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Por que sou assim?

Hoje não consigo olhar para ela, esta ela que sou eu mesma a observar-me. Fiz as pazes com a minha pequenina mas há tantas versões minhas póstumas que eu ainda não consigo aceitar. Tento mas é tão difícil. Alguém, por quem eu tenho imenso carinho, lembrou-me hoje de um comportamento parvo que tive há alguns anos. Sei que era uma partilha inocente mas foi tão difícil lembrar-me de que já fui assim, tão limitada, tão fraca, tão destrambelhada, tão ridícula, tão patética. Este é o problema: mesmo que não me vejam assim, eu vejo-me assim constantemente. E há certas lembranças que me envergonham tanto. Sim, naquele momento eu tive vergonha de mim. Falei abertamente quando questionada, desvalorizei, mas senti vergonha. Fui logo buscar as outras lembranças. Quis sentir dor. Sou masoquista. E ainda que não o faça sentindo a lâmina a trespassar a carne, deixo que os meus fantasmas me inquietem a mente. É um castigo auto-infligido, uma espécie de punição pelas minhas falhas que, de acordo com os...

Dos desertos da vida

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Faz este ano, este mês, 10 anos que passei por um dos momentos mais difíceis da minha vida. Deus conduz-nos ao deserto várias vezes. Ouvi ontem um pastor que dizia que “o deserto não nos promove, o deserto humilha-nos”, primeiro fazendo-nos perceber que não somos ninguém e depois fazendo-nos entender que Deus pode fazer de cada um de nós alguém pela Sua graça e misericórdia. Até há cerca de um ano vivi muito afastada de Deus. Dizia para mim mesma que eu era uma pessoa espiritual, mas não religiosa. Tinha-me esquecido de que há 10 anos eu tinha procurado Deus no meu maior momento de desespero. Sentava-me nos últimos bancos da Igreja de Nossa Senhora do Rosário de Fátima, com um terço nas mãos, a chorar baba e ranho, enquanto ouvia a homilia do Senhor Padre. Dizem que nos momentos mais difíceis toda a gente, crentes e ateus, buscam Deus. Eu busquei-O até que, à medida que o tempo foi passando e as minhas lágrimas foram secando, acreditei que não precisava mais Dele. Hoje entendo que semp...

Das fugas in(conscientes)

Ontem houve aula livre de aéreos. Tinha-me inscrito, apesar de as aulas só recomeçarem, propriamente, em Outubro. Acabei por não ir. Posso dizer que estou com TPM, e talvez isso explique um pouco a minha decisão. Mas claro, há sempre algo mais profundo. Gosto de acrobacias aéreas, desde que experimentei pela primeira vez em 2016. Mas é difícil. É sempre difícil. Fisicamente e emocionalmente. De entre os alunos, sou sempre a pior. Quando chegam novos alunos, em 2 horas conseguem fazer o que eu demorei 2 meses a conseguir. Penso que já escrevi sobre isto anteriormente. E se sim, repito. Não me custa que os outros sejam melhores do que eu. Custa-me que eu seja a pior. E não é só por uma questão de ego que eu sei que está presente. É por reconhecer que há um medo e resistência em mim que eu receio não conseguir ultrapassar. Mas lá regressarei às aulas porque acredito que o devo fazer. Por ser difícil, devo ir. Desafiar-me no domínio e consciência do corpo, no convívio com os outros, desafi...

Em modo férias

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Entro em modo de férias com nova aula de aéreos. Encontro desafio e debato-me com a frustração. O meu interesse nesta actividade começou em 2016 (não estou certa de que tenha contado esta história, mas hoje também não é o dia). Sei que, a duas semanas de terminar o "ano lectivo", estou melhor hoje do que em Outubro passado. Estou muito melhor do que em 2019 quando me inscrevi pela primeira vez. Estou ainda melhor do que quando experimentei pela primeira vez em 2016. Não obstante, comparando com todos os meus colegas, entre prós e aspirantes, eu continuo a ser a que tem mais dificuldade. É um facto. E sei que não nos devemos comparar aos outros. Sei que a única comparação que devemos fazer é entre quem somos e quem fomos. Ainda assim, há dias em que me sinto frustrada. Frustrada por sucessivamente ter medo, ter receio, bloquear-me e fracassar. Mas continuo nas tentativas e sei que devo fazê-lo. Nada me tem obrigado mais a trabalhar o ego. Nada me tem forçado mais a trabalhar a...

"Isto também passará!"

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"Isto também passará!" Já ouviram esta frase? Conta a história que... e poderão encontrá-la aqui:   Isto também passará . Li este texto há uns anos. Não consigo precisar exatamente quando, se foi antes de 2020 ou depois de 2020. 2020 é um marco importante na minha vida, como foi 2014. Por ser mais velha, mais resistente 😅, aguentei os embates de outra forma. Aguentei-me! O meu barco não naufragou, mas sem dúvida que 2020 pertence à lista de marcos pessoais que separam um antes e um depois. Antes-de-Lídia e Depois-de-Lídia. E neste depois de Lídia que se vem prolongando desde 2020, recordo então esta frase:  "Isto também passará!"  Soube hoje, através do facebook, que um antigo colega de faculdade faleceu. A partida dele, e apesar de não lhe ser próxima, reforça em mim a consciência da perecidade da vida e de como estamos de passagem. Tudo o que for bom terá um término. Tudo o que for mau terá um término. Nem a nossa felicidade nem os nossos dramas serão eternos. Ne...