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"And the dreams that you dream of... Dreams really do come true"

Passados alguns meses regresso a um restaurante onde ganhei, em 2022, o hábito de ir. A vida está cara pelo que já não almoço fora com muita frequência. Acresce que o "Caçador de Xabregas" faz-me pensar no meu Leo. Lembro-me de estar aqui a pensar nele, preocupada com a sua saúde. Regressar aqui hoje não foi planeado, mas gostei de rever as velhas ruas da zona sob um sol de Inverno mais a puxar para a Primavera. Traz-me memórias que nem um ano têm. Sinto paz em mim e pela companhia que proporciono a mim mesma. Aceito-me como nunca e apesar das minhas dificuldades relacionais acredito e confio no meu processo.   Por fim, a minha mente registou a mensagem de “Somewhere Over the rainbow” na voz de uns fantásticos cantores de rua que se encontravam a atuar junto ao Mirandouro da Nossa Senhora do Monte.   Oiçam! Vale a pena!   Somewhere over the rainbow Bluebirds fly And the dreams that you dream of Dreams really do come true-ooh-ooh

De fora para dentro

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Sentei-me com a cabeça encostada à janela do 783. Fixei a atenção nas luzes, no pára-arranca dos carros, alheia às conversas de circunstância no autocarro. Pensei e senti, mas não consigo colocar em palavras o que pensei e o que senti. Pedi para que tudo o que me envolve nestes momentos, que me retira da realidade e me eleva a um lugar de paz, durasse o maior tempo possível. Esta caminhante vai-se curando a cada passo. Esta caminhante vai-se encontrando, vai-se reconhecendo, vai sabendo quem é. Olho, observo mas já não tento captar as imagens com a máquina. Já não há necessidade de partilhar com o exterior. Há um belo que é invisível e só se capta com o olho da alma. Quando olho para dentro, vejo-o. (Imagem tirada da net, pode ter direitos de autor) 

Pela noite adentro porque somos todos buscadores mesmo que não saibamos do quê.

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Pela noite adentro porque somos todos buscadores mesmo que não saibamos do quê. Foi a frase que gravei na minha mente enquanto me embrenhava nos carreiros de terra paralelos à Avenida de Berlim. Já falei tantas vezes sobre as minhas caminhadas e a necessidade que tenho delas, que pouco há a acrescentar. Sexta-feira estava uma lua cheia lindíssima. Tentei captá-la, sem sucesso, pela máquina fotográfica do telemóvel que não lhe fez jus. Quando ontem voltei àquele ponto de passagem tive plena consciência de que procuro algo. Procuro algo quando olho para o céu. Procuro algo quando fixo a minha atenção nas folhas caídas ou nas estradas enlameadas. Procuro algo quando observo uma qualquer pessoa encostada à parede dum café de esquina a fumar um cigarro. Procuro algo quando leio as mensagens escritas nas paredes de uma casa em ruínas. Procuro algo quando me deixo encandear pelos faróis dos carros que travam na passadeira. Procuro algo quando vejo mãos desconhecidas a percorrerem os sacos do...

Essência(s)

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Lembro-me de ser adolescente e desejar viajar pelo mundo. Fi-lo maioritariamente em família e não explorei tanto como talvez tenha desejado naquela altura. As incursões mais marcantes foram interiores, verdadeiros mergulhos com vista à minha própria auto-descoberta. Aquele antigo desejo já não é tão marcante. Atualmente, a beleza da regularidade que me é dada pelas ruas de Lisboa satisfaz-me. Sinto-me uma privilegiada por esta descomplicada e natural forma de vida. Vivo em escolhas que - quero acreditar! - vão gradualmente refletindo mais quem eu sou na minha essência. A paz decorre desse encontro em verdade. 

"O Julgamento"

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Limpa, esfrega, lava, estende, tira o pó, aspira, muda de sítio, organiza... Começou assim o meu fim de semana. A organizar a minha casa e a organizar a minha mente. Ao final do dia de Sábado tinha a sensação de dever cumprido. Foi um fim de semana intenso, de limpezas, tomadas de consciência e conclusão de processos.  Como escrevi dias antes, não dá para apressar processos, mas quando é tempo de terminar, é tempo de terminar.  Hoje vislumbro o início, o meio e o fim. Tenho a visão completa do desenrolar da história. A história que me permitiu crescer. Há uma semana tinha fotografado a imagem da Nossa Senhora que desde essa altura defini como imagem do ecrã do telemóvel. Dei por mim a pedir o seu auxílio. Talvez Ela me tenha ouvido e, por circunstâncias de vida que entretanto se proporcionaram, seja atualmente possível seguir um caminho com menos bagagem. Levo o que preciso. Nem mais, nem menos.  Sigo com esperança, com fé. Ainda choro com o que me dói mas nas minhas lágr...

A curar-me!

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17 e 18 de Março trazem-me recordações de um tempo fértil em aprendizagens difíceis com o início desta década. Devo dizer, com bastante orgulho, que tenho enfrentado alguns dos meus demónios. Houve, da minha parte, um reconhecimento interno de características minhas das quais eu não tinha conhecimento. Eu sou o que era, acrescida daquilo que eu não sabia que era. E por isso o trabalho é mais intenso, mas não necessariamente mais sofrido. Saber quem somos, no lado bom e no lado menos bom, é de extrema importância.  Atualmente, quando estou prestes a explodir, paro, respiro fundo e reflito. Por fim, acabo por não reagir tempestuosamente. Não vale a pena. Não se justifica entrar em demandas que estejam a ser sustentadas pela raiva ou frustração. Essa acalmia interior que se vai manifestando cada vez mais, acaba por se refletir, com maior ou menor preponderância, em todas as áreas da minha vida. Fisicamente não regresso a lugares do passado, mas revisito quartos escuros da minha alma e...

Dia 7

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Não sei se foi em sonho ou se estava desperta. Sei apenas que esta manhã, por uns instantes, tive um momento de clareza. Havia uma voz dentro de mim que me dizia que só ultrapassamos a dor com a aprendizagem. Nesses minutos propus-me a duas coisas. Descer do pedestal onde, com maior ou menor consciência, eu me coloco e não ter medo em mostrar a minha vulnerabilidade. Mentalmente escrevi um rascunho de carta onde comecei por admitir que tenho demorado imenso tempo a curar algumas feridas e apenas naquele momento em que colocava as palavras no papel, sentia ter havido uma abertura da minha parte para pedir perdão. Estas são as cartas que talvez nunca envie e talvez o maior pedido de perdão seja aquele que terei de dirigir a mim mesma.  Ao longo da reflexão apercebi-me, igualmente, de que não existem castigos exteriores. Se há um castigo, ele reveste-se, claramente, da dor que sinto, que ninguém me obriga a sentir, mas da qual eu tenho dificuldade em me libertar. Talvez por isso seja ...

Um

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Ainda te vejo fora de mim porque não sei ver-te como parte de mim. O belo que vejo em ti é o belo que em mim me amarga. Por isso olho-te à distância e nego o teu auxílio. Atiro-me para as águas negras e enquanto mergulho os meus olhos captam o teu olhar sereno acima da linha da água.  Sou um vai e vem. Rodopio e danço ao sabor das minhas emoções ora rindo ora chorando. A seu tempo emergirei com a esperança da unidade entre a minha alma e o teu espírito. Somos um. 🙏

Rendição

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Certas rendições tornam-nos humildes, trazem-nos de volta à terra e colocam-nos de joelhos. Abandonamos certezas e convicções. Deixamos o nosso ego em parte incerta e olhamos para o céu. Ao contemplarmos a imensidão que é um céu estrelado, percebemos o quão pequeninos somos. Essa “pequenez” não visa diminuir a nossa alma, mas sim fazer-nos entender que não estamos sós, não somos mais nem menos do que ninguém, as nossas dores não são necessariamente mais dolorosas do que as dores dos outros, nem a nossa felicidade é mais ou menos importante do que a do outro. Nestas horas, às vezes apenas minutos, às vezes apenas segundos, rendemo-nos. Ou porque o cansaço é demasiado, ou porque as dúvidas são muitas ou porque há muito que a nossa alma nos tenta levar por outro caminho - aquele a que ainda resistimos -, e percebemos que está mais do que na altura de a escutar. Apesar do enorme esforço físico, mental e emocional que nos é exigido para uma rendição de tal envergadura, para mim há uma...

Eremitério

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Com a incursão na minha vida adulta, já há uns anos, começou a tornar-se cada vez mais necessário o tempo da solidão e do silêncio. Quando era jovem, ou mesmo depois enquanto ainda vivia na casa dos meus pais, talvez não tivesse tão presente esta imprescindibilidade. No entanto, desde que há alguns anos arranjei a minha própria casa, estar sozinha, estar em silêncio, não só ocorre por normalidade, mas também e sobretudo por desejo da minha alma.  Estou num desses momentos. Não sei bem como explicar aos outros. Não é a presença dos outros que me pesa, mas o mundo em si. A energia densa, a verbalização agressiva, a baixa vibração que paira. Parece um pouco o que sentia quando praticava ashtanga yoga. Pouco havia fora do meu tapete que  tivesse mais importância do que o que eu encontrava na minha prática. Hoje, pouco há fora de mim que tenha mais importância do que o que encontro em mim mesma. Viro-me para mim e procuro locais que me propiciem essa interiorização. Antes que possa...