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Parar

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Passados 10 anos ainda regresso aqui, a este espaço na blogoesfera que acaba por ser bastante solitário. Não espero contradições, nem que comentem que estou errada ou me equivoquei. Não há likes , não há reações boas nem más. É um espaço neutro. Gosto. E regresso aqui porque é o espaço seguro que consegui criar nos últimos dez anos. As últimas semanas têm sido emocionalmente exigentes e por isso preciso tanto do meu espaço seguro. No escritório não acendo as luzes e as cortinas estão para baixo. Podia abrir a boca e falar. Ou podia vir para aqui escrever impropérios. A propósito de impropérios lembrei-me, ainda hoje, de que há uns anos, num espaço similar, chorava baba e ranho e amuava com facilidade. Não quero voltar a ser essa pessoa! É por isso que este espaço aqui é tão bom. Liberto emoções neste lugar de interlocutores mudos. Não é preciso muito mais. Só quero parar. Saber parar, sem peso na consciência e contemplar o vazio e o silêncio.

Ziguezagues mentais

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Há um silêncio que se instala numa sala despojada de gente. Os dedos vão correndo as teclas que lançam letras que formam palavras que formam frases. Obedecem, ou parecem obedecer, ao que a mente dita, mas a mente não está certa de que esteja a ditar alguma coisa. A luz natural ilumina o espaço exterior. Mas o que iluminará o espaço interior, as cavidades da alma onde se guardam os segredos mais profundos? O barulho do ar condicionado e do avião que sobrevoa os céus vão, entretanto, cortando o silêncio. Já não há ausência plena de barulhos. Os ouvidos já captam algo que, contudo, pouca ou nenhuma importância terão para a história em causa. Há algo mais importante para ser ouvido. O coração a bater, a vida a correr nas veias. Mas e se tão somente ela conseguisse prestar-lhes a devida atenção sem medos! A sala, outrora a sala que era apenas despojada de gente, vira uma prisão sem grades. Ela enterra-se na cadeira, inerte, sem planos. "Sou, não sou... Sou, não sou... Sou, não sou......

Miradouro da Graça

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O Miradouro da Graça é um dos meus locais favoritos de Lisboa. Se não souber onde ir, um passeio pela Graça será sempre uma boa opção. O 712 deixa-me à entrada da Rua Natália Correia. Passo pelas esplanadas, cruzo-me com os turistas que parecem tão fascinados quanto eu, contemplo o imponente Convento e redescubro, uma vez mais, a bela cidade de Lisboa. A sensação de mística está sempre presente mesmo que possa não estar nos meus melhores dias. A caminhada é um ritual que tenho. Faz-me sentido quando me sinto bem e ainda me faz mais sentido quando me sinto menos bem. Felizmente, as minhas emoções densas não me impedem de me maravilhar, mais que não seja com o que os meus olhos veem.

#Quotes [Hate]

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“I know that you cannot hate other people without hating yourself.” –  Oprah Winfrey P.S. Imagem retirada da net

Solstício Inverno

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Celebra-se hoje o solstício de Inverno. Júpiter e Saturno estão juntos em Aquário. Não sei o que é suposto sentir. Se é suposto sequer sentir alguma coisa. Sou defraudada pelas minhas próprias espectativas. Nada que não esteja já habituada. Há um cansaço enorme que me faz recolher a casa e aos meus lençóis antes da hora. O escuro e o silêncio instalam-se e eu desejo ardentemente que o sonho me leve para outro lugar.  Sinto raiva camuflada de mágoa ou mágoa camuflada de raiva. Quanto mais tento eliminá-la(s) mais forte é (são) as suas raízes. Há sentimentos que eu não gosto de sentir, mas sinto-os para meu embaraço, ou não. Por isso repito. Não sei o que é suposto sentir. Talvez não seja isto o ideal. Talvez não seja o que me eleva. Talvez não seja o que faz de mim evoluída. Mas é o que é e é o que há. Talvez disfarce o suficiente para ninguém ver. Ou talvez toda a gente veja e eu, na minha grande ignorância, me julgue capaz de esconder aquilo que o meu rosto revela sem reservas. Ta...

... [Três pontinhos]

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Oh ânsias, preciso de escrever, de gritar, de rasgar a pele neste espaço que ninguém encontra. . . . . . . . . . . . . . ……… deixai-me por dizer tanta coisa.

Tudo e Nada

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Sou este círculo. Aparentemente um círculo vazio. Como não sei exatamente quem sou,  perceciono-o como vazio. Não gosto de olhar para ele. Talvez por ser vazio. Ou talvez por não saber o que ele é na verdade. Durante muito tempo tentei preenchê-lo. Ocupar o meu tempo era preencher este círculo de coisas que gosto e que constituem a minha zona de conforto. Funcionou… durante um tempo. Atualmente sinto que quanto mais tento preenchê-lo maior ele fica. Já não é um espaço repleto de coisas mas um espaço onde há sempre algo em falta. Não sei se é o círculo que está a aumentar ou se é a importância que dou a certas coisas que vai diminuindo. Não há dança que preencha o vazio. Não há yoga que preencha o vazio. Não há palco que preencha o vazio. Não há melodia que preencha o vazio. Mas há qualquer coisa que o preenche. Talvez o vazio se preencha a si mesmo e se reconheça como pleno naquilo que é, mesmo que seja desprovido de tudo.