Das Travessias

Estou a tentar melhorar. Estou a tentar ter maior consciência dos meus processos internos, dos meus traumas, das minhas dores. Mas nada é imediato e eu ainda anseio que tudo se processe quase que por milagre e de forma imediata.

A minha mente tenta resistir a certos padrões. Apercebo-me disto. Mas há um espaço ainda grande que medeia a consciência e a mudança do hábito. E a verdade é que isto me deixa esgotada. O problema e a cura. As obsessões e as compulsões cansam-me. Tentar lutar contra elas, cansa-me.

O trabalho tem vindo a tornar-se num problema, quando durante muito tempo não o foi. E agora é um problema a juntar a outros. O que não funciona, não funciona. O que parecia funcionar, parece não funcionar mais, e sinto um peso enorme nas minhas costas.

Os momentos de ansiedade são frequentes, intercalados por breves instantes de alguma calmaria.
Talvez esteja a complicar o simples, a dramatizar em demasia, a aumentar problemas menores. Mas esta é a minha perspetiva do que me rodeia e de como vivo o que me rodeia. E é difícil.
Só quero que isto pare. Só quero abandonar esta travessia que me é tão penosa. Mas sei que não posso. E não devo.



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