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Deixava ir.

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(18.09.2023) Quero dizer algo, mas não consigo. Lembro-me de um tempo passado em que me sentia sempre muito zangada e manifestava essa irritação em palavras ásperas e amuos. Não consigo fazê-lo hoje. Escolho recolher-me à blogosfera. Digo então que estou zangada mas não consigo falar sobre o porquê. Pastas retornam às prateleiras. Canetas colocadas nos devidos suportes. Auricular na orelha direita para que os sons transmitidos me retirem das emoções densas. *** (19.09.2023) E entretanto, sangrei... Às vezes dou por mim a pensar que, se soubesse no passado o que sei hoje, faria muitas coisas de forma diferente. Questiono-me então:  O que faria de diferente? O que faria de diferente? O que faria de diferente em relação a certas dores do passado? Deixava ir. (Por do sol captado ontem do comboio)

Dia do mês

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Regresso àqueles momentos mensais. Há um torpor mental. Deixo-me estar recostada no sofá, com uma manta sobre as pernas. Abandono-me à leitura. Desde há uns dias que ando a ler o "Ensaio sobre a Cegueira" de José Saramago. É um livro fantástico e perturbador ao mesmo tempo. Tivesse eu o lido antes do tempo da Covid19 e talvez não tivesse em mim o efeito que tem hoje.  A sociedade pouco ou nada evoluiu. Ouvi hoje quem se questionava como é possível haver tanta maldade no mundo. Para mim é relativamente claro. A maioria dos seres humanos ainda vibra mais no mal do que no bem. Somos cruéis uns com os outros. Agarramo-nos às nossas certezas como se se revestissem de uma autoridade inquestionável. Auto-intitulamo-nos de pessoas inteligentes, informadas e altruístas. Realmente, as palavras pouco ou nada acompanham os atos. É pena! Se fossemos realmente aquilo que pregamos ser, o mundo seria bem melhor. A minha mente pensa nestas coisas por breves instantes, mas tenta não se deter e...

Lua interna

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Sangro, literalmente. Hormonal e factualmente falando, cumpro o meu ciclo lunar e a minha lua desce a meio da noite. Enrosco-me nos cobertores, encolho-me e peço que com o meu sangue desçam também as preocupações, os apegos e quaisquer emoções ou sentimentos tóxicos.  Não sinto muita dor, apenas um ligeiro desconforto. De manhã sigo para a capital. Sentada na segunda carruagem do suburbano, de auriculares postos, vou focando a minha atenção nos ensinamentos daqueles que sabem tão mais do que eu, através dos áudios que escolhi criteriosamente na véspera. E acalmo-me. Durante a manhã sou assolada por algumas lembranças. Dizem os entendidos que nesta fase do mês as mulheres são obrigadas a lidarem com aquilo que passam o resto do tempo a tentar reprimir. Não é um acaso a fama que têm de ser temperamentais. Respiro fundo. Hoje não. Não quero dar voz às minhas vozes de sempre, nem enveredar nos mesmos queixumes. Posso arranjar qualquer justificação para a minha ira, mas prefiro arranjar...

Bleeding woman

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Dark Moon, Barefoot, red cloak, starry veil… She, the earth’s daughter, walks the secret paths of her ancestors. The tears unravelling through her chick meet the floor next to where her blood has poured. She’s the sorceress. She’s the priestess. Not too young. Not too old. Ageless. She’s the nurturer of her own being. She’s the magician. Her roots are strong. Nature’s sap runs in her veins. Her eyes see far above as she stares at the sky. She speaks without words. She feels with such an intensity that it even aches. She’s every woman. Every woman is her similar. Every woman is you and you are every woman. She’s you. Imagem: Sisterhood of the Divine Feminine, por Lila Violet