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10 anos depois - "Hoje teria feito outras escolhas!"

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Quero parar! Parar a dúvida, o medo, a incerteza. Peço a Deus que me dê força e que afaste do meu coração a inveja, o rancor, a mágoa. Às vezes sinto-me pequenina num caminho insignificante. Mas tento combater esses maus pensamentos e focar-me no caminho que é o meu e que tem o seu valor. Escrevo neste blog há 10 anos e em 10 anos muita coisa mudou. Em 2015 eu via a vida de outra forma e as minhas prioridades eram outras. Queria algo que os 10 anos seguintes me mostraram que não seria possível, mas encontrei algo que em 2015 não sabia que iria querer, que iria precisar e que iria escolher. Encontrei Deus, ou Deus me encontrou.  Talvez para algumas pessoas isto seja nada, mas para mim é tudo! Conduzi ontem até casa, noite adentro, e percebi (e creio já o ter escrito antes) que quando retirei todas as minhas crenças que me trouxeram tanta dor, vi que "restava" Deus. Dizer "restava" pode parecer um pouco mau, como se me referisse a uma escolha por falta de opção. Mas n...

À descoberta das Galinheiras

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Este Sábado participei  numa caminhada guiada pelas Galinheiras, orientada por Euprémio Scarpa e organizada pela Quinta Alegre. As Galinheiras não têm a melhor fama, mas sem dúvida que é uma zona cheia de vida e de histórias que merecem ser partilhadas. Dado o meu fascínio por Lisboa e o meu desconhecimento desta zona, achei que seria uma oportunidade interessante. Eramos um grupo de cerca de 18 pessoas, a maioria pessoas mais velhas do que eu (parecia-me pelo menos!). Iniciamos o percurso pela Vila Carlos Henrique. As "Vilas" são pequenos aglomerados de casas pequeníssimas que, conforme nos foi explicado, eram muitas vezes construídas da noite para o dia. Tinham depois uma espécie de pátio central, área comum, o que fazia com que existisse um forte sentimento de comunidade. Ao longo dos anos as casas foram sendo melhoradas, ampliadas, mas a maioria destas Vilas permanecem ilegais, em termos de terreno, de onde foram construídas, apesar de pagarem os seus impostos.  São as ch...

Passeios Culturais

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Estava marcada para hoje uma visita guiada ao Palácio Marquês do Alegrete, na Alta de Lisboa. Aproveitei para dedicar este Domingo à cultura e fui visitar de manhã os Museus do Traje e o do Teatro e da Música. Fiquei surpreendida positivamente. A história que está ali em exposição é a minha história e a história de todos nós. A evolução da forma de vestir é um reflexo da evolução na nossa forma de sentir as coisas e de viver a vida. Já os jardins, possivelmente ignorados pela maioria das pessoas que atravessa a Calçada de Carriche, são lindíssimos. Têm algo de místico, de secreto, muito semelhante à magia da serra de Sintra. Sinto-me uma privilegiada pelo algo em mim que reconhece esta beleza e se sente feliz pelo simples facto de estar, de existir, de ver e de sentir tudo na sua forma bastante peculiar.

Por ora, é isto.

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Recorro imenso ao exercício físico, o que é curioso considerando que, nos meus tempos de adolescente e de início da idade adulta, simplesmente detestava tudo o que implicasse exercitar o corpo. Lembro-me de ter virado para a "intelectualidade" (e aqui a intelectualidade tem mesmo de vir entre aspas) muito cedo, não necessariamente pelo desejo de saber e entender, mas porque me parecia mais fácil evidenciar-me pelo uso da cabeça do que pelo uso do resto do corpo.  Não gostava do meu aspecto físico, considerava que não valia a pena investir na minha imagem e por isso foquei-me muito mais nas conquistas pela via académica. Consequentemente, e durante muito tempo, considerei e chamei de futilidade à atenção excessiva no corpo. Demorei anos a perceber que o corpo é o nosso templo, a cápsula que alberga a nossa alma e também ele merece ser bem tratado e respeitado. A descoberta do ashtanga, em 2012, foi o início deste percurso de redescoberta através do físico, do visível, do palpá...

Aqueduto das Águas Livres

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Desmistifico mas há algo que se conserva dentro do meu peito apesar de para que lado sopre o vento.  Caminhei pelo Aqueduto ora olhando para a vista deslumbrante, ora focando nos meus passos lentos. Em silêncio deixei que a brisa fresca me beijasse e pensei nas singularidades da minha vida. Vou guardando memórias de pequenas conquistas interiores como quem armazena tesouros na sua caixa de jóias. Ando a um ritmo só meu que não pode ser cronometrado. Nem desejo que o seja.

Fim de Semana

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Vim à descoberta do Beato caminhando por entre pequenas casas de um só piso que me lembram a casa de madeira da minha bisavó em Porto de Muge. Não sei que estou eu a recordar por terras onde nunca passei e admito que não seja a terra em si que me traz a memória, mas sim o sentimento que me vem, quiçá, motivado por outras caminhadas introspetivas que realizei noutro tempo. Dou esses passos sozinha e com um silêncio apenas interrompido pelo "Bom dia!" de uma senhora cansada, a subir a ladeira carregada com os sacos das compras. De cima vejo as traseiras do cemitério do Alto de São João. Lápides brancas alinhadas pela encosta. Penso, por instantes, quantas histórias jazem ali, histórias perdidas no tempo. A vida é estranha quando pensamos na finitude de (quase) tudo. Realmente não levamos nada connosco a não ser, como surgiu em conversa, o crescimento da nossa alma. No Domingo retomei o mesmo ponto de partida. Tinha planeado ir à Penha de França, mas enganei-me no ...

Lisboa

Lisboa, um dia será o último dia que nos encontraremos. Terei saudades, estou certa. Que esse dia não seja para já. Ainda desejo descobrir os teus caminhos mais secretos. Música de fundo: Nena, "Portas do Sol"

Das rotinas

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A semana começou com chuva e o meu coração fica contente com estes dias que anunciam a proximidade do Outono. Estou-me a disciplinar para regressar ao ginásio com maior folgo e vontade. O meu corpo pede e a minha mente exige. Não sendo propriamente fã de rotinas, agrada-me ter algo que regularmente traz estrutura à minha vida.  Ganho esta estrutura em situações bastante rotineiras na verdade. O despertador que toca diariamente às 5h30 e as minhas gatas a passearem em cima de mim ou a morderem-me os pés. O suburbano que apanho sempre à mesma hora. Um livro de companhia na segunda carruagem, porque na terceira entram umas senhoras de Alhandra que não se calam durante a viagem inteira. A ponte Vasco da Gama a ganhar forma à medida que me aproximo de Lisboa. O caos de Sete Rios. O 758 a subir pela Rua de Campolide. Entradas e saídas. Para arranca. Os elevadores. Os bons dias a rostos desconhecidos. 30 minutos de bicicleta à hora de almoço. Treino de glúteos. E ao final do dia, quando a...

Descidas

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 A calmaria da natureza contrasta com o meu caos interior. Gosto de calmaria mas tenho aprendido a amar também o meu caos. Já desci ao fundo do poço uma vez. Fui arrastada, forçada e fi-lo enquanto todas as minhas forças me abandonavam. É possível morrer-se e estar-se vivo? Sim, é possível. Acredito que todos nós, sem excepção, passamos por isto, uma ou várias vezes. E em cada regresso, descobrimos algo sobre nós mesmos que, até àquela altura, nos era completamente desconhecido: SOMOS MAIS QUALQUER COISA DO QUE AQUILO QUE ACHAVAMOS QUE ERAMOS. E isto é LINDO! A dor é uma merda, eu sei, mas renascer é lindo. Volto a descer ao fundo do poço, mas desta vez não vou contrafeita. Aprendi a aceitar a minha tristeza, a permiti-la, a dar-lhe tempo, a dar-me tempo para chorar o que tenho a chorar e a tornar - me mais leve nesta limpeza interior que vai sendo feita. E a sombra parece-me então tão linda como a luz porque também ela existe e faz parte de mim. E ao aceitá-la vejo-me inteira, ple...

Hoje

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E um dia descobres dentro de ti uma força que desconhecias, um poder enorme de autocura. Um dia descobres uma essência adormecida há anos e que há anos ansiava por vir à superfície. Um dia entendes que o teu caminho tem tudo para dar certo porque é o TEU caminho e está de acordo com o TEU tempo e as TUAS reais necessidades que vão de encontro ao que precisas mesmo que não seja o que gostarias. E nesse dia aceitas sem lamentos. E à medida que vais percebendo quem és e abandonas as máscaras que foste usando ao longo da vida, umas em substituição das outras, o conflito interno torna-se cada vez menos frequente.  Não te escondes, não te omites, não te rejeitas, não te apagas, não te moldas para caber numa verdade que não seja a tua. Esse dia não tem de demorar uma vida a chegar. Esse dia não é um mito. Esse dia não é uma ilusão. Esse dia não é uma fantasia. Esse dia não é algo com que só podes sonhar. Esse dia é o dia de hoje!

Férias Grandes

Uma das melhores lembranças que tenho de infância é das viagens de carro pela Europa que fazia com os meus pais e irmã nas férias grandes. Sei que na altura não valorizei. Eram viagens cansativas. Dormíamos no carro na ida e volta e acordávamos completamente partidos. Às vezes perguntava-me porque não eramos uma família normal, daquelas que abanca na praia a estorricar ao sol o dia todo. Os meus pais têm, claramente, bicho carpinteiro e eu, para o bem ou para o mal, recebi também essa herança. Lembro-me da primeira viagem grande a Paris, em 1996. Lembro-me de estarmos sentados frente ao hotel à espera que ele abrisse, completamente exaustos. Lembro-me de estar no banco de trás a olhar para o rosto do meu pai que intimamente esperava que tudo corresse bem. Lembro-me de a minha mãe olhar para ele com a mesma expectativa. Em 1996 os meus pais tinham praticamente a idade que eu tenho hoje. Ao recordar-me disto sinto por eles a maior gratidão do mundo. E talvez pareça estranho t...

O meu processo...

Turn on the sound...

Live yoga off the mat

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So, I’ve decided to put my yoga practice on hold. After 7 years of ashtanga, I switched to yin yoga (for about two weeks) and currently I am practically not practicing at all except for the few poses that I do on my mat. It may sound odd why on earth would I leave behind something so important to me. Truthfully speaking, I am not. I’m not leaving yoga. I am leaving the way I used to see yoga and how I felt I should live it. There’s a saying from Master Yoda where he advises us to “let go of everything we fear to lose”. I had almost always been afraid of losing everything that I thought my body had accomplished. The strength, the flexibility, the dynamic, the discipline. All these things that I believed were making me an amazing person. The thing is I was never better nor worse because of it. We use our body to go deeper like a kind of temple that we have to gain access in order to realize things about ourselves that otherwise we probably would have missed. I am so glad that my yoga...

Novo Ciclo

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Há um ano mudei de casa e de cidade. Comecei uma nova vida num local em que não conhecia ninguém. A mudança fez despoletar em mim a necessidade de rever imensas circunstâncias da minha vida, uma dela a minha prática de yoga. Sempre senti que praticava pelos motivos errados. E ainda hoje sinto (e sei) que o faço pelos motivos errados. Sou bastante competitiva e a ideia de que alguém faça algo melhor do que eu permanece, à data, algo bastante difícil de gerir. Não tenho orgulho nisto, mas é a mais pura das verdades. E talvez tenha sido a necessidade em sobressair que me levou, tantas vezes, a forçar o meu corpo ultrapassando mesmo o limiar da dor. Tanto ego!!! Tanto apego!!! Sei que Yoga não é isto. Não é uma competição, não é uma corrida, não há metas, não há vencedores nem vencidos. Se sei, por que foi sempre tão difícil colocar em prática? Passados 7 anos, sinto-me cansada e com vontade em abandonar o barco. Esgotei-me na pressa, agarrei-me ao folclore, … Não se atinge a ...

Muito mais

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Em terra, mas observo o céu. Respeito as raízes, mas preparo-me para voar.  Posso ser tão mais do que fui levada a acreditar! Quero ir!

Quem és tu?

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Recebeu novamente a visita dele, dessa força destrutiva e redentora. Sentia tudo como uma dose de adrenalina misturada com veneno injetada nas veias. Não havia cancelas para impedir, nem limites que o fizessem fraquejar. Avançou como um furacão que leva tudo à frente sem medir as consequências. Não pensava. Não cessava. Tudo fluía de forma violenta e agressiva. Ela sentou-se a assistir de camarote, sem nada dizer, sem sequer pestanejar. Ele suscitava-lhe curiosidade, mais do que medo. Viu-o irromper por debaixo da pele rasgando pedaços de sonhos. Viu-o dilacerar lembranças e recordações. Viu-o a abrir e a fechar as mãos como se estimulasse articulações que nunca antes foram usadas. Ouviu-o vomitar palavras sem nexo em catapulta como se, na rapidez com o que o fazia, fosse impossível ordená-las corretamente. Oscilava entre momentos de loucura e lucidez, ria desenfreadamente até lhe virem aos olhos lágrimas de dor. Quando por fim ela se levantou olhou-o nos olhos: o castanho dos olho...

Lídia

Durante muito tempo lamentei-me pela vida que tinha. Sentia-me presa à pessoa que mais odiava: eu mesma. Detestava tudo em mim. Os meus olhos que veem mal e me obrigavam a usar óculos, o meu cabelo incorrigível, o meu corpo imperfeito, a minha timidez que me calava quando devia falar, ou o péssimo sentido de oportunidade que me fazia falar quando devia estar calada, o meu leão pouco leão com uma faceta de caranguejo que insistia em viver o seu lado mais carente. Não havia ninguém que me tratasse pior do que eu mesma. Não entendia o meu propósito de vida. Não entendia o que andava cá a fazer. Tudo me parecia um castigo, uma punição. Perseguia algo que não sabia o que era e perdia-me numa dor que nem eu tinha a certeza se tinha estatuto de dor. Mendigava atenção e amor e apagava-me em cada entrega ao achar que qualquer coisa que eu tentasse aparentar ser era melhor do que mostrar quem eu era na realidade. Se eu não gostava de mim, como podiam os outros gostar? Mas se eu fosse o...

Ver [-me]

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Tenho caminhado. A cada passo dado tento esvaziar a mente das preocupações. A cada passo dado tento libertar o coração das mágoas. Quando por fim chego ao Cais do Sodré sinto-me uma pessoa nova. Ao de fim de algumas semanas desta rotina, começo a estranhar-me. Sou eu mesma mas, de algum modo, já não sou a mesma. Nunca a exclusão me serviu como hoje. Nunca o silêncio me tornou tão consciente. Nunca a minha companhia me soube tão bem. Achava que o momento seria de perda, mas é de ganhos. Estou a ver-me. Estou a rever-me. Estou a reencontrar-me.

Quando

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Quando dá mais medo, insiste. Quando dá mais raiva, ama. Quando dá mais tristeza, sorri. Quando dá mais desilusão, perdoa. Quando tudo parece complexo demais, simplifica. Quando te apetece desistir, resiste. A vida são dois dias e não há tempo a perder.

Redenção

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Das 24 horas diárias, excluindo as 8 para dormir, tenho reservado as restantes 16 para estados de cólera. Como se verifica com o tempo mais agreste, também há momentos de céu limpo ou clareza de espírito. Ínfimos segundos! Tento nesses segundos corrigir todas as restantes horas de agressividade, para, não raras vezes, o lamentar logo de seguida. Sim, é difícil! Qual o lado bom? Redenção, pedir desculpa é sempre bom mesmo que o ego deteste. E vale a pena. Ajuda o outro e a nós mesmos. Falamos tantas vezes no que pesa, no fardo que carregamos às costas, mas raramente mostramos disponibilidade em deixar o fardo para trás. Somos burros de carga por opção! Não admira que a caminhada seja tão lenta. Não há ninguém a atrasar-nos o passo a não ser nós mesmos.