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Caminhar fora a olhar para dentro

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Tento ver o lado positivo das coisas. Acima de tudo é um mecanismo de sobrevivência.  Este fim de semana, agarrando-me a esta minha forma de sentir, aproveitei bem os dois dias para treinar afincadamente, caminhar e desfrutar a subida da temperatura. Caminhei até me doerem as pernas e ficar com bolhas nos pés mas, como sempre, houve a benesse de me poder libertar de alguns pesos.  Fui descobrir o Parque dos Moinhos de Santana e, do alto do miradouro, vislumbrei ao longe a Ponte 25 de Abril e o Cristo Rei semi-encobertos por neblina. Ao final da noite de Domingo procurei respostas nos mesmos sítios onde procurei em tempos quando me virei para a espiritualidade e acreditava em coisas do outro mundo. Desde há um ano que me tenho afastado um pouco desse caminho mas, o que encontrei ontem, o que li ontem, fez-me muito sentido. Olhei para dentro de mim e senti como ainda há partes minhas que eu rejeito talvez com a mesma intensidade com que treino. Ainda há partes minhas às quais im...

Porto Seguro

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Em "modo regresso" depois de um início de ano atípico que me obrigou a repouso e antibióticos. E sabe bem voltar ao que gosto, ao que me faz feliz ... Caminhar pelas ruas de Alfama após o treino, em direção a Santa Apolónia. Sentir-me viva e esperançosa. Ser o meu próprio Porto Seguro.

Por ora, é isto.

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Recorro imenso ao exercício físico, o que é curioso considerando que, nos meus tempos de adolescente e de início da idade adulta, simplesmente detestava tudo o que implicasse exercitar o corpo. Lembro-me de ter virado para a "intelectualidade" (e aqui a intelectualidade tem mesmo de vir entre aspas) muito cedo, não necessariamente pelo desejo de saber e entender, mas porque me parecia mais fácil evidenciar-me pelo uso da cabeça do que pelo uso do resto do corpo.  Não gostava do meu aspecto físico, considerava que não valia a pena investir na minha imagem e por isso foquei-me muito mais nas conquistas pela via académica. Consequentemente, e durante muito tempo, considerei e chamei de futilidade à atenção excessiva no corpo. Demorei anos a perceber que o corpo é o nosso templo, a cápsula que alberga a nossa alma e também ele merece ser bem tratado e respeitado. A descoberta do ashtanga, em 2012, foi o início deste percurso de redescoberta através do físico, do visível, do palpá...