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Dia 8

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Os domingos fazem-se de saídas, compras e comida, a terminar com um passeio pela memória da minha vida ao som do tambor.

Em modo de recolhimento

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Regresso ao meu cantinho na blogosfera, o único local no mundo da web onde me sinto bem. Estou novamente em recolhimento, tal como a lua que mingua nos céus. Ontem, enquanto sentia a vibração do meu tambor nas mãos, um som paralelo tornou-se timidamente audível. Ainda que fossem os meus ouvidos a captá-lo, a minha mente imaginou-o com o formato de linhas de luz a estenderem-se e a contraírem-se no ar. Por instantes, o meu radar interno capturou outras frequências. E foi assim, ainda sob a influência desse estado vibratório, que adormeci no quentinho da minha cama. Às vezes imagino que esse recolhimento me retira do mundo físico e me leva para templos sagrados de conexão à verdade e à vontade. Não me causa desgosto estar encarnada. Muito pelo contrário. Gosto dos pequenos prazeres naturais, como cheirar as flores de outono, ou mergulhar nas águas salgadas do mar da Costa da Caparica. Gosto de uma imperial fresquinha em dias quentes e do sabor das castanhas assadas no Inverno gelado. Ou ...

Tambor

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Contrariamente à semana passada, domingo começou nebuloso e tem-se prolongado pela 2ª feira adentro. É o tempo dos mistérios, da natureza em suspiro. Ontem passei perto de Pedrógão para levantar uma encomenda muito especial, o meu tambor. O processo em si não foi assim tão especial ou pelo menos não correspondeu ao que tinha imaginado. Como tudo na vida, as coisas vêm na altura e moldes certos, apesar de todas as ilusões que possamos criar. Gostei de conhecer pessoalmente o João, o artesão que lhe deu vida. Quando falei com ele percebi que a sua energia era muito diferente do comum. É uma alma que vive em comunhão com a natureza, o que contrasta imenso com a confusão caótica da capital. Perguntou-me que fazia eu da vida. Falei-lhe da minha profissão salientado firmemente que sei que a minha alma deseja algo bem diferente. Sorriu então e enquanto apertava as cordas para puxar a pele do tambor disse-me: "sabes, é uma escolha tua!" Respondi afirmativamente como quem sabe bem que...