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Recortes

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Comunhão

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Porque neste momento não me é possível, imagino-me deitada na relva fofa, com um sol moderado a aquecer suavemente o meu corpo. Perto, oiço o barulho dos rouxinóis.  Uma cascata verte a sua água sagrada, na qual purifiquei os meus pés antes de me acomodar na terra. Estou em repouso, em imersão, em contemplação. Estou em estado de liberdade e de consciência. Estou e sou. Vibro em amor. Vibro em respeito. Vibro em compaixão. Vibro em verdade. Os animais da floresta vêm-se juntando a mim. Aninham-se nas curvas das minhas pernas e junto ao meu peito. Brincam com as pontas do meu cabelo. Dá-se a comunhão perfeita, dos seres com os seres. Não há separação, nem barreiras. Somos todos filhos da Mãe Terra e do Pai Céu. Foto de arquivo, tirada a 05/10/2017 no Parque Eduardo VII

Homesick

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Não entendo. Não [me] entendo. Às vezes sinto como se vivesse entre salas que estão sempre às escuras, ou caminhasse em ruelas sempre embrenhadas em nevoeiro ou jardins que recebem uma luz tão forte do sol que me ofuscam. O problema não é o espaço, mas a forma como mergulho nele, sempre duvidosa, receosa, ignorante. Corro então para o meu abrigo. Fecho a porta, a chave roda na fechadura, uma, duas, três vezes, … Quando finalmente me sinto resguardada do mundo lá fora, o meu coração acalma e eu respiro fundo. Sobrevivi mais um dia! O meu coração aguentou. A minha mente aguentou. O meu corpo aguentou. A minha alma aguentou. Sei então que não pertenço aqui. Não pertenço a este caos do mundo moderno que me suga a energia e a fé. Pertenço à floresta, aos caminhos de terra batida, aos riachos, ao vento sussurrante e às estrelas.