Mensagens

A mostrar mensagens com a etiqueta questionamento

"Deus não precisa de ti", Esther Maria Magnis

Imagem
Acabei ontem de ler "Deus não precisa de ti" de Esther Maria Magnis. Achei o livro fantástico e recomendo a todos que estão nesta caminhada de fé de encontro a ou reencontro com Deus. Não sei como definir o final do livro. Não sei se devo considerar que acaba bem ou mal. Não era o que eu estava à espera e senti muita pena da autora, apesar de entender que a sua fé acabou por sair reforçada no meio de tanta dor. Em momentos senti o seu desespero e revolta. Entendi a dor emaranhada no seu peito quando Deus parece ausente ou nos leva a crer que as nossas preces não são ouvidas. O caminho da Fé não é fácil. Não é linear. Porque também a vida não é fácil. E nem sempre sentimos o colo Dele, o consolo Dele, a presença Dele. Nem sempre entendemos o porquê. Nem sempre identificamos a lição por detrás dos nossos tropeços. Se é que há alguma lição! Inquirir não significa ter respostas. Inquirir, muitas vezes, evidencia apenas o quão pequeninos e desconhecedores somos. E é importante est...

Talvez

Imagem
Domingo de Novembro com algum sol! Os últimos tempos não me têm levado a grandes percursos sozinha. Gosto da solidão, mas às vezes pesa. Gosto do silêncio, mas às vezes pesa. Desejo, porém, que haja nessa solidão e silêncio uma aceitação sem que porém seja forçada. Faz parte de quem sou, da minha vida, da minha essência. Estacionei em Belém. Vim acompanhada por "Deus não precisa de ti", um livro de Esther Magnis. Apetece-me ler sobre Deus, experiências de outros com Deus, leituras que vou intercalando com a Bíblia Sagrada. Quero saber mais sobre Ele. Quero ouvir falar Dele. Estou curiosa. Estou sedenta. Tenho fome de respostas. Tenho fome de Verdade. Haverá maior Verdade do que Ele? Talvez a minha solidão tenha sido a forma que Deus encontrou de me levar a procurá-lo. Talvez o silêncio tenha sido a forma que Deus encontrou de me levar a ouvi-lo.

Ai, o banal!!!

Imagem
 

Vivendo com POC e ansiedade - 2

Imagem
Fui ao médico. Pela primeira vez posso afirmar que estou a ser devidamente acompanhada. Já marquei consulta de psicologia para o início de Novembro. Quero "curar" a minha mente. Não sei se curar é a palavra certa, até porque duvido muito que seja possível curar comportamentos e pensamentos que já estão tão enraizados. Confesso que a farmacologia ainda não me trouxe grandes melhorias. Em relação à minha toma habitual, foi aumentada a dosagem de 50mg para 100 mg. Li na bula que o máximo diário aconselhável é de 200mg. Não sei bem o que é que estava à espera que acontecesse. Alguma melhora, quicá! Mas sinto-me pior. Sinto que os meus sintomas pioraram. A minha mente não pára. Há momentos em que me sinto tão cansada que tomo um calmante não porque me sinta ansiosa mas para ver se o fluxo mental abranda. Estes sintomas são-me familiares. Há cerca de 12/13 anos passei por algo semelhante, um ano depois de ter sido consultada pela Ana Rita e de ter aprendido, em 6 meses, a controlar...

Dons espirituais?

Imagem
Dons espirituais? Almas velhas? Sabedoria espiritual?   Debati-me muito com estas questões. Como podia ou devia analisar o meu próprio crescimento espiritual? Durante muito tempo associei-o à intuição e mediunidade, características que em mim nunca estiveram muito desenvolvidas.  Lembro-me de questionar se isso me faria menos desenvolvida espiritualmente do que outras pessoas. Quando me afastei do New Age, acabei por encontrar uma serenidade que até então não tinha tido. Tirei o ser humano do centro e coloquei Deus e todas estas minhas questões deixaram de ser relevantes. Estava há pouco a estudar a primeira carta aos Corintios e lembrei-me destas minhas questões antigas. A Igreja de Corinto tinha aparentemente o seguinte problema.  Alguns membros tinham o dom de línguas. Outros não tinham. Quem tinha achava que era melhor do que quem não tinha. Quem não tinha, porque não tinha, desvalorizava o dom de quem tinha.   O eterno problema do ego humano. ...

???

Imagem
Tenho-me questionado se o tempo passa e não há algo mais que eu deveria fazer ou ser. Tenho permanecido muito nos mesmos poisos e não sei se deveria ser assim.

Terapias holísticas 👎

Imagem
Tornei-me adversa às terapias holísticas. Admito que possa estar errada e, na minha assumida imperfeição, não estarei certamente a ver todos os ângulos. Ainda assim, afirmo hoje que há coisas que simplesmente não quero na minha vida. Nos últimos episódios do Extremamente Desagradável, com a Joana Marques, foi satirizada esta temática em diferentes vertentes. Depois de me rir que nem uma perdida, senti-me um pouco culpada por de certo modo estar, também eu, a ridicularizar a fé de algumas pessoas. Sim, isso é errado. Não obstante, quanto mais eu vejo estas abordagens de fora, mas eu acredito que a espiritualidade de pacotilha que se vive atualmente precisa de ser transformada. Entramos numa fase em que a necessidade por respostas é enorme, o vazio existencial é-lhe proporcional, e isto torna-nos um pouco displicentes quanto às fontes onde estamos a buscar as respostas. Pessoal, nem tudo é bom! Nem toda a terapia é boa! Nem todo o terapeuta é bom! Nem tudo é matéria prima! Nem tudo é ver...

Silêncio

Imagem
 

Fé em Deus

Imagem
Creio que ainda não tinha abordado o tema da minha fé em Deus, mas talvez esteja na altura de o fazer. Depois de imensos anos dedicada à New Age e a uma panóplia de terapias holísticas, comecei a afastar-me desse caminho e estou a redescobrir a minha fé em Deus. Este ano iniciei o meu estudo na Bíblia. Ele não é sempre constante. Tem interregnos, avanços e recuos. Às vezes parece-me super certo, outras vezes tenho dúvidas. Mas apesar deste questionamento, esta fé tem-me trazido uma imensa paz. Lembro-me de ser jovem e achar que a Bíblia não fazia sentido. Hoje entendo que ela é o que é sem filtros. As descrições mais violentas ou chocantes foram vivenciadas e por isso fazem parte das Sagradas Escrituras, mesmo que nos parece estranho. Não há floreamentos para agradar. Aquele tempo era diferente do nosso em muitos aspectos e não podemos ignorar isso. Retrata pessoas reais que viveram a fé e que, também muitas vezes, desviaram-se dessa fé. Há umas semanas vi um documentário no History Ch...

Imensidão

Imagem
Viver é difícil, digo-o como uma constatação.  Já ouvi falar do "saber viver bem", mas o saber viver bem não faz com que a vida seja necessariamente melhor, apenas paramos de lutar contra aquilo que a vida é. Nos últimos dias tenho sentido as coisas com maior intensidade. Posso até afirmar que me sinto bem por ser capaz de sentir, ainda que o que sinto me deixe inquieta. A ansiedade vem trazida pelos sonhos, pelos receios, pelos medos. A ansiedade vem porque sou humana e nem sempre consigo arrumar as fragilidades nas gavetas dos armários que habitam o meu ser. Não tenho grandes expectativas. Não podemos ter tudo o que queremos. Digo a quem tenha coragem para ouvir: há coisas que não são para nós; há coisas que, por mais que tentemos, não teremos. Não é preciso fazer um grande drama disto. Lembro-me de concluir em tempos que a felicidade não é o objectivo da vida, mas um bónus. A felicidade não é um fim em si mesmo. Que ninguém pense que chega a este mundo com o objectivo da a...

"(...) sacrifica a vida nesta busca, mas, (...) uma vez encontrado isto, não haverá mais o que procurar.” [Excertos]

Imagem
“Mas o homem é uma criatura volúvel e pouco atraente e, talvez, a exemplo do xadrezista, ame apenas o processo de atingir o objetivo, e não o próprio objetivo. E — quem sabe? —, não se pode garantir, mas talvez todo o objetivo sobre a terra, aquele para o qual tende a humanidade, consista unicamente nesta continuidade do processo de atingir o objetivo, ou, em outras palavras, na própria vida e não exatamente no objetivo, o qual, naturalmente, não deve ser outra coisa senão que dois e dois são quatro, isto é, uma fórmula; mas, na realidade, dois e dois não são mais a vida, meus senhores, mas o começo da morte. Pelo menos, o homem sempre temeu de certo modo este dois e dois são quatro, e eu o temo até agora. Suponhamos que o homem não faça outra coisa senão procurar este dois e dois são quatro: ele atravessa os oceanos a nado, sacrifica a vida nesta busca, mas, quanto a encontrá-lo realmente... juro por Deus, tem medo. Bem que ele sente: uma vez encontrado isto, não haverá mais o que p...

"(...) divórcio da humanidade" // Milan Kundera (1929-2023)

Imagem
"Ainda tenho nos olhos a imagem de Tereza sentada num tronco, a afagar a cabeça de Karenine e a meditar no fracasso da humanidade. Ao mesmo tempo, aparece-me outra imagem: a de Nietzsche a sair de um hotel de Turim. Vê um cocheiro a vergastar um cavalo. Chega-se ao pé do cavalo e, sob o olhar do cocheiro, abraça-se à sua cabeça e desata a chora. A cena passava-se em 1889 e Nietzsche, também ele, já se encontrava muito longe dos homens. Ou, por outras palavras, foi precisamente nesse momento que a sua doença mental de declarou. Mas, na minha opinião, é justamente isso que reveste o seu gesto de um profundo significado. Nietzsche foi pedir o perdão por Descartes ao cavalo. A sua loucura (e, portanto, o seu divórcio da humanidade) começa no instante em que se põe a chorar abraçado ao cavalo." A Insustentável Leveza do Ser

Do amor à Filosofia

Imagem
Em vésperas de regressar ao trabalho reencontrei "O Mundo de Sofia". Já me tinha lembrado deste livro algumas vezes mas achava que talvez o tivesse perdido. Este fim-de-semana, ao olhar para a estante, os meus olhos fixaram-se na sua lombada. Ei-lo tão visível e tão escondido! Iniciei de imediato a sua leitura. Recordei o quanto gostava de Filosofia quando era mais jovem. Relembrei que quando fui para a NA o meu objectivo era estudar Filosofia. Infelizmente, perdi-me nas atividades paralelas que, muito possivelmente, foram um dos motivos que me levaram a sair de lá. Dei por mim a sorrir com a possibilidade de retomar este meu fascínio pela Filosofia, voltar à inquirição constante uma vez que as minhas certezas foram pelo cano. Que lufada de ar fresco! Depois de meses sem saber para onde ir, começo a encontrar um ponto de luz que me direciona o caminho. (Foto tirada da net, pode ter direitos de autor)

Ciclos de Vida

Imagem
"O Mundo de Sofia", Jostein Gaarder

Assim, vou fazendo o que resta... caminho.

Imagem
Para os pouquíssimos que me leem, ou me venham a ler, informo que mudei o nome deste blog.  Depois de 10 anos em mergulho no esoterismo e a rebuscar palavras cujo significado eu talvez nunca tenha efetivamente entendido, resolvi simplificar. Chamei-o agora de A Caminhante porque caminhar tem sido uma das atividades que mais paz e tranquilidade me tem trazido na minha vida. E talvez sejam estes os momentos em que eu tenha conseguido encontrar mais respostas, ainda que quase sempre numa escala diminuta. Tenho partilhado as minhas dúvidas e ansiedades com as minhas amigas mais queridas. Mas não vemos todos as mesmas coisas, nem acreditamos todos nas mesmas coisas e há um momento em que temos de concluir algo por nós mesmos e não está a ser fácil fazê-lo. O tempo em que estive envolvida nesta vaga de pseudo-espiritualidade tinha-me trazido, pelo menos, a sensação de pertença a algo e agora, semelhante à extração de um dente sem anestesia, sinto diariamente o buraco vazio que lá ficou ...

Por qual verdade?

Imagem
Não tenho conseguido que as palavras me saiam. Talvez porque entro numa fase de vulnerabilidade e receio que o que penso e sinto se revista de vitimização e fraqueza. Vim para o meu cantinho predileto junto ao aqueduto, hoje infelizmente com mais barato devido a umas obras próximas. Observo ao longe o miradouro de Monsanto e reflito uma vez mais sobre a minha vida e as minhas escolhas. Como já referi anteriormente, a minha fé sofreu um abalo e nos últimos tempos tenho procurado as respostas em outros locais e credos. A conselho de uma amiga peguei na Bíblia. Li ontem a carta de São Tiago. As frases revestem-se de sabedoria, mas não sei se é por aqui que devo seguir. Os católicos fervorosos dizem que Deus é o único caminho, mas será que é? Será que Ele existe? Há uma parte de mim que quer acreditar. Há outra parte que tem medo. Se Ele existe talvez eu já tenha blasfemado tanto que não seja mais possível redimir-me. Eu quero a verdade, mas tenho medo da verdade tal como tenho med...

Reflexões - Crise de fé .... Para onde seguir daqui?

Imagem
Estou numa fase de mudança profunda nos meus credos e fé. Durante muitos anos - com o início ainda na minha adolescência - deixei-me levar pelo misticismo, superstições e alguma fantasia. Para mim, o outro lado, aquele lado não tão visível, era uma realidade e poderia ser acedido com a prática e disciplina certas. Na minha família havia uma certa crença no sobrenatural pelo que recorrer a curandeiras, a espíritas e tarólogas não era completamente descabido. Talvez isso explique um pouco o meu fascínio! Adquiri o meu primeiro baralho de cartas de tarot aos 18 anos, uma prenda que pedi aos meus pais. Na altura não o usei muito, mais por preguiça do que outra coisa. Alguns anos mais tarde fui para o yoga, entrei na (e saí da) Nova Acrópole e nos 9 anos seguintes dediquei-me com afinco àquilo que eu chamava de espiritualidade. Eu preciso de fé, preciso de acreditar em alguma coisa. Pessoalmente, sinto que se não tiver alguma orientação espiritual, será muito mais difícil seguir na vida em ...

Será?

Imagem
“ A ciência é mais do que um corpo de conhecimento, é um modo de pensar. Tenho um pressentimento sobre a América do Norte dos tempos de meus filhos ou de meus netos (…) quando, agarrando os cristais e consultando nervosamente os horóscopos, com as nossas faculdades críticas em decadência, incapazes de distinguir entre o que nos dá prazer e o que é verdade, voltaremos a escorregar, quase sem notar, para a superstição e a escuridão.” Carl Sagan, O Mundo alimentado pelos demónios (Imagem retirada da net, pode ter direitos de autor)

"A Pianista" de Elfriede Jelinek - Reflexões

Imagem
Terminei hoje a leitura do livro "A Pianista" de  Elfriede Jelinek. Não sei muito bem o que pensar do livro e se recomendaria a sua leitura a alguém. Foi-mo oferecido há alguns anos, andava eu ainda na Faculdade. Pelos sublinhados e vaga lembrança, quando peguei nele novamente percebi que o tinha deixado a meio. Entendo o porquê. A linguagem é difícil. Os diálogos são sempre em discurso indireto, estranhos e confundem-se com a narrativa. Os cenários mudam bruscamente e muitas vezes é difícil perceber onde as personagens se encontram e o que estão a fazer.  A par disto tudo, o tema é polémico.  Uma pianista de 36 anos mantem uma relação de co-dependência com a mãe, partilhando ambas inclusivamente a mesma cama. Caso para dizer, que o cordão umbilical nunca foi cortado. Há um controlo exacerbado sobre esta mulher e uma negação total do prazer, influência da educação e controlo maternos. Usa roupas sem graça, pesadas para a idade que tem. Secretamente ela automutila-se,...

Os meus pontos de interrogação

Imagem
Escrever acalma-me ainda que, por vezes, não saiba muito bem por onde começar. Sábado foi dia de passeio, de muitas voltas, de muitos percursos, de muitos passos dados. Ainda assim, quando ao final do dia cheguei a casa, sentia um vazio enorme. Os buracos não se preenchem com lazer e quando eles se fazem notar, é importante vermo-los de frente. De manhã visitei o Castelo de Pirescoxe e para minha agradável surpresa estava a decorrer um torneio de combate medieval. À tarde, e antes de fazer o meu treino no ginásio, visitei a Galeria Municipal Vieira da Silva e o Museu Municipal, ambos em Loures. Esforcei-me por tomar o melhor partido das visitas, mas acho que o meu interior estava da cor do céu, cinzento e a ameaçar chover. Gosto do silêncio e do sossego, mas às vezes também eles pesam e se tornam insustentáveis. Domingo aninhei-me no meu sofá, com as gatas ao lado, de pijama térmico, manta e meias quentes. Pensei na minha vida, nas minhas escolhas. Ainda que, de uma forma geral, me sin...