, o almejado dia em que me consiga mostrar sem máscaras.

Liberdade

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Diz Bernardo Soares no "Livro do Desassossego" que "a liberdade é a possibilidade do isolamento. És livre se te podes afastar dos homens (...)". Isto não é um convite a que nos retiremos do mundo. Encaro sim como o reconhecimento de que não precisamos de procurar nada fora de nós mesmos. Quantos de nós sustentam os andaimes da sua existência em convenções sociais? Ou dizem precisar do que, por norma, toda a gente julga precisar. É certo de que há um desejo comum que é o de ser feliz. Mas não creio que a felicidade deva ser o fim que buscamos. E considero, na minha enorme ignorância, que um homem sábio não se reconheceria a si mesmo como um homem feliz, mas sim como alguém que faz o que tem de ser feito, independentemente de isso lhe trazer dor ou prazer, alegria ou tristeza. Acima de tudo, um homem sábio reconheceria sim que a liberdade é a maior dádiva. Quando procuramos fazer o que é necessário, sem centrarmos a nossa acção nas recompensas que daí possam advir, ...

Fernando Pessoa, A Tabacaria

Sou uma apaixonada pela poesia de Fernando Pessoa. Não percebo como não percebi a beleza dos seus poemas há cerca de 15 anos na Secundária e alguns anos mais tarde na Faculdade. As suas palavras entram-me na alma e ainda que não admita a possibilidade de alguma vez escrever algo assim tão bonito, há momentos em que entendo o que o poeta diz como se tivessem sido as minhas mãos a escrever aqueles versos. Adoro especialmente A Tabacaria . Houve um dia em que li e reli em voz alta o poema para saborear cada palavra e cada som. Como eu me sinto às vezes assim naquela dor de pensar! “Mas eu penso e, ao tirar o papel de prata, que é de folhas de estanho,  Deito tudo para o chão, como tenho deitado a vida ” Como eu já me senti um fracasso, um nada e até ao desejar ser grande ao ser nada, me descobri pequena! Porque como pode o "nada" valer algo que valha a pena ser desejado? “Que sei eu do que serei, eu que não sei o que sou?  Ser o que penso? Mas penso ser ...