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Do aniversário e outras reflexões

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Ontem foi o meu dia de anos. Escolhi como destino o Mosteiro da Batalha, na companhia das pessoas que são mais importantes para mim. Recebi votos e mensagens de muita gente. Algumas pessoas, de quem eu esperava mais, não o fizeram. Um grande amigo meu, com quem falei há pouco tempo, comentava comigo a propósito das relações entre pessoas, que não temos de dar apenas em consonância com o que recebemos mas também não pode ser sempre o mesmo a dar e o outro a receber. Isto é válido para todos os tipos de relações. Faz-me colocar, uma vez mais, tudo em perspectiva. Não posso dizer que estou desiludida com isso mas, sem sombra de dúvida, que me obriga a questionar e, sobretudo, torna-me muito mais exigente nos relacionamentos. Cada vez entendo melhor que sou eu que tenho de ter a força de vontade para deixar ir quem não me trata com o mínimo de respeito. Por outro lado, cabe-me a mim definir os limites do que é aceitável e não aceitável, do que é permitido e não é. E, acima de tudo, consegu...

40anos

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Celebrei recentemente a minha entrada nos 40. A todos os que me perguntaram, respondi que nunca me senti tão em paz como hoje. Os 20 foram de muita dor. Os 30 trouxeram-me maior consciência. Hoje descubro-me na minha autossuficiência. Devo dizer que, ao longo da minha vida, e com a exceção daqueles que me acompanham desde o berço, nunca me senti uma prioridade para mais ninguém. Nunca senti que fosse desejada ou amada. Nunca senti que reconhecessem em mim importância tal que causasse no outro temor perante a possibilidade da minha ausência. Julgo que foi sempre demasiado fácil deixarem-me ir, abrirem mão da minha presença, da minha amizade, do meu amor. Não digo isto com qualquer tristeza. Somos o que somos. Trazemos os nossos desafios e, nesta constante busca pelo equilíbrio, seremos importantes para uns e irrelevantes para outros. A grande verdade, que soa a cliché sem o ser, é que devemos e temos que ser a nossa própria prioridade. É assim! É dizê-lo sem quaisquer floreados! Amo ess...

Pouco a pouco

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É fácil confundir a realidade com a fantasia. Frequentemente sou mais levada pelos meus devaneios do que pelo que é concreto. Mas percebo também que os actos de maior coragem requerem fé. E a fé transcende o visível. Faço anos dentro de dias e, talvez por isso, esteja a sentir e a viver as experiências de outra forma. Fiz, de certo modo, as pazes com aquela faceta de mim mesma que menos aprecio e, consequentemente, e quase sem me dar conta, acabei por fazer as pazes com o resto do mundo. Isto é passageiro e intercala com momentos de raiva e frustração. A paz dura pouco! Todos os anos, de uma forma ou de outra, regresso a um ponto de partida semelhante a outro já vivido e, sendo certo que pareço sempre a mesma, há algo que muda. Não sei o quê. Nunca sei. É como se descobrisse algo a nível inconsciente e que, apesar de descoberto, nunca é trazido à superfície e permanece deste modo camuflado pela poeira da dúvida e descrença. Mas existe e está lá... algures no recôndito da minha alma....