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Quando as sombras me piscam o olho

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Entre várias dificuldades que tenho, identifico estas duas. Dificuldade em parar e dificuldade em perceber qual a medida certa das coisas. Na minha prática desportiva, que constitui uma parte tão importante de quem eu sou, debato-me frequentemente com estas duas questões. Sinto que uso a atividade física como forma de me evidenciar. Ridículo quiçá, mas tem sido esta a única esfera onde reconheço e encontro a minha força. Fora dela, sinto-me demasiado vulnerável para gostar do que vejo em mim. Fui assim no ashtanga. Continuo assim agora noutros círculos. Sempre em exigência, sempre a puxar pelo corpo mesmo que me doa. Hoje enquanto me debatia, e por fim me autorizei a ir diretamente para casa, apercebi-me que há algo em mim que imagina outro alguém a ver-me. Imagino espectadores da minha destreza física a preencheram as minhas lacunas e vazios emocionais. Mas é uma completa ilusão. Não há ninguém a ver-me, a não ser eu mesma (e mal). Ninguém espera nada de mim. Para quem não gosta...