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"Deus não precisa de ti", Esther Maria Magnis

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Acabei ontem de ler "Deus não precisa de ti" de Esther Maria Magnis. Achei o livro fantástico e recomendo a todos que estão nesta caminhada de fé de encontro a ou reencontro com Deus. Não sei como definir o final do livro. Não sei se devo considerar que acaba bem ou mal. Não era o que eu estava à espera e senti muita pena da autora, apesar de entender que a sua fé acabou por sair reforçada no meio de tanta dor. Em momentos senti o seu desespero e revolta. Entendi a dor emaranhada no seu peito quando Deus parece ausente ou nos leva a crer que as nossas preces não são ouvidas. O caminho da Fé não é fácil. Não é linear. Porque também a vida não é fácil. E nem sempre sentimos o colo Dele, o consolo Dele, a presença Dele. Nem sempre entendemos o porquê. Nem sempre identificamos a lição por detrás dos nossos tropeços. Se é que há alguma lição! Inquirir não significa ter respostas. Inquirir, muitas vezes, evidencia apenas o quão pequeninos e desconhecedores somos. E é importante est...

No meio das minhas imperfeições

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Sou imperfeita, muito imperfeita. A minha fé em Deus aumenta à medida que vou lendo e entendendo a Bíblia e oiço a palavra de outros que professam esta fé há muito mais tempo. Sinto que este caminho é mais real e verdadeiro, mas não me tornei necessariamente melhor pessoa. Ontem fui ao ginásio, como é habitual. Senti-me sozinha numa sala cheia de gente eufórica. Para mim, nada disso me é normal. Foi nesse silêncio interior imposto que refleti imenso na minha imperfeição. Senti a inveja, os ciúmes. Pensei naqueles que são melhores, que têm "mais sorte". Comparei-me. Diminui-me. Por fim, disse para mim mesma que prefiro a solidão porque não quero lidar com nenhum tipo de emoção. Não quero ter de olhar para o outro e através do outro ter de me ver nos meus excessos ou carências. É certo que nunca estou verdadeiramente sozinha porque Ele acompanha-me, mas nem sempre o silêncio erguido à minha volta é fácil de ser trabalhado. Ontem, naquela mesma aula, senti-me desajustada, uma pe...

Fuga

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Demarco-me do exterior. Sou uma estranha neste mundo. Gosto da beleza natural, mas assusta-me a natureza humana. Não obstante, também eu tenho forma de gente e partilho desse ADN que tanto me atemoriza. Desligo a TV. Desconecto-me das notícias virtuais. Suspendo os sons das palavras ásperas. Caminho por onde não passa gente. Oiço o barulho dos pássaros que pousam no cimo da Igreja. Oiço o barulho do vento que me gela os ossos. Procuro refúgio e proteção contra a demência social. Ainda assim questiono-me se viver em constante fuga é a solução.

Luta interna

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Há uma luta interna dentro do homem, esteja o homem consciente disso ou não. A consciência traz responsabilidade. Saber não nos permite ignorar porque ao fazê-lo correríamos o risco de sentir maior dor do que aquela que pretendemos evitar. Mas a consciência também não nos traz respostas de imediato. Quando penso nisto, quando vivo esta luta feroz, vêm-me sempre a imagem do ser interior que nos habita a querer rebentar a nossa pele e sair para fora. Ele quer-se mostrar, estar presente. E mesmo que pretendamos travar-lhe o voo, o nosso olhar e atitude serão reveladores do conflito em que estamos imersos.

Conversas sobre a raiva

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Esta semana, em conversa com uma amiga minha, falámos da raiva e da dor.  O diálogo fez-me lembrar da minha própria raiva, aquela raiva do passado que, eu bem sei, ainda lateja no meu peito.  Não me iludo. A raiva não sai. Apenas míngua a sua intensidade à medida que vou curando as causas primárias que me levaram a senti-la em primeiro lugar.  Este processo é moroso, feito de avanços e recuos. A cura vai-se fazendo, pouco a pouco. Surpreendo-me ao descobrir que não desejo cortar etapas. Desejo que o meu recobro seja consistente e que a minha consciência tenha bons alicerces.  Se é preciso ainda chorar, pois que chore. Se é preciso ainda doer o peito, pois que doa. Se é preciso ir lentamente, que assim seja. Não estou em competição com o mundo. Pretendo sim uma transformação em mim tão profunda que permita o perdão de mim mesma e, por extensão, o perdão ao outro.

#Quotes [Hate]

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“I know that you cannot hate other people without hating yourself.” –  Oprah Winfrey P.S. Imagem retirada da net

Grito

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O meu coração está pesado. Reviro a sua pele como se fosse um saco e sacudo-o à espera de que dele caia algo. Voam pedaços de folhas rasgadas com a minha letra impressa. Não me atrevo a juntá-los. Não quero recolher palavras do passado nem histórias que cairam no vácuo. Foram meros disfarces para tudo o que sentia e fingia não sentir. - “Vens para agradar?” – perguntam-me. Encolerizo-me, mas silencio a voz enquanto cruzo os braços sobre o peito. … tic-toc…. … tic-toc…. … tic-toc…. [Rasgo as paredes, parto os vidros, queimo os livros, abro as janelas e grito como um animal selvagem preso numa armadilha…. Arranco pedaços de pele do próprio corpo até chegar às paredes do pequeno coração que insiste em bater. - Pára! – grito-lhe! - Não! – responde-me com uma voz cavernosa.] O grito tenebroso da minha mente acorda-me. Ali continuo sentada de braços cruzados. Minha querida besta infeliz que anseias tanto por sair e eu não deixo.

Solstício Inverno

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Celebra-se hoje o solstício de Inverno. Júpiter e Saturno estão juntos em Aquário. Não sei o que é suposto sentir. Se é suposto sequer sentir alguma coisa. Sou defraudada pelas minhas próprias espectativas. Nada que não esteja já habituada. Há um cansaço enorme que me faz recolher a casa e aos meus lençóis antes da hora. O escuro e o silêncio instalam-se e eu desejo ardentemente que o sonho me leve para outro lugar.  Sinto raiva camuflada de mágoa ou mágoa camuflada de raiva. Quanto mais tento eliminá-la(s) mais forte é (são) as suas raízes. Há sentimentos que eu não gosto de sentir, mas sinto-os para meu embaraço, ou não. Por isso repito. Não sei o que é suposto sentir. Talvez não seja isto o ideal. Talvez não seja o que me eleva. Talvez não seja o que faz de mim evoluída. Mas é o que é e é o que há. Talvez disfarce o suficiente para ninguém ver. Ou talvez toda a gente veja e eu, na minha grande ignorância, me julgue capaz de esconder aquilo que o meu rosto revela sem reservas. Ta...

Notícia da semana

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A raiva é uma emoção que me tem acompanhado imenso nos últimos dois anos. Ainda que saiba que a raiva por si só não é boa, também entendo que ela é uma clara indicação de que algo estava ou continua a ser reprimido dentro de mim. Para lá das minhas circunstâncias claramente pessoais, atualmente olho para o mundo e não consigo deixar de me enfurecer. Sempre ouvi dizer que o ódio não se resolve com o ódio e que a intolerância só gera mais intolerância, mas é difícil atenuar a emoção perante tanta ignorância e violência. A notícia desta semana, para além da recorrente menção à covid19, diz respeito à decapitação de um professor em França por um radical islâmico. Enoja-me que em pleno século XXI, pessoas que nada sabem de espiritualidade e muito menos de respeito pelo próximo, cometam atrocidades deste género. E percebo como é tão fácil adotar também um comportamento extremista perante merdas como está. Muito se falou no "vai ficar tudo bem". Acredito que eventualmente sim, as co...

Subir a montanha

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Vim trabalhar. Apanhei o suburbano e, chegada a Sete Rios, o 758 até ao meu local de trabalho. Vê-se muito menos pessoas na rua. No autocarro, eramos quatro. Instintivamente, sentamo-nos afastados uns dos outros. Chegada ao escritório, sou incutida a acreditar que tudo está bem, que tudo é um alarmismo desnecessário. Talvez. Não sei. Quando tanta gente se refugia em casa, ser levada a sair, a passar uma hora nos transportes públicas, parece-me, em certos momentos, uma desvalorização do meu bem-estar. Contudo, sei que nada disto me incomoda verdadeiramente. Passei o fim de semana a bater com a cabeça na parede por causa dos meus pseudodramas e traumas emocionais. Os meus excessos de raiva suplantaram o meu medo do vírus. Cheguei ao capítulo 12 do livro de “Mulheres que Correm com os Lobos”, e porque nada é por acaso, este capítulo trata da questão da raiva. A autora conta-nos a história d’O Urso da Lua Crescente e de como, para acalmarmos a fúria interior, devemos “subir à monta...