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Tenho P.O.C. [2]

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Tenho P.O.C. Perturbação Obsessiva-Compulsiva. Ou a P.O.C. tem-me. Os profissionais de saúde costumam dizer que nós não somos as nossas doenças mentais. Às vezes custa-me acreditar nisto. Sou assim deste há muitos anos. Os primeiros sintomas surgiram ainda na adolescência. Claro que na altura eu não sabia que tinha uma doença. Pensava apenas que era uma pessoa estranha. Pensava que tinha uma particularidade única e, de tão absurda que era, não conjeturava que pudesse haver mais alguém neste mundo que fosse como eu. Roberto Carlos, cantor brasileiro, é portador desta doença. Acho que lhe devo agradecer por ter descoberto que aquilo que eu fazia de “estranho” afinal era consequência de uma perturbação que afetava a minha mente. Em 2009, descobri o conceito e identifiquei-me com algumas das características. Há vários tipos de P.O.C. e subtipos. Nem todos os doentes têm as mesmas obsessões e nem todos os doentes desenvolvem as mesmas compulsões. Mas hoje entendo que há mais pessoas com...

"CORAÇÃO DURO EM NOME DE DEUS", autoria Padre João Torres

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Transcrevo, por completo, este texto do Padre João Torres para que me acompanhe quando me surgem tantas dúvidas de como viver a Fé de forma mais saudável. CORAÇÃO DURO EM NOME DE DEUS Há quem fale muito de Deus… Mas o tenha esquecido no coração. À força de rezas e renúncias, de jejuns e silêncios, de hábitos e normas, há quem tenha secado por dentro. E não é culpa da oração. É que quando a fé deixa de ser encontro e se torna desempenho, o coração deixa de ser altar e vira tribunal. Tantos se dizem homens e mulheres de Deus, mas vivem mais atentos às falhas alheias do que às dores que passam ao lado. Tantos se consomem a medir saias, julgar gestos, pesar palavras, mas esquecem o abraço, a escuta, a ternura. Vivem a observar… mas não veem. A fé não foi feita para endurecer. Foi feita para nos humanizar. Não é a santidade que nos afasta do mundo — é a ausência de compaixão que nos isola. De que serve rezar longas horas se não somos capazes de pedir perdão a quem magoámos? De que serve com...

Senhor, estou cansada!

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Gostava de ser melhor pessoa. Gostava mesmo. Não para parecer bonito, não para vender essa imagem de mim mesma. Não. Eu sei, ou antes, acredito que o sermos melhores pessoas também nos torna pessoas mais felizes, mais compassivas connosco próprias e empáticas com a dor dos outros. Isso não significa sermos ignorantes ou permissivos, mas sim esforçarmo-nos por deixar o mundo um lugar um pouco melhor pela mudança que deve começar dentro de nós. (De certa forma, um cliché!) Pois bem, eu gostava de ser melhor pessoa, mas não sou. Nas últimas semanas tenho voltado a sentir uma tristeza enorme, uma sensação de despropósito. Sei que a palavra de Deus é um chapéu gigante que me protege das intempéries. Mas às vezes prefiro andar à chuva, porque não tenho força, não tenho vontade, não tenho motivação. Devia ser mais grata por todas as bênçãos que Ele me dá, mas nem sempre consigo. E logo volta a comparação onde eu caio sucessivamente. Tantas vezes acho que já dei um passo à frente só para re...

10 anos depois - "Hoje teria feito outras escolhas!"

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Quero parar! Parar a dúvida, o medo, a incerteza. Peço a Deus que me dê força e que afaste do meu coração a inveja, o rancor, a mágoa. Às vezes sinto-me pequenina num caminho insignificante. Mas tento combater esses maus pensamentos e focar-me no caminho que é o meu e que tem o seu valor. Escrevo neste blog há 10 anos e em 10 anos muita coisa mudou. Em 2015 eu via a vida de outra forma e as minhas prioridades eram outras. Queria algo que os 10 anos seguintes me mostraram que não seria possível, mas encontrei algo que em 2015 não sabia que iria querer, que iria precisar e que iria escolher. Encontrei Deus, ou Deus me encontrou.  Talvez para algumas pessoas isto seja nada, mas para mim é tudo! Conduzi ontem até casa, noite adentro, e percebi (e creio já o ter escrito antes) que quando retirei todas as minhas crenças que me trouxeram tanta dor, vi que "restava" Deus. Dizer "restava" pode parecer um pouco mau, como se me referisse a uma escolha por falta de opção. Mas n...

Terapia

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Em consulta com a minha psicóloga, esta semana, falei na minha paixão pela caminhada. Ela ajudou-me a perceber algo de que eu ainda não me tinha dado conta. As minhas caminhadas fazem-me estar no presente. A minha atenção é fixada nos pormenores do que vejo, dos cheiros que me chegam, dos barulhos que oiço, das sensações ao tocar paredes ou sentir os meus passos sobre a terra. Mas percebi também que as minhas caminhadas me fazem ir ao passado. Não passo por onde já passei mas revejo emoções, sentimentos. Permito-me voltar ao passado e, não podendo alterar o que ele foi, altero a minha opinião e perspectiva relativamente a ele. Eu sei que estou em paz com a Lídia pequenina. Digo isto com convicção. Não lhe exijo nada. Não a critico, nem acho que ela devesse ter agido de outra forma. Pouco poderia eu exigir a qualquer criança, incluindo a criança que eu fui. Por isso, o meu regresso ao passado já não é à infância, mas sim (creio eu!) aos meus vintes . Lembro-me de escolhas que fiz mas qu...

Reflexões Matinais

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Vivendo com POC e ansiedade - 1

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Creio que nunca escrevi sobre este tema. Não é confortável para mim. Poucas pessoas sabem e pouquíssimas das poucas que sabem, entenderão realmente o que eu vivo e como vivo. Os comportamentos ditos "estranhos" começaram quando eu ainda era uma adolescente. A memória mais antiga que tenho leva-me para o 6.º ano de escolaridade pelo que, na altura, teria cerca de 11/12 anos.   O diagnóstico de "Perturbação Obsessiva-Compulsiva" viria muito mais tarde. Nessa altura eu achava apenas que era uma pessoa estranha, única na estranheza, com comportamentos estranhos. Ninguém poderia entender. A minha perturbação sempre esteve associada muito ao medo de perder as pessoas de quem gosto. Nunca consegui encaixar o conceito de morte e quando o ouvi, anos antes, a tristeza foi acompanhada de uma profunda incompreensão. Este medo foi-se fortalecendo. Os meus rituais eram disfarçados, escondidos, salvo raros momentos em que era observada por colegas minhas que esboçavam um sorri...

"(...) como poderíamos alguma vez ver o rosto de Deus?” [Excertos]

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“Mas Ele não está em nenhum desses lugares. Nós não o conseguimos ver porque Ele está demasiado próximo. Ele não é um ser situado muito acima de nós; Ele está nas profundezas da nossa vida, está dentro de nosso ser, “nele vivemos, respiramos, nos movemos e somos”. As coisas mais próximas de nós são fáceis de ignorar. Contudo, Ele não está “próximo” de nós, Ele é a proximidade. Nós ainda conseguimos ver os objetos que estão próximos, mas não conseguimos ver a proximidade em si. Vemos os objetos à luz, mas não vemos a própria luz. Se nem sequer conseguimos ver o nosso próprio rosto, mas apenas vemos o seu reflexo invertido num espelho, como referimos atrás, como poderíamos alguma vez ver o rosto de Deus?” Tomáš Halík, "Paciência com Deus"

"(...)Deus não mora à superfície." [Excertos]

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"Tal como o êxodo dos israelitas, é uma caminhada que atravessa vastidões desertas e tenebrosas. Além disso, é verdade que, de vez em quando, o rumo também se perde; é uma peregrinação que implica uma constante busca e um perder-se, por vezes. Sim, ocasionalmente, temos de descer ao abismo mais profundo e ao vale de sombras para reencontrar o caminho. Contudo, se o caminho não conduzisse aí, não seria caminho para Deus; Deus não mora à superfície."   Tomáš Halík, in " Paciência com Deus"

Dons espirituais?

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Dons espirituais? Almas velhas? Sabedoria espiritual?   Debati-me muito com estas questões. Como podia ou devia analisar o meu próprio crescimento espiritual? Durante muito tempo associei-o à intuição e mediunidade, características que em mim nunca estiveram muito desenvolvidas.  Lembro-me de questionar se isso me faria menos desenvolvida espiritualmente do que outras pessoas. Quando me afastei do New Age, acabei por encontrar uma serenidade que até então não tinha tido. Tirei o ser humano do centro e coloquei Deus e todas estas minhas questões deixaram de ser relevantes. Estava há pouco a estudar a primeira carta aos Corintios e lembrei-me destas minhas questões antigas. A Igreja de Corinto tinha aparentemente o seguinte problema.  Alguns membros tinham o dom de línguas. Outros não tinham. Quem tinha achava que era melhor do que quem não tinha. Quem não tinha, porque não tinha, desvalorizava o dom de quem tinha.   O eterno problema do ego humano. ...

Lembrete!

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No meio das minhas imperfeições

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Sou imperfeita, muito imperfeita. A minha fé em Deus aumenta à medida que vou lendo e entendendo a Bíblia e oiço a palavra de outros que professam esta fé há muito mais tempo. Sinto que este caminho é mais real e verdadeiro, mas não me tornei necessariamente melhor pessoa. Ontem fui ao ginásio, como é habitual. Senti-me sozinha numa sala cheia de gente eufórica. Para mim, nada disso me é normal. Foi nesse silêncio interior imposto que refleti imenso na minha imperfeição. Senti a inveja, os ciúmes. Pensei naqueles que são melhores, que têm "mais sorte". Comparei-me. Diminui-me. Por fim, disse para mim mesma que prefiro a solidão porque não quero lidar com nenhum tipo de emoção. Não quero ter de olhar para o outro e através do outro ter de me ver nos meus excessos ou carências. É certo que nunca estou verdadeiramente sozinha porque Ele acompanha-me, mas nem sempre o silêncio erguido à minha volta é fácil de ser trabalhado. Ontem, naquela mesma aula, senti-me desajustada, uma pe...

Partilha sobre o caminho

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Nestes últimos dias tenho sobretudo partilhado vídeos com mensagens que me inspiram, mais do que usado as minhas próprias palavras. Viver por Deus parece-me mais natural, mas falar dele não é necessariamente mais fácil. Sinto, por vezes, que fui mais compreendida quando falava sobre a lua, os astros, as energias, a intuição, a verdade particular de cada um, do que agora que assumo perante todos a minha crença num ser superior omnipresente que nos criou, que nos ensina, que nos educa e que nos ama, tal como um bom pai o faria. Entendo que em nome da religião foram cometidas, e ainda são cometidas, atrocidades. Entendo que muita dor foi causada em nome da religião, mas hoje também percebo que uma coisa é a mensagem e outra, muito diferente, são as maçãs podres que constituem uma instituição, seja ela qual for. Se queremos procurar culpados devemos começar sempre por olhar e observar o ser humano. O homem é capaz de realizar as coisas mais fantásticas, mas, na mesma proporção, é capaz d...

Pela Fé

Vídeo 👇   Prof. Rodrigo Silva

Fé em Deus

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Creio que ainda não tinha abordado o tema da minha fé em Deus, mas talvez esteja na altura de o fazer. Depois de imensos anos dedicada à New Age e a uma panóplia de terapias holísticas, comecei a afastar-me desse caminho e estou a redescobrir a minha fé em Deus. Este ano iniciei o meu estudo na Bíblia. Ele não é sempre constante. Tem interregnos, avanços e recuos. Às vezes parece-me super certo, outras vezes tenho dúvidas. Mas apesar deste questionamento, esta fé tem-me trazido uma imensa paz. Lembro-me de ser jovem e achar que a Bíblia não fazia sentido. Hoje entendo que ela é o que é sem filtros. As descrições mais violentas ou chocantes foram vivenciadas e por isso fazem parte das Sagradas Escrituras, mesmo que nos parece estranho. Não há floreamentos para agradar. Aquele tempo era diferente do nosso em muitos aspectos e não podemos ignorar isso. Retrata pessoas reais que viveram a fé e que, também muitas vezes, desviaram-se dessa fé. Há umas semanas vi um documentário no History Ch...

"(...) não quero que todas as minhas más experiências me façam perder a fé no amor e na vida."

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Ouvi hoje um áudio de uma terapeuta em resposta a uma questão colocada por uma das suas interlocutoras sobre o papel de mãe que tantas vezes desempenhamos em relação a quem precisa, sendo que depois não encontramos um retorno quando somos nós a precisar. Não me revejo propriamente nesta situação mas fez-me pensar sobre a dinâmica das minhas relações com as outras pessoas. Volto (claro está!) sempre ao mesmo exemplo mental, ainda que não o verbalize. O que percebo hoje sobre mim mesma? 1- Tenho dificuldades nos relacionamentos; 2 - Quando gostava / gosto de alguém não sei o que fazer para me tornar "atraente" aos seus olhos. Não me refiro apenas fisicamente, mas também a nível de personalidade; 3 - Durante muito tempo achei que se eu me mostrasse mais maternal, isso me tornaria "desejável" aos seus olhos.  [Sim, é meio ridículo, mas permitam-me, por favor, o desabafo!] 4 - A dada altura percebi que as pessoas (diga-se homens) de quem eu gostava poderiam sentir um car...

Dos Outonos quentes e da necessidade de abrandar o ritmo

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O Outono chegou no dia 23 de setembro, mas os dias estão quentes como se estivéssemos em pleno Verão. Ontem, depois do meu treino, fui até ao Parque do Vale Fundão. Não o achei particularmente bonito. O calor também não ajudou a explorá-lo. Sentei-me num banco e tentei parar e ouvir. Não é fácil para mim parar. Muito menos é fácil ouvir. A minha cabeça anda a mil e tenho urgência num ritmo mais lento sem que, contudo, o aceite sem reservas. Lembrei-me da minha sobrinha, a minha pequenina de 3 anos que, na véspera, sabiamente me dizia para largar o telemóvel e vir para a água. Preciso de largar o telemóvel, o barulho, a confusão, a busca sempre incessante por algo, e parar para ouvir o barulho das cigarras. É tão bom quando consigo ouvi-las, quando consigo silenciar todos os estímulos exteriores e focar-me no momento! P.S. Foto de 25 de agosto que tirei da perto. Ontem, escolhi fixar com o olhar e não com a câmara.

Imensidão

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Viver é difícil, digo-o como uma constatação.  Já ouvi falar do "saber viver bem", mas o saber viver bem não faz com que a vida seja necessariamente melhor, apenas paramos de lutar contra aquilo que a vida é. Nos últimos dias tenho sentido as coisas com maior intensidade. Posso até afirmar que me sinto bem por ser capaz de sentir, ainda que o que sinto me deixe inquieta. A ansiedade vem trazida pelos sonhos, pelos receios, pelos medos. A ansiedade vem porque sou humana e nem sempre consigo arrumar as fragilidades nas gavetas dos armários que habitam o meu ser. Não tenho grandes expectativas. Não podemos ter tudo o que queremos. Digo a quem tenha coragem para ouvir: há coisas que não são para nós; há coisas que, por mais que tentemos, não teremos. Não é preciso fazer um grande drama disto. Lembro-me de concluir em tempos que a felicidade não é o objectivo da vida, mas um bónus. A felicidade não é um fim em si mesmo. Que ninguém pense que chega a este mundo com o objectivo da a...

Aguarda pela tua alma // [Excertos]

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"Se alguém nos pudesse olhar do alto, veria que o mundo está repleto de pessoas que andam apressadas, transpiradas e exaustas e também veria as suas almas atrasadas e perdidas no caminho por não conseguirem acompanhar os seus donos. (...) Escuta, precisas de encontrar um lugar só para ti, sentares-te e aguardares com paciência pela tua alma. Ela deve estar, neste momento, no lugar por onde passaste há dois, três anos." Olga Tokarczuk, " A Alma Perdida"

Formiga

No que reparamos quando: 💙 Paramos... 💙 Descemos do nosso pedestal e, 💙 Observamos com atenção.