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Abençoada 💛

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Do silêncio nas caminhadas solitárias

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Caminhar fora a olhar para dentro

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Tento ver o lado positivo das coisas. Acima de tudo é um mecanismo de sobrevivência.  Este fim de semana, agarrando-me a esta minha forma de sentir, aproveitei bem os dois dias para treinar afincadamente, caminhar e desfrutar a subida da temperatura. Caminhei até me doerem as pernas e ficar com bolhas nos pés mas, como sempre, houve a benesse de me poder libertar de alguns pesos.  Fui descobrir o Parque dos Moinhos de Santana e, do alto do miradouro, vislumbrei ao longe a Ponte 25 de Abril e o Cristo Rei semi-encobertos por neblina. Ao final da noite de Domingo procurei respostas nos mesmos sítios onde procurei em tempos quando me virei para a espiritualidade e acreditava em coisas do outro mundo. Desde há um ano que me tenho afastado um pouco desse caminho mas, o que encontrei ontem, o que li ontem, fez-me muito sentido. Olhei para dentro de mim e senti como ainda há partes minhas que eu rejeito talvez com a mesma intensidade com que treino. Ainda há partes minhas às quais im...

"And the dreams that you dream of... Dreams really do come true"

Passados alguns meses regresso a um restaurante onde ganhei, em 2022, o hábito de ir. A vida está cara pelo que já não almoço fora com muita frequência. Acresce que o "Caçador de Xabregas" faz-me pensar no meu Leo. Lembro-me de estar aqui a pensar nele, preocupada com a sua saúde. Regressar aqui hoje não foi planeado, mas gostei de rever as velhas ruas da zona sob um sol de Inverno mais a puxar para a Primavera. Traz-me memórias que nem um ano têm. Sinto paz em mim e pela companhia que proporciono a mim mesma. Aceito-me como nunca e apesar das minhas dificuldades relacionais acredito e confio no meu processo.   Por fim, a minha mente registou a mensagem de “Somewhere Over the rainbow” na voz de uns fantásticos cantores de rua que se encontravam a atuar junto ao Mirandouro da Nossa Senhora do Monte.   Oiçam! Vale a pena!   Somewhere over the rainbow Bluebirds fly And the dreams that you dream of Dreams really do come true-ooh-ooh

Cruzamentos

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Andei às voltas. Subi, desci. Do Miradouro das Olaias - cuja existência desconhecia por completo - dava para ver os comboios a passarem e, em baixo, a ciclovia que atravessa o Parque Urbano Vale da Montanha. Sou fã de corta matos e gosto de seguir pelos caminhos mesmo que não saiba onde irão desembocar.  Imaginem aquelas lojinhas pequenas que aparentam já fazer parte do mobiliário da zona há muitos anos... Imaginem aquelas velhas casas em ruínas que religam a uma história perdida no tempo... Imaginem os cheiros cruzados das comidas portuguesa, chinesa, indiana... Gosto disso tudo, dessa mescla que fica gravada num quadro mental.  Ao final da tarde, o sol ainda estava forte e quente. Ao olhar em frente, e sob o efeito dos seus raios que pousavam sob a estrada de alcatrão, parecia que estava num sonho. Há algo de real e de irreal ao mesmo tempo. Continuo a acreditar em magia porque magia é o que sinto nestes instantes. SINTO! Não é a mente a funcionar, mas o coração que se deixa...

Por ora

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Fim de Semana

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Vim à descoberta do Beato caminhando por entre pequenas casas de um só piso que me lembram a casa de madeira da minha bisavó em Porto de Muge. Não sei que estou eu a recordar por terras onde nunca passei e admito que não seja a terra em si que me traz a memória, mas sim o sentimento que me vem, quiçá, motivado por outras caminhadas introspetivas que realizei noutro tempo. Dou esses passos sozinha e com um silêncio apenas interrompido pelo "Bom dia!" de uma senhora cansada, a subir a ladeira carregada com os sacos das compras. De cima vejo as traseiras do cemitério do Alto de São João. Lápides brancas alinhadas pela encosta. Penso, por instantes, quantas histórias jazem ali, histórias perdidas no tempo. A vida é estranha quando pensamos na finitude de (quase) tudo. Realmente não levamos nada connosco a não ser, como surgiu em conversa, o crescimento da nossa alma. No Domingo retomei o mesmo ponto de partida. Tinha planeado ir à Penha de França, mas enganei-me no ...

Observar e sentir

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Caminhadas por locais vazios mas "cheios" de silêncio. Sigo passo a passo pelas ruas onde não se vê vivalma. Toco nos muros fustigados pelo tempo. Capto qualquer coisa a que não sei (ainda) dar um nome. Sou uma peregrina que a cada instante encontra o que procura porque não procura nada mais do que aquilo que encontra. Este é o momento certo. Este é o espaço certo. Aqui onde estou. A caminhar. A olhar com atenção. A emocionar-me com o sol que se começa a pôr por entre as espigas e com o som feroz dos comboios que vão e vêm sem cessar a sua marcha. Ai, se eu pudesse explicar melhor o que vejo e o que sinto!

A viver a água

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A viver a água, a emoção, o burburinho mental, o ciclo, a mulher, a criação, a dúvida, a busca, as partes mais escondidas,  o outro lado da moeda, o outro lado do palco, as travessas, as ruas desertas. Este meu EU que pretende conhecer-se na sua plenitude mergulha tanto nas águas calmas como no lodo. Este EU ri e chora. Este EU sente e sente-se na sua feminilidade às vezes sem jeito. Este Eu fragmenta-se e remenda-se. É Um que vira o Reverso e do Reverso regressa ao Um sem ser o Um que era. Tão real é um como outro. Ambos necessários.  É o retorno constante e mensal ao pântano dos despojos, dos restos, das sobras e das sombras, dos abandonos e recomeços.  Hoje é uma Noite, mas amanhã será um Dia. Hoje é Lua, mas amanhã será um Sol.

Oiço

Oiço. Observo. Deixo-me estar neste canto de terra escondido, desconhecido, ignorado. A melodia divina é audível, a arte poética natural que presenteia a minha alma. São estes momentos que enriquecem os meus dias e dão folgo à minha caminhada. Questionei-me porque prezo tanto estes instantes só meus. É exatamente por serem meus. Não os locais por onde passo, mas o que sinto ao passar por estes locais. A emoção é minha. A introspeção é minha. O sorriso esboçado a olhar para o céu é o meu. Tudo isto levarei um dia comigo. A memória, a lembrança de um tempo simples.

Diário de Bordo

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O ntem em conversa com a minha melhor amiga, e enquanto debatíamos a veracidade das nossas próprias crenças, comentava com ela que no fundo acredito no que preciso de acreditar para que a vida seja mais fácil. Talvez todos nós façamos o mesmo e damos vida àquelas ideias que, mesmo não podendo ser comprovadas pela razão, nos dão um sentido, a nós mesmos, à vida que temos e para onde a vida nos parece empurrar. Sei realmente muito pouco. E inclusivamente, ainda que possa reconhecer e dar um nome aos meus desafios, isso não significa necessariamente que consiga aprender, superar ou integrar aquilo que me é pedido. Então, o que é real? O que podemos afirmar com certeza absoluta que é real? Não sei. Talvez nada. Às vezes nem eu sei se sou real ou se o sou, nem sempre acredito piamente que os outros o sejam também. Enfim, trata-se de um mero desabafo que não me traz peso. Não procuro respostas definitivas para a existência humana e sei que há muito que não sei. Não enalteço o meu des...

Caminhada em Dia de Carnaval

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Hoje é dia de Carnaval. Não ligo à festividade em si e já há muitos anos que não a festejo. O meu chefe deu-nos a tarde. Aproveitei para retomar aquelas caminhadas que nos últimos tempos têm sido penosas. Almocei bem. Bebi bem. E segui. A tarde esteve esplendorosa. Revisitei lugares onde em tempos encontrei pessoas, onde me aventurei, onde sorri, onde chorei. Lugares onde me senti bem na minha pele e onde às vezes, na mesma medida, me senti uma merda. Subidas e descidas, em marcha lenta, consciente e sem pressas.

Ir além

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Dormi descansada. Os sonhos deram-me uma trégua e de manhã mal me lembrei dos meus "retrocessos". Recordei-me de um aforismo do Dhammapada que foca na necessidade em haver concordância entre o que se diz e o que se faz e isto levou-me para a minha própria sede de leitura que por vezes me prende apenas à teoria. Quero ir além das palavras. Quero ser efetivamente melhor. Cá dentro. Dentro do peito, da alma. O que vai, vai. O que foi, foi. Feito. Com fracassos ou arrependimentos ou aprendizagens ou integrações ou tudo junto. A vida segue. O sol da esperança fotografado através da janela suja da estação de comboios.

Testes da vida

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A vida testa-nos para verificar a força dos nossos argumentos e convicções. Estou a terminar a leitura do Caibalion , amparada pelos ensinamentos da Prof.ª Lúcia Helena. Observo o meu pêndulo interno e percebo que, após um 2018 e 2019 de fortes oscilações, ele tem vindo a equilibrar-se. Independentemente de como sejam os meus dias, sinto em mim uma estrutura mais consistente do que alguma vez senti. Ainda assim vou encontrando circunstâncias de vida que testam os meus limites e capacidade de encaixe. Tenho algum controlo sobre aquela menina impulsiva que encontrei em mim durantes anos a fio. Mas sinto. Ainda sinto a frustração e irritabilidade. Felizmente, as horas de almoço já não são acompanhadas por um frio extremo. Está sol. O sol convida-me a sair para fora destas quatro paredes, a ver o mundo lá fora.  Olho para mim, analiso as minhas ações e comportamentos. Sempre ouvi dizer que os outros tratam-nos de acordo com a forma como nos tratamos a nós mesmos. Nas diversas vert...

Segundas-feiras [pós eleições]

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Recomeço da semana, a puxar a carroça com pouca vontade. O PS ganhou com maioria absoluta. A tensão sentida na Ucrânia ameaça a Europa. A pandemia faz despertar o sino da censura.  Está um caos exterior. Tento fortalecer as estruturas do meu refúgio interno, da luz que me guia por entre as sombras.  Sei que para muitos só é real o que é visível, mas eu acredito muito mais no que só é captável com os olhos da alma.  Está frio. Sinto frio. Mas o frio humano que rodeia a humanidade é mais gélido do que aquele que é marcado nos termómetros.  Alimento a minha mente. Vou alimentando a minha alma.  Em tempos sombrios, que não se apague a tocha.

Sábado

O meu Sábado começou cedo mas fiquei na ronha mais tempo do que desejaria. Por fim, meti-me no carro e pus-me a caminho, sem destino. Pensei em vários locais mas nenhum me satisfazia. Deixei-me ir até onde o combustível me permitisse chegar e regressar a casa. A meio do caminho, apenas na companhia dos meus pensamentos, pedi à vida que me encaminhasse. Aqui estou a escrever num cafezinho de esquina em Paço de Arcos. Esta ausência de rumo é me bastante familiar. Não há drama aqui, apenas constatação. Mas sabem o que é curioso? Acabo por prestar muito mais atenção às pequenas coisas do momento. São locais novos estes. Imagino a quantidade de pessoas que já passaram por aqui. Em menos de 50 anos a maioria dos que agora aqui se encontram, já não estarão neste plano. A transitoriedade da vida é um facto de fácil comprovação. As fotos em que me capto a mim mesma já registam os meus cabelos brancos. Não desejo escondê-los. A bem da verdade, já não desejo esconder muita coisa sobre quem so...

Novo Dia

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Algumas das minhas fotos tornam-se repetitivas, eu sei. Mas a Natureza não deixa de me fascinar e maravilhar diariamente. É a ela que vou buscar a minha força e fé e parece-me justo que fale dela quantas vezes forem necessárias em sinal de respeito e de reverência. Captei este nascer do sol a caminho de Lisboa. É um novo dia. São novas oportunidades. Apesar de alguma inquietação que eu possa sentir, vivo este novo dia com gratidão e expectativa. Não pelo que poderei ganhar exteriormente mas pelo que poderei aprender interiormente. A minha mente voou enquanto observava aquele sol ao longe. Num espaço que não este uma voz desafiava-me: "Apresenta-te ao mundo não na versão que achas que conseguirá a aprovação do outro mas na versão mais autêntica de ti mesma." A real possibilidade de o fazer enche-me de esperança. Posso afirmar com bastante convicção que se há passo de gigante que vale a pena ser dado, é este mesmo. O assumir quem somos, vivermos de acordo com a nossa essência e...

Do estudo

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Tenho mergulhado no estudo dos arcanos menores. Apesar de saber que sou muito racional e que bloqueio por vezes a minha intuição, continuo a achar que o estudo aprofundado é importante. Algumas cartas lembram-me situações e episódios da minha vida. Consigo fazer correlações. Algumas bem dolorosas! Nem tudo são águas passadas, mas creio que é isto o que se chama de existência humana. E sigo na leitura, na audição daqueles que sabem bem mais do que eu e na reflexão. É uma cura que se vai fazendo, em modo continuum, até ao final dos meus dias. É um processo inacabado, tal como cada um de nós. E vejo-me nesta impermanência com algum sentido de paz. Nas idas e regressos de comboio já não me embrenho tanto nas leituras. Encosto-me à janela a rever a paisagem até ao Oriente. Os dias vão ficando maiores. Depois da escuridão, da interiorização, da reclusão, pouco a pouco vou (vamos) sendo chamad@s a colocar os pezinhos fora da toca. Distancio-me das conversas de fundo e sorrio para dentro. As m...

Por mais momentos destes...

O discipulado

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Sou 15 dias sol e 15 dias lua. Sei em que fase me encontro. Ainda que sabendo, nem sempre encontro serenidade. Talvez seja suposto não encontrar. É durante o meu trânsito interno lunar que entro mais em contacto com quem sou e quando mais coloco em causa tudo o que aprendi até hoje. Vejo nitidamente uma escada à minha frente mas sinto-me ainda tão pouco preparada para começar a subi-la. Não posso voltar atrás e falta-me a coragem para seguir em frente. Imagino sempre os meus mestres a dizerem: "Ela ainda não está preparada" e eu aceito, completamente rendida às evidências. Sinto às vezes tanta raiva. Como pode um coração pesado avançar por um caminho que não seja o da autodestruição? Talvez me engane. Talvez me iluda. Talvez não seja nem tão má como acho nem tão boa quanto quero aparentar. Talvez seja apenas esse misto e quiçá esse misto seja o suficiente para trilhar o caminho. Não sei. Não tenho resposta. Apenas um teclado à minha frente me acalma enquanto deixo transbordar...