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Viagens

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Tenho vontade de escrever, deixar que os meus dedos produzam as palavras necessárias. Mas, a bem da verdade, não sei quais são as palavras necessárias e não me apetece muito falar/descrever o meu dia-a-dia. [[Esta foi a semana em que o Hamas atacou Israel, um assunto que merece e tem merecido profunda reflexão mas que não me apetece partilhar.]] A nível bastante pessoal tomei duas decisões. Saí da rede social Facebook, o que para mim é uma enorme conquista. Por outro lado, entendi por fim que o Parque da Bela Vista pode bem ser o espaço ideal para mergulhar mais profundamente em mim. Não quero explicar melhor do que isto. É um caminho de passagem essencial... A par disto, fico feliz por ter descoberto uma escritora polaca fantástica que traz uma escrita que muito me encanta. Ela leva-me a passear, a caminhar pelas suas Viagens e é com um excerto das suas viagens que quero terminar este post: “Regressou por caminhos sinuosos, por mares periféricos, pelos mais apertados estreitos e pelas...

"Deixa ir!"

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Revivo as minhas emoções de acordo com o meu ciclo interno, em constante oscilação entre expansão e retração. Vou-me conhecendo melhor e identifico estas minhas fases. Identificando-as preparo-me para o que vem.  Já percebi que em determinados momentos faço sempre isto ou sempre aquilo, reajo desta ou daquela forma. Ontem, enquanto me aninhava entre os lençóis, desafiei-me a fazer diferente. Há sempre uma frase que me acompanha: "Deixa ir!" Se bem que haja neste deixar ir a impossibilidade - provisória, desejo eu - de deixar ir a própria necessidade do "deixar ir", quero acreditar que um dia não terei sequer de me debater com as velhas questões do passado porque terei, entretanto, superado.  A verdade é esta. Eu quero mesmo deixar ir certas coisas. Não é fácil, porém. Os meus sonhos trazem-me o passado. Fazem-me relembrar. A mágoa ainda existe e sei que, no fim de contas, todo este meu repúdio pela "pseudo-espiritualidade" tem origem num passado muito mal ...

Um dia partiremos. Até lá quero caminhar até que me seja impossível fazê-lo.

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Um dia partiremos. Até lá quero caminhar até que me seja impossível fazê-lo. Quero maravilhar-me com tudo o que vejo. Quero regozijar com o pôr-do-sol. Quero saborear um bolo com creme e saciar a sede com uma mini. Quero atravessar as ruas da velha cidade, as casas moribundas e as novas construções. Quero deter-me junto das escolas, ver os rostos das crianças e recordar que também eu fui uma em tempos. Quero sentir a minha paz e perceber que preciso de muito pouco para ser feliz.

Caminhar fora a olhar para dentro

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Tento ver o lado positivo das coisas. Acima de tudo é um mecanismo de sobrevivência.  Este fim de semana, agarrando-me a esta minha forma de sentir, aproveitei bem os dois dias para treinar afincadamente, caminhar e desfrutar a subida da temperatura. Caminhei até me doerem as pernas e ficar com bolhas nos pés mas, como sempre, houve a benesse de me poder libertar de alguns pesos.  Fui descobrir o Parque dos Moinhos de Santana e, do alto do miradouro, vislumbrei ao longe a Ponte 25 de Abril e o Cristo Rei semi-encobertos por neblina. Ao final da noite de Domingo procurei respostas nos mesmos sítios onde procurei em tempos quando me virei para a espiritualidade e acreditava em coisas do outro mundo. Desde há um ano que me tenho afastado um pouco desse caminho mas, o que encontrei ontem, o que li ontem, fez-me muito sentido. Olhei para dentro de mim e senti como ainda há partes minhas que eu rejeito talvez com a mesma intensidade com que treino. Ainda há partes minhas às quais im...

Ovelha voadora

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Estou tentada a retomar de um ponto específico em que fiquei. Não sei se é o certo ou não, mas depois de tantos meses de racionalidade a ferros, apetece-me agir um pouco por impulso. Sei que não me encaixo na normalidade e ainda que todos nós, de uma forma ou de outra, vivamos de aparências, há aparências mais densas do que outras. No que me compete, gosto de pensar que aos 40 anos já me posso dar ao luxo de ser eu mesma e de seguir o meu caminho. Não quero rebanhos, não sigo vaidades luxuosas. Não tenho posto de relevância nem título importante antes do nome. Sou apenas eu a querer, uma vez mais, remar contra a maré. E remo com maior fervor interior do que se me deixasse apenas ir. Estar aqui ("terra") é difícil, é duro. Às vezes desejo partir para onde o pó das estrelas é feito. Outras muitas vezes quero permanecer porque ainda há um caminho para ser percorrido.  Por ora, vou trepando apenas pelas cordas da vida até aos tectos do palco. P.S. Foto retirada da net, pode ter d...

A quebrar os meus recordes

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Simplicidade

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Sempre acreditei - e ainda acredito - que viemos a este plano para evoluirmos. Contudo, a minha noção do que significa "evoluir" tem sofrido alterações ao longo do tempo. Já me considerei uma "pessoa evoluída". Hoje percebo o quão grande era a minha ignorância e soberba. Consigo assumir mais facilmente que nada sei e essa tomada de consciência até que me traz uma certa tranquilidade. Não finjo ser o que não sou, nem saber o que não sei, nem pensar o que não penso. Sou ignorante e desconhecedora de muita coisa. Paralelamente, vou-me conhecendo melhor porque o assumir o que não se sabe também implica que se saiba alguma coisa. Ontem a minha bff alertava-me para não cortar tão radicalmente com o caminho que trilhei até hoje. Não pretendo fazê-lo mas também não consigo forçar-me a aceitar "dizeres" que, ainda que possam ser verossímeis para os demais, para mim ainda carecem de muito escrutínio. Respondi-lhe por fim: - Quero simplicidade! Apenas isso! Hoje, ao ...

40anos

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Celebrei recentemente a minha entrada nos 40. A todos os que me perguntaram, respondi que nunca me senti tão em paz como hoje. Os 20 foram de muita dor. Os 30 trouxeram-me maior consciência. Hoje descubro-me na minha autossuficiência. Devo dizer que, ao longo da minha vida, e com a exceção daqueles que me acompanham desde o berço, nunca me senti uma prioridade para mais ninguém. Nunca senti que fosse desejada ou amada. Nunca senti que reconhecessem em mim importância tal que causasse no outro temor perante a possibilidade da minha ausência. Julgo que foi sempre demasiado fácil deixarem-me ir, abrirem mão da minha presença, da minha amizade, do meu amor. Não digo isto com qualquer tristeza. Somos o que somos. Trazemos os nossos desafios e, nesta constante busca pelo equilíbrio, seremos importantes para uns e irrelevantes para outros. A grande verdade, que soa a cliché sem o ser, é que devemos e temos que ser a nossa própria prioridade. É assim! É dizê-lo sem quaisquer floreados! Amo ess...

A curar-me!

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17 e 18 de Março trazem-me recordações de um tempo fértil em aprendizagens difíceis com o início desta década. Devo dizer, com bastante orgulho, que tenho enfrentado alguns dos meus demónios. Houve, da minha parte, um reconhecimento interno de características minhas das quais eu não tinha conhecimento. Eu sou o que era, acrescida daquilo que eu não sabia que era. E por isso o trabalho é mais intenso, mas não necessariamente mais sofrido. Saber quem somos, no lado bom e no lado menos bom, é de extrema importância.  Atualmente, quando estou prestes a explodir, paro, respiro fundo e reflito. Por fim, acabo por não reagir tempestuosamente. Não vale a pena. Não se justifica entrar em demandas que estejam a ser sustentadas pela raiva ou frustração. Essa acalmia interior que se vai manifestando cada vez mais, acaba por se refletir, com maior ou menor preponderância, em todas as áreas da minha vida. Fisicamente não regresso a lugares do passado, mas revisito quartos escuros da minha alma e...

People's pleaser

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Há uns meses chamaram-me de people's pleaser . Soltei um "pois" em concordância. A constatação daquele momento tinha sido validada por mim algum tempo antes. Tenho alguns posts de 2019 e 2020 que mostram o que uma people's please faz quando não quer ser mais uma people's pleaser . Mas comecemos pelo início. Todos nós, sem exceção, queremos amor, amizade, reconhecimento e validação. Por mais que nos digam (e bem!) que esse processo deve começar em nós e por nós próprios, não podemos ignorar o facto de que, enquanto seres sociais que somos, o que vem e quem vem de fora continuam a desempenhar um papel preponderante. Nessa busca pelo amor e aceitação, vendemos de nós a imagem que achamos que nos fará ser aceites. Porém, a vida não se coaduna com o que não seja pela nossa autenticidade, ainda que nos dê o livre-arbítrio de vivermos, quanto baste, dentro ou fora das nossas ilusões. E por isso encontraremos circunstâncias, momentos, eventos, pessoas que nos farão ques...

Aceitação

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Durante os anos que morei em Lisboa tive o hábito de, sempre que me sentia sozinha, sair de casa e percorrer as ruas sem destino. Vira à direita, vira à esquerda, sobe, desce. Ansiava imenso por encontrar algo que me trouxesse paz. Escusado será dizer que a paz não veio com aquelas caminhadas. Ao fim de algo tempo percebi que, na verdade, o que eu buscava era eu mesma e este Eu que procurava era o mesmo que me acompanhava no caminho. Atualmente, continuo a deixar que os meus pés me guiem. Adoro descer pela Calçada da Estrela e ir até ao Cais do Sodré. Mas já não procuro nada. O que tenho no momento chega-me e o que sou no momento basta-me, pelo menos até que seja tempo de ser outra Lídia tão parecida e ao mesmo tempo tão diferente da Lídia atual.

Vai - Coragem!

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Quando vezes não resistimos a deixar algo para trás por simples medo de andar em frente. Não é tanto o passado que nos prende – até porque dele só valerá realmente a aprendizagem -, mas porque receamos o futuro incerto. O desconhecido poderá trazer-nos 1001 oportunidades e umas tantas portas e janelas abertas de cuja existência desconhecíamos, mas será que se a porta surgir, escancarada, teremos coragem de a atravessar? E aí o passado parece tão seguro!.... Não nos traz surpresas nem nada que não conheçamos. Mas também já não nos traz nada que nos acrescente ou enriqueça internamente. DESAFIO: Atreve-te a ir, a seguir o curso do rio mesmo que ignores por completo onde ele irá desembocar. Vai, mesmo que leves em ti medos que ainda não consegues ultrapassar ou feridas que ainda não consegues curar. A cura e superação serão feitas ao longo da caminhada. Vai. Não aqui nada a prender-te! Não deixes que sejas tu mesma(o) a impedir-te.

Sol

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Não peças autorização para seres quem és. Não cales a tua voz nem rejeites o que sentes. Não negues a tua verdade para caberes nas regras dos outros. Não escolhas ignorar só porque há quem não queira saber. Não te apagues porque a tua luz incomoda aqueles que não querem ver. E não te anules em circunstância alguma. Se dúvidas houver, lembra-te de que o sol não pede permissão a ninguém para brilhar.

Hoje

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E um dia descobres dentro de ti uma força que desconhecias, um poder enorme de autocura. Um dia descobres uma essência adormecida há anos e que há anos ansiava por vir à superfície. Um dia entendes que o teu caminho tem tudo para dar certo porque é o TEU caminho e está de acordo com o TEU tempo e as TUAS reais necessidades que vão de encontro ao que precisas mesmo que não seja o que gostarias. E nesse dia aceitas sem lamentos. E à medida que vais percebendo quem és e abandonas as máscaras que foste usando ao longo da vida, umas em substituição das outras, o conflito interno torna-se cada vez menos frequente.  Não te escondes, não te omites, não te rejeitas, não te apagas, não te moldas para caber numa verdade que não seja a tua. Esse dia não tem de demorar uma vida a chegar. Esse dia não é um mito. Esse dia não é uma ilusão. Esse dia não é uma fantasia. Esse dia não é algo com que só podes sonhar. Esse dia é o dia de hoje!

Mulher

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Celebra a mulher que há em ti! Celebra o lado terrestre e mundano! Celebra o lado celeste e sagrado! Celebra o que em ti é vida! Celebra o que em ti é morte! Celebra o que em ti é amor! Celebra o que em ti é dor! Vive a coragem e a determinação! Vive a face e a fase que surgem, o momento que se avizinha, o instante que germina aos teus pés! Vive os entardeceres e os amanheceres! Vive seja dia ou noite. Vive sobre a terra escaldante ou debaixo de chuva torrencial. Vive os sonhos, os desejos, os planos, a vontade, venham enrolados em certezas ou incertezas! Vive sem medos ou vive com medos, mas vive! Vive a intenção com intenção!

Trilhar o caminho

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Se temos liberdade de escolha, escolhamos ser nós mesmos. Vivamos em harmonia e aceitação de quem somos. Sejamos capazes de reconhecer as nossas qualidades e valor. Trabalhemos os nossos defeitos e limitações de uma forma criativa e criadora. Trilhemos o nosso caminho apesar de todas as dificuldades e receios. Ouvi um dia esta frase que me tem acompanhado desde então: “É o caminho que te trará a maior dor e, por isso mesmo, é o que te trará também a maior cura.” 

Note to Self

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I like being a woman.

One day I will write to you

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One day I will write to you with all my heart.  I will let my shadow out and you will know me and you may hate me. One day, when you're ready to know me and I'm ready to accept the fact that you may hate me then.

[Não] Verdade

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Não sei onde está a verdade, se nas minhas palavras, se nas dos outros. Quando acho que me conheço, parece que ninguém me vê. Quando me veem, tenho a sensação de que ninguém me conhece verdadeiramente. Tirei esta foto ontem. Pouco ou nada tem a ver com o assunto, mas gosto da foto, gosto do local. Morei aqui há 10 anos. Caminhar nestas ruas passado tanto tempo soube-me bem. Lembrei-me de quando me colocava à janela do 8º andar a pensar no que era a minha vida naquele momento. Tanta coisa mudou. Mudei tanto.

Perdão

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Por hoje, escolho perdoar-me pelo que ainda não sei, pelo que não entendo, pelo que ainda repito com a intenção de que o resultado seja diferente e não é. Perdoo-me porque ainda dou passos inseguros, duvido de quem sou, duvido das minhas capacidades e do meu valor. Perdoo-me porque ainda cedo ao medo, à vergonha, à culpa, ao arrependimento. Perdoo-me porque ainda tenho atitudes mesquinhas, de rancor, de raiva, de inveja. Perdoo-me porque sei que ainda posso ser melhor versão do que a versão que consigo ser atualmente. Perdoo-me porque há momentos em que me falta a fé e vitimizo-me, substituindo a ideia de aprendizagem pela ideia de castigo. Perdoo-me porque tento mas há dias em que não consigo, ou não tento o suficiente ou desisto mesmo antes de tentar. Perdoo-me porque falo às vezes ser pensar, reajo por impulso, sou célere nas palavras ásperas e na vista cega. Perdoo-me porque, e apesar de tudo isto, mereço o meu próprio perdão. E tu, já te perdoaste?