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Das Travessias

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Estou a tentar melhorar. Estou a tentar ter maior consciência dos meus processos internos, dos meus traumas, das minhas dores. Mas nada é imediato e eu ainda anseio que tudo se processe quase que por milagre e de forma imediata. A minha mente tenta resistir a certos padrões. Apercebo-me disto. Mas há um espaço ainda grande que medeia a consciência e a mudança do hábito. E a verdade é que isto me deixa esgotada. O problema e a cura. As obsessões e as compulsões cansam-me. Tentar lutar contra elas, cansa-me. O trabalho tem vindo a tornar-se num problema, quando durante muito tempo não o foi. E agora é um problema a juntar a outros. O que não funciona, não funciona. O que parecia funcionar, parece não funcionar mais, e sinto um peso enorme nas minhas costas. Os momentos de ansiedade são frequentes, intercalados por breves instantes de alguma calmaria. Talvez esteja a complicar o simples, a dramatizar em demasia, a aumentar problemas menores. Mas esta é a minha perspetiva do que me ro...

Tenho P.O.C. [2]

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Tenho P.O.C. Perturbação Obsessiva-Compulsiva. Ou a P.O.C. tem-me. Os profissionais de saúde costumam dizer que nós não somos as nossas doenças mentais. Às vezes custa-me acreditar nisto. Sou assim deste há muitos anos. Os primeiros sintomas surgiram ainda na adolescência. Claro que na altura eu não sabia que tinha uma doença. Pensava apenas que era uma pessoa estranha. Pensava que tinha uma particularidade única e, de tão absurda que era, não conjeturava que pudesse haver mais alguém neste mundo que fosse como eu. Roberto Carlos, cantor brasileiro, é portador desta doença. Acho que lhe devo agradecer por ter descoberto que aquilo que eu fazia de “estranho” afinal era consequência de uma perturbação que afetava a minha mente. Em 2009, descobri o conceito e identifiquei-me com algumas das características. Há vários tipos de P.O.C. e subtipos. Nem todos os doentes têm as mesmas obsessões e nem todos os doentes desenvolvem as mesmas compulsões. Mas hoje entendo que há mais pessoas com...

Tenho P.O.C.

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Sou Cristã e tenho P.O.C. Tenho P.O.C. há mais tempo do que me lembro de ser Cristã. Deus é libertação. Tudo aquilo que o P.O.C. não é. Por norma consigo ter 4 ou 5 anos de relativa estabilidade até que sucede um período de crise. A doença ganha forma e a minha mente enfraquece. Tento fingir qualquer coisa para o mundo inteiro como se o mundo inteiro reparasse ou estivesse minimamente preocupado. Desde há uns anos, percebi que foi a minha doença que me levou a afastar das pessoas e não querer/conseguir criar grandes relações. Sempre achei que, qualquer pessoa que privasse comigo por mais de 24 horas, iria perceber que há qualquer coisa de muito errada comigo.  Aprendi a inventar desculpas. "Não posso!". "Não consigo nesse dia!" Ou a correr para as casas de banho entre eventos para poder realizar os meus rituais. A minha mente não para. Ela não para! Diariamente me alerta para perigos que julga ela serem eminentes. Todos os dias ela me diz que tenho de me preparar pa...

Ajuda-me, por favor!

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A minha saúde mental sofre um revés. Abandonei a terapia e a medicação. A minha irmã disse-me que eu tenho um preconceito com as doenças mentais, que se fosse um caso de diabetes tomaria a medicação sem levantar grandes questões. Talvez ela tenha razão. Mas não consigo estar em paz com o facto de depender dos comprimidos para me sentir bem. Se fosse só pela ansiedade, talvez aderisse ao tratamento com mais facilidade. Mas tratando-se da tristeza e do sentimento de vazio profundo, continuo a achar que tem de haver outra forma. Era para ter ido ontem ao ginásio, às aulas regulares e desafiantes de quarta-feira, mas não tinha energia física nem mental para isso. Obriguei-me a caminhar desde o Colégio Camões até ao metro das Olaias. E  obriguei-me, porque se simplesmente tivesse ido logo para casa teria uma vozinha a sussurrar ao meu ouvido o quão inútil eu sou.  Sou grata pelo que Deus me tem dado, mas sinto constantemente que não faço nada de valor e não estou a deixar grande le...

#Notícias [Aumento juros crédito Bancário]

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Reflexões - Crise de fé .... Para onde seguir daqui?

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Estou numa fase de mudança profunda nos meus credos e fé. Durante muitos anos - com o início ainda na minha adolescência - deixei-me levar pelo misticismo, superstições e alguma fantasia. Para mim, o outro lado, aquele lado não tão visível, era uma realidade e poderia ser acedido com a prática e disciplina certas. Na minha família havia uma certa crença no sobrenatural pelo que recorrer a curandeiras, a espíritas e tarólogas não era completamente descabido. Talvez isso explique um pouco o meu fascínio! Adquiri o meu primeiro baralho de cartas de tarot aos 18 anos, uma prenda que pedi aos meus pais. Na altura não o usei muito, mais por preguiça do que outra coisa. Alguns anos mais tarde fui para o yoga, entrei na (e saí da) Nova Acrópole e nos 9 anos seguintes dediquei-me com afinco àquilo que eu chamava de espiritualidade. Eu preciso de fé, preciso de acreditar em alguma coisa. Pessoalmente, sinto que se não tiver alguma orientação espiritual, será muito mais difícil seguir na vida em ...

Reflexões

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O termómetro marca 19ºC. Da janela do autocarro olho os céus que se pintam de cinzento. Estamos em Agosto. Ainda ando de sandálias e camisas cavadas. Não obstante, se me baseasse apenas na cor do céu, acharia que hoje era dia de chuva. Gosto desta sensação de Outono que quer, gradualmente, marcar presença. Nos últimos anos tenho tentado tirar o melhor partido de cada estação do ano mas mantenho uma preferência, nada secreta, pelo Outono. Gosto dos tons de castanho, da folhagem a cair dos ramos das árvores, da brisa a soprar com mais força, do recolhimento que nos vai sendo pedido à medida que avançamos no ano. Hoje, enquanto atravessava a Av. da República no 783, pensei imenso nesta minha admiração pela energia outonal. Paralelamente, e indo ao encontro dos meus desabafos mais recentes, sinto que também este tempo me leva ao passado e me faz recordar imensas coisas. Como já referi em partilhas anteriores, estou a passar por uma fase que às vezes chamo de "crise de fé", à falt...

#Notícias

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Desabafos

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13 de junho Há 10 anos, iniciei aquilo que eu achava que era um caminho dedicado à espiritualidade e, como tal, seria um caminho pela verdade. Na minha enorme arrogância, ignorância e infantilidade, considerei que todas as almas, a um dado momento das suas existências, só poderiam tomar uma decisão semelhante a que eu tomava naquele instante. Entrei pelo Yoga, pela filosofia, pelos rituais, pela meditação, passei pelo Tarot, pela Numerologia, pelo Xamanismo, pelo Sagrado Feminino, fora as áreas afins que me suscitaram interesse, ainda que não tenha mergulhado nelas em profundidade. Procurei aqueles que eu achava que me poderiam ensinar e orientar sem, contudo, alguma vez os ter chamado ou considerado de mestres. Não acredito em mestres fora de nós. Muito menos em gurus. Rejeito qualquer tipo de vassalagem aos imensos de galos de capoeira que ao longo da existência têm lutado pelo poleiro. Venero um conhecimento que, para o ser realmente, deverá estar sujeito ao escrutínio ad eternum....

A descer

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O fim de semana foi difícil, apesar de estarem dias agradáveis que convidam a um passeio, apesar de não haverem desafios exteriores que pronunciem um descalabro. Mas foi difícil porque senti. Senti a tristeza, o vazio, o penoso que é carregar dentro do peito situações mal resolvidas e a ausência de sonhos. Tenho alguma resistência em falar disto porque idealmente gosto de projetar uma imagem de força e de serenidade que, a bem da verdade, existe mas efetivamente não é nem consigo que seja constante. Sou levada ao passado, a palavras que me magoaram, a circunstâncias que me fizeram fechar o coração em vez de o abrir e percebo que continuo refém de quem as proferiu. Não pretendo culpabilizar ninguém pelo que escolho carregar. Aqueles que passaram pela minha vida foram meus professores e mestres e, não fosse pela ação deles, talvez nunca me tivesse dado conta dos bloqueios que insistem em minar a minha alma. Sim, foi um fim de semana difícil! Chorei o que não quis chorar antes e avivei o ...

Caminhada a três

Para entender o momento presente é preciso entender a origem, e para entender a origem é preciso recorrer à memória. Quando penso no que passou, quando as lembranças começam a vir à tona, abano a cabeça para as afastar. É intuitivo. É a primeira reação. Como uma criança que se esconde debaixo dos lençóis para não dar de caras com o monstro papão que habita no seu imaginário. Percebem a contradição? Se é imaginário, está dentro dela, não fora dela. Estando dentro dela, mesmo que ela se esconda, ele continua lá. Chamo então essa criança, essa menina, a minha menina interior. E chamo o monstro papão, que habita nela. Sendo ela eu, ele também habita em mim. Vamos caminhar os três, com uma distância considerável, servindo eu de mediadora. A caminhada não é por isso solitária. Há um acompanhamento interior. O mundo fica para trás, o caos e o medo.  Ela diz então, timidamente: - "Não gostam de mim. Não sirvo. Não sou suficiente. Não mereço o amor. Não mereço ser amada. Eu sou a menin...

Ciclos

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Tenho-me sentido emocionalmente em baixo por motivos meramente pessoais e egoístas. Numa altura de crise, com a propagação do Covid 19, percebo que os meus problemas são irrelevantes e de que está mais do que na altura de parar de viver sempre tão centrada no meu próprio umbigo. Sem querer entrar em alarmismos, a verdade é que ninguém sabe como será o dia de amanhã. Na prática, nós nunca sabemos, mas a cada vez mais notória falta de controlo, torna presente o que insistimos em ignorar. Para mim, está a ser estranho presenciar cenários que só tinha lido descritos nos livros de história e perceber que não são histórias, nem o ser humano pode escolher imiscuir-se da realidade. Somos todos responsáveis e cabe a cada um cumprir com a sua parte não pensando só em si mas mais no colectivo. Da minha parte, tenho entendido o meu egoísmo, imaturidade e autocentrismo. Já vem de há muito, como se os meus desejos devessem sobrepor-se aos dos outros, como se a minha vontade e dizeres tivesse...