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Estados de espírito

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Não pretendo que o meu blog se torne no muro das lamentações, por isso reconheço em mim uma certa dificuldade em falar em demasia sobre os momentos que me são mais difíceis. Reconheço, contudo, que é aqui neste espaço perdido da blogosfera em que me sinto mais à vontade para falar sobre o que sinto e o que penso. A última semana tem sido desafiante. Não aconteceu nada de especial mas emocionalmente sinto-me triste e fisicamente sinto-me exausta. Na quarta-feira, a trepar pelo "tecido vertical", sentia dores horríveis nos músculos, uma ausência de força e em dois momentos tive de pedir ao professor que me ajudasse a descer. Resisto a parar porque nos últimos anos desenvolvi a teoria de que só tenho valor pessoal se estiver a fazer coisas. É uma teoria falaciosa mas ganhou raízes fundas. Parar é como se me retirasse valor, mérito e direito de cá andar. Mas tive de ceder. A minha cama é o local mais confortável. O sono profundo é o meu momento de descanso. Penso em demasia. Sint...

Remoinho

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Não sei quem sou. Sou completamente ignorante no que diz respeito ao ser que me habita. Quando o vejo à espreita, não o encaro. Quando este ser estranho quer chorar, critico-o severamente. Quando quer sentir, bloqueio-o automaticamente. E ele acobarda-se temeroso com o peso do meu chicote mental.                                                                              Reconheço as artimanhas nas quais me coloco a mim                                                                        ...

Ziguezagues mentais

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Há um silêncio que se instala numa sala despojada de gente. Os dedos vão correndo as teclas que lançam letras que formam palavras que formam frases. Obedecem, ou parecem obedecer, ao que a mente dita, mas a mente não está certa de que esteja a ditar alguma coisa. A luz natural ilumina o espaço exterior. Mas o que iluminará o espaço interior, as cavidades da alma onde se guardam os segredos mais profundos? O barulho do ar condicionado e do avião que sobrevoa os céus vão, entretanto, cortando o silêncio. Já não há ausência plena de barulhos. Os ouvidos já captam algo que, contudo, pouca ou nenhuma importância terão para a história em causa. Há algo mais importante para ser ouvido. O coração a bater, a vida a correr nas veias. Mas e se tão somente ela conseguisse prestar-lhes a devida atenção sem medos! A sala, outrora a sala que era apenas despojada de gente, vira uma prisão sem grades. Ela enterra-se na cadeira, inerte, sem planos. "Sou, não sou... Sou, não sou... Sou, não sou......