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Destralhar

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Tenho feito uma limpeza generalizada à minha casa. Mas mais importante do que tirar o pó acumulado, têm sido os imensos sacos repletos de coisas desnecessárias a irem para o lixo. Tenho muita dificuldade em entender por que não o fiz mais cedo. Como poderei eu ter achado que precisava daquelas coisas? Estragadas, ou velhas, ou pouco usadas, ou sujas, ou sem nenhuma utilidade.  Sempre que limpo alguma divisão da minha casa, sinto uma leveza dentro de mim. É como se estivesse a retirar algum do meu lixo interno: necessidades, carências, medos e apegos. (Imagem retirada da net, pode ter direitos de autor)

Novembro 👉 Dezembro

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Novembro foi de silêncio... Recolhi-me por obrigação, necessidade e fuga. Se não viesse hoje aqui para me relembrar de palavras idas, talvez o silêncio se prolongasse por mais algum tempo na blogosfera. Este blog tem 10 anos e em 10 anos muita coisa mudou na minha vida. Mas há uma génese, uma base, algo inato que parece permanecer. E talvez seja contra esse interior imutável dento de mim, que eu insisto em lutar. Devo dizer que, nesta questão, pouco ou nada mudei nestes 10 anos. Quando me vejo ao espelho, ainda sinto o desagrado, confidenciei ontem à minha terapeuta. Eu não quero ser assim, não quero pensar assim, nem sentir como sinto, mas parece que ainda não consegui mudar esta minha tendência. Não gosto de sentir da forma que sinto e não gosto de pensar da forma como penso e depois não gosto de saber que não gosto de sentir como sinto e penso como penso. Confuso? Welcome to my mind! Sempre senti dificuldades em delimitar quem eu sou sem doença e em quem eu me torno com a doença. On...

Amor próprio

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Ontem fui invadida por uma onda gigante de amor próprio.  Eu sempre consegui entender racionalmente que devemos gostar de nós mesmos. Muitas vezes pensei que já tinha chegado a esse estado de amor por mim mesma. Mas juro que até ontem  ainda não tinha sentido algo tão forte. Já tinha feito as pazes com a minha menina pequenina há muito tempo. Mas ontem abracei muitas outras versões minhas. Abracei aquelas que se queixavam do cabelo que tinham, de usar óculos, de serem gordas, de serem feias, de não serem amadas, e em conjunto com todas elas entendemos que todas essas ideias que nos acompanharam durante tanto tempo não são reais.  Ia escrever que "Deus não requer de nós a perfeição", mas não sei se isso será inteiramente verdade. O que me parece certo é que independentemente das características que tenhamos, merecemos ser amados e aceites. Senti-me então a desligar do passado e a retirar pessoas de pedestais onde em tempos as coloquei. Fi-lo em paz. Aprendi tanto com essas...

Caminhada

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Apanhei o 783. Saí na Avenida do Brasil e caminhei até à estação de metro da Encarnação. Já há algum tempo que não fazia estas caminhadas por Lisboa e pela escuridão da noite quando os dias de sol começam a ser menores com a aproximação do Inverno. Tive a mesma sensação de conexão profunda. Apercebi-me de que a noite traz-nos outra perspectiva das coisas. Caminhar de dia não é o mesmo que caminhar de noite. O nosso campo de visão diminui mas, por sermos menos estimulados pelo que vemos, acabamos por estar mais atentos aos sons e cheiros. Senti uma enorme tranquilidade e gratidão. Cada vez vou entendendo melhor de que não devemos cobiçar o lugar dos outros. Temos o nosso próprio espaço e tempo. Aceitar isso é abandonar pesos desnecessários. Deixo o registo fotográfico de Segunda-Feira.

"(...) não quero que todas as minhas más experiências me façam perder a fé no amor e na vida."

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Ouvi hoje um áudio de uma terapeuta em resposta a uma questão colocada por uma das suas interlocutoras sobre o papel de mãe que tantas vezes desempenhamos em relação a quem precisa, sendo que depois não encontramos um retorno quando somos nós a precisar. Não me revejo propriamente nesta situação mas fez-me pensar sobre a dinâmica das minhas relações com as outras pessoas. Volto (claro está!) sempre ao mesmo exemplo mental, ainda que não o verbalize. O que percebo hoje sobre mim mesma? 1- Tenho dificuldades nos relacionamentos; 2 - Quando gostava / gosto de alguém não sei o que fazer para me tornar "atraente" aos seus olhos. Não me refiro apenas fisicamente, mas também a nível de personalidade; 3 - Durante muito tempo achei que se eu me mostrasse mais maternal, isso me tornaria "desejável" aos seus olhos.  [Sim, é meio ridículo, mas permitam-me, por favor, o desabafo!] 4 - A dada altura percebi que as pessoas (diga-se homens) de quem eu gostava poderiam sentir um car...

"Deixa ir!"

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Revivo as minhas emoções de acordo com o meu ciclo interno, em constante oscilação entre expansão e retração. Vou-me conhecendo melhor e identifico estas minhas fases. Identificando-as preparo-me para o que vem.  Já percebi que em determinados momentos faço sempre isto ou sempre aquilo, reajo desta ou daquela forma. Ontem, enquanto me aninhava entre os lençóis, desafiei-me a fazer diferente. Há sempre uma frase que me acompanha: "Deixa ir!" Se bem que haja neste deixar ir a impossibilidade - provisória, desejo eu - de deixar ir a própria necessidade do "deixar ir", quero acreditar que um dia não terei sequer de me debater com as velhas questões do passado porque terei, entretanto, superado.  A verdade é esta. Eu quero mesmo deixar ir certas coisas. Não é fácil, porém. Os meus sonhos trazem-me o passado. Fazem-me relembrar. A mágoa ainda existe e sei que, no fim de contas, todo este meu repúdio pela "pseudo-espiritualidade" tem origem num passado muito mal ...

Um dia partiremos. Até lá quero caminhar até que me seja impossível fazê-lo.

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Um dia partiremos. Até lá quero caminhar até que me seja impossível fazê-lo. Quero maravilhar-me com tudo o que vejo. Quero regozijar com o pôr-do-sol. Quero saborear um bolo com creme e saciar a sede com uma mini. Quero atravessar as ruas da velha cidade, as casas moribundas e as novas construções. Quero deter-me junto das escolas, ver os rostos das crianças e recordar que também eu fui uma em tempos. Quero sentir a minha paz e perceber que preciso de muito pouco para ser feliz.

A cura transversal

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Escrevi e apaguei. Havia algo que queria deixar registado hoje, o relembrar de alguns dos meus fantasmas, mas não encontrei as palavras certas. Por fim, encontrei o resumo do meu coração em imagem.

Caminhar fora a olhar para dentro

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Tento ver o lado positivo das coisas. Acima de tudo é um mecanismo de sobrevivência.  Este fim de semana, agarrando-me a esta minha forma de sentir, aproveitei bem os dois dias para treinar afincadamente, caminhar e desfrutar a subida da temperatura. Caminhei até me doerem as pernas e ficar com bolhas nos pés mas, como sempre, houve a benesse de me poder libertar de alguns pesos.  Fui descobrir o Parque dos Moinhos de Santana e, do alto do miradouro, vislumbrei ao longe a Ponte 25 de Abril e o Cristo Rei semi-encobertos por neblina. Ao final da noite de Domingo procurei respostas nos mesmos sítios onde procurei em tempos quando me virei para a espiritualidade e acreditava em coisas do outro mundo. Desde há um ano que me tenho afastado um pouco desse caminho mas, o que encontrei ontem, o que li ontem, fez-me muito sentido. Olhei para dentro de mim e senti como ainda há partes minhas que eu rejeito talvez com a mesma intensidade com que treino. Ainda há partes minhas às quais im...

O "Conhece-te a ti mesmo" no dia de S. Valentim

"Conhece-te a ti mesmo e conhecerás o universo e os deuses." Citei esta frase num dos primeiros posts que escrevi neste blog. Na altura, frequentava a NA e recordava a minha incursão naquela escola. Veio-me hoje à lembrança, novamente, em pleno dia de S. Valentim. Cada vez mais acredito que a melhor forma de estarmos em paz connosco mesmos é a de nos conhecermos, de percebermos quem somos.Volto um pouco atrás na minha reflexão. Ontem vim de carro para Lisboa. Tinha aula ao final do dia e receava que, devido à greve da CP,  não houvesse comboio. Ao longo do dia, em vários momentos, a caminho da capital, no trabalho, na própria aula, houve troca de palavras, comentários, ações que despoletaram sensações de desconforto em mim. Não foi absolutamente nada de especial. Tenho plena consciência disso, mas logo uma porta interna se abriu no meu peito como que a relembrar-me de que há uma ferida ali para curar. Sabem qual é a minha reação imediata? Querer fugir das pessoas. Voltar para...

"And the dreams that you dream of... Dreams really do come true"

Passados alguns meses regresso a um restaurante onde ganhei, em 2022, o hábito de ir. A vida está cara pelo que já não almoço fora com muita frequência. Acresce que o "Caçador de Xabregas" faz-me pensar no meu Leo. Lembro-me de estar aqui a pensar nele, preocupada com a sua saúde. Regressar aqui hoje não foi planeado, mas gostei de rever as velhas ruas da zona sob um sol de Inverno mais a puxar para a Primavera. Traz-me memórias que nem um ano têm. Sinto paz em mim e pela companhia que proporciono a mim mesma. Aceito-me como nunca e apesar das minhas dificuldades relacionais acredito e confio no meu processo.   Por fim, a minha mente registou a mensagem de “Somewhere Over the rainbow” na voz de uns fantásticos cantores de rua que se encontravam a atuar junto ao Mirandouro da Nossa Senhora do Monte.   Oiçam! Vale a pena!   Somewhere over the rainbow Bluebirds fly And the dreams that you dream of Dreams really do come true-ooh-ooh

"Quanto mais tu te organizas do lado de dentro, mais a vida se organiza do lado de fora." | Autor Desconhecido

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👌 Grown up woman

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Lembrei-me desta mensagem que escrevi há mais de 10 anos. Tenho vindo a desenvolver alguma sobriedade e, para grande orgulho meu, sei que hoje não escreveria tal coisa porque não me sentiria de tal maneira. Só para te lembrares Lídia... É possível ser melhorl! 👌

Vejo-me!

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Ontem à noite, deitada na minha cama, revi partes do meu passado, circunstâncias, momentos. Reconheci uma Lídia que era imatura, chorona, resmungona, muita vezes "orgulhosamente sem filtros" e dei-me conta do quanto evoluí. Senti-me então feliz por já não reagir da mesma forma, por não me impor aos outros, por não elevar a voz para me fazer ouvir, por não amuar quando as coisas não ocorrem como gostaria.  Lembro-me de como, há 2/3 anos, me sentia revoltada com a vida, com os outros, comigo mesma. Como o meu coração mergulhava na dor e na raiva. Como deixava que da minha boca saíssem palavras feias, manipuladoras, sedutoramente repletas de inverdades. A forma como me relacionava com o exterior refletia o meu interior. Se bem que houvesse um impulso para a ação - e isso para mim é algo positivo -, essa ação revestia-se muitas vezes de agressividade. Hoje acalmo-me, não forço a aceitação de mim mesma pelo outro, não forço amizades, não forço o amor, não forço que me sejam ditas ...

De fora para dentro

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Sentei-me com a cabeça encostada à janela do 783. Fixei a atenção nas luzes, no pára-arranca dos carros, alheia às conversas de circunstância no autocarro. Pensei e senti, mas não consigo colocar em palavras o que pensei e o que senti. Pedi para que tudo o que me envolve nestes momentos, que me retira da realidade e me eleva a um lugar de paz, durasse o maior tempo possível. Esta caminhante vai-se curando a cada passo. Esta caminhante vai-se encontrando, vai-se reconhecendo, vai sabendo quem é. Olho, observo mas já não tento captar as imagens com a máquina. Já não há necessidade de partilhar com o exterior. Há um belo que é invisível e só se capta com o olho da alma. Quando olho para dentro, vejo-o. (Imagem tirada da net, pode ter direitos de autor) 

Não te percas de ti mesmo/a

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 "Não gosto desta pessoa na qual te estás a tornar."  Há alguns anos ouvi esta frase. Já me tinha esquecido mas hoje, em conversa com a Mónica, lembrei-me destas palavras que me dirigiram. Trouxe-me à memória momentos do passado e senti-me bem por eles parecerem tão distantes da minha realidade atual. Entendo que não seja fácil para quem nos rodeia descobrir as características menos boas do outro e que lhes eram desconhecidas. Mas também sei que vimos a este mundo para sermos quem somos e não quem os outros desejam que sejamos.  Viver em autenticidade tem um custo mas será sempre menor do que o preço que pagamos quando não vivemos em verdade connosco próprios. "Eu gosto da pessoa na qual me estou a tornar." Tenho orgulho nela, no seu percurso de vida, no seu trajeto, nas suas conquistas, na sua aprendizagem, na forma como encara e vive a vida, no encanto que tem pelas pequenas coisas, no seu gosto peculiar pela simplicidade.

Porto Seguro

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Em "modo regresso" depois de um início de ano atípico que me obrigou a repouso e antibióticos. E sabe bem voltar ao que gosto, ao que me faz feliz ... Caminhar pelas ruas de Alfama após o treino, em direção a Santa Apolónia. Sentir-me viva e esperançosa. Ser o meu próprio Porto Seguro.

Por esses caminhos...

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Caminhei ontem até me cansar, até me doerem os pés sobre a calçada portuguesa, pouco sustentados pela sola mole dos meus ténis contrafeitos da All Stars. Não há nada de verdadeiramente extraordinário ou complexo nestes momentos. Apenas uma linha de pensamento que me acompanha entre o ponto de partida e o ponto de chegada. Como admito apenas a mim mesma, há situações do meu passado que ainda não estão totalmente ultrapassadas mas sei, do fundo do meu coração, que o amor próprio que tem vindo a brotar de dentro do meu peito é real. Já não preciso de me convencer de que sou merecedora. Eu sei que sou. Há algo que encaixou em mim, que me sustenta, que me traz de volta ao meu centro. Mas vou revelar um segredo. Foi a dor que me trouxe até aqui, não a felicidade. Foi a tristeza que me ensinou mais do que a alegria. Foi o "não ter" que me conduziu a um maior crescimento, não a posse. Porque busquei refúgio, consolo, abraço e cura na única pessoa que deverei amar até ao final dos meu...

Quem somos [citação]

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Retorno a uma citação de Veet Premad que transpôs as portas deste diário virtual há um ano. Talvez aqui resida o meu maior desafio. Que não me falte a coragem! "A fonte da dor não provém de não ser o que pensamos que temos de ser, mas de não querer ser o que realmente somos. Em vez de pôr a vontade no que não somos, a questão é render a vontade ao que somos. A única responsabilidade é ser honesto consigo mesmo neste ponto."

"Preocupa-te em amares-te. O destino trata do resto."

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 "Levo esta frase comigo", disse à Mónica hoje de manhã. A frase que na véspera ela ouvira do seu professor de Filosofia e que, para mim, é um excelente conselho: Preocupa-te em amares-te. O destino trata do resto. Acredito que percorreremos o caminho que tem de ser percorrido. Temos o que temos de ter. Encontramos quem temos de encontrar. Talvez seja no "amor-próprio" que reside o maior ato de liberdade, o maior exercício de livre arbítrio.