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Regressar

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Sou caminhante mas os meus pés já não me levam a percorrer as ruas de Lisboa. Gosto de pensar que encontrei algo na minha vida que já não requer este hábito. Ou, talvez, seja a idade que me deixa assim. Desci do autocarro no Marquês e segui pela Avenida da Liberdade. A enchente de turistas, conjugada com as obras, cheiro de urina nas ruas e barulho excessivo já não me é apelativo. (Continuo a adorar-te Lisboa mas acho que mudámos as duas!) Em diversos momentos pensei em voltar a fotografar: um restaurante com uma decoração excêntrica, uma loja com enfeites de Natal, a fachada do Teatro Politeama a fazer promoção ao musical "A Bela e o Monstro" de Filipe la Feria, o  Castelo de S. Jorge iluminado no alto. Mas,... Mas já não me apetece. Já não tento registar para depois recordar. E com esforço, porque me dói o corpo, lá me arrastei até ao metro do Terreiro do Paço. Tudo isto me mostra como de facto o tempo corre, nós vamo-nos transformando e isso é visível por vezes em coisas a...

Roma Areeiro

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Não está um Outubro de chuva nem descida de temperatura. Já me chegou o cheiro das castanhas, um cheiro apetecível mas estranho uma vez que ainda está tempo quente. Esta semana foi desafiante. Tenho-me sentido fisicamente cansada. Não consegui ir ao ginásio pelo que fiz algumas caminhadas em substituição: desde a Alameda passando pela Av. de Roma, que me trouxe recordações de quando lá morei há mais de 20 anos. É interessante passar pelos mesmos locais com um intervalo significado de tempo para perceber não só o que mudou naquelas ruas, mas também o que mudou dentro de mim. 20 anos não assim tantos anos, mas a diferença é abismal. Se não fosse por ter algumas daquelas lembranças bem presentes, ainda acharia que estava a falar da história de outra pessoa. O tempo leva-nos mesmo tudo, incluindo a forma física. Mas não leva os momentos marcantes, sejam bons ou maus. É curioso como me lembro de situações aparentemente tão insignificantes mas que, por algum motivo, nunca as esqueci. - O pão...

Chuva

 O "meu" Cartaxo à chuva. " Gosto de ti, ó chuva, nos beirados, Dizendo coisas que ninguém entende! Da tua cantilena se desprende Um sonho de magia e de pecados." (Florbela Espanca)

Lar [Citações]

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“Há mulheres para quem o lar é uma floresta, um deserto, o mar. Na verdade, o lar é holográfico. Pode desenvolver-se em todo o seu esplendor numa simples árvore, num cato solitário na vitrina de uma loja, num lago de águas calmas. Pode também surgir em toda a sua plenitude numa folha amarela caída no asfalto, num vaso de barro ocre que aguarda a plantação de algumas raízes, numa gota de água na pele. Quando a mulher se concentra com os olhos da alma, verá o lar em muitos, muitos lugares. Durante quanto tempo se poderá permanecer no lar? Pelo tempo que se puder, ou até a pessoa se sentir novamente dona de si. Com que frequência precisa de ali voltar? Com uma frequência bastante considerável se se for “sensível” e se se tiver uma grande atividade no mundo exterior. Com uma frequência menor, se tiver “uma pele dura” e se não for pessoa de andar muito tempo “no exterior”. Cada mulher sabe, no seu íntimo, quantas vezes preciso de o fazer, e por quanto tempo. É uma questão de saber avaliar...

Homesick

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Não entendo. Não [me] entendo. Às vezes sinto como se vivesse entre salas que estão sempre às escuras, ou caminhasse em ruelas sempre embrenhadas em nevoeiro ou jardins que recebem uma luz tão forte do sol que me ofuscam. O problema não é o espaço, mas a forma como mergulho nele, sempre duvidosa, receosa, ignorante. Corro então para o meu abrigo. Fecho a porta, a chave roda na fechadura, uma, duas, três vezes, … Quando finalmente me sinto resguardada do mundo lá fora, o meu coração acalma e eu respiro fundo. Sobrevivi mais um dia! O meu coração aguentou. A minha mente aguentou. O meu corpo aguentou. A minha alma aguentou. Sei então que não pertenço aqui. Não pertenço a este caos do mundo moderno que me suga a energia e a fé. Pertenço à floresta, aos caminhos de terra batida, aos riachos, ao vento sussurrante e às estrelas.