Diz Bernardo Soares no "Livro do Desassossego" que "a liberdade é a possibilidade do isolamento. És livre se te podes afastar dos homens (...)". Isto não é um convite a que nos retiremos do mundo. Encaro sim como o reconhecimento de que não precisamos de procurar nada fora de nós mesmos. Quantos de nós sustentam os andaimes da sua existência em convenções sociais? Ou dizem precisar do que, por norma, toda a gente julga precisar. É certo de que há um desejo comum que é o de ser feliz. Mas não creio que a felicidade deva ser o fim que buscamos. E considero, na minha enorme ignorância, que um homem sábio não se reconheceria a si mesmo como um homem feliz, mas sim como alguém que faz o que tem de ser feito, independentemente de isso lhe trazer dor ou prazer, alegria ou tristeza. Acima de tudo, um homem sábio reconheceria sim que a liberdade é a maior dádiva. Quando procuramos fazer o que é necessário, sem centrarmos a nossa acção nas recompensas que daí possam advir, ...